λόγος
SEMINÁRIO
TEOLÓGICO
IGREJA
PENTECOSTAL
VARÕES
DE GUERRA - JGC
MANUAL DE
CAPELANIA CRISTÃ
Ø
HISTÓRIA
DA CAPELANIA
Ø
CAPELANIA
HOSPITALAR
Ø
CAPELANIA
SOCIAL
Ø
CAPELANIA
PRISIONAL
Ø
ÉTICA
CRISTÃ
Ø
TOXICOPATOLOGIA
Ø
EVANGELISMO
E MISSÕES
I N D I C E
PÁGINA
Dedicatória____________________________________________________ 4
Sobre o autor___________________________________________________ 5
Formação
teológica e acadêmica___________________________________ 6
História da
Capelania____________________________________________ 7
Capelania
Hospitalar_____________________________________________ 9
Capelania
Social_______________________________________________ 28
Capelania
prisional_____________________________________________ 39
Ética Cristã___________________________________________________ 46
Toxicopatologia________________________________________________ 64
Evangelismo e
Missões__________________________________________ 83
Questionário_________________________________________________ 104
DEDICATÓRIA
Dedico
acima de tudo este material ao nosso Deus e Pai, a nosso Senhor Jesus Cristo e
ao Espírito Santo por ter me englobado em sua graça maravilhosa. Ter me
transportado do reino das trevas para o reino da luz.
A Ele
devemos tudo o que temos, tudo o que somos e que viermos a ser. Ao nosso Deus seja a honra, a glória e o
louvor para todo o sempre.
Dedico
também a minha esposa Valéria que foi a digitadora desta apostila, que nesta data temos 18 (dezoito) anos de
casados e aos meus 03 (três) filhos Emanuel, Tiago e Letícia.
Dedico
também aos obreiros da Igreja Pentecostal Varões de Guerra situada à Rua João Gomes Cardoso, 83 no bairro Eldorado
em Contagem/MG.
SOBRE O AUTOR
Pastor Celso Soares Neto, filho de Pedro Maria Filho
e Zilda Maria de Jesus, nascido em 15/01/1967, na cidade de Dores do Indaiá/MG
a Avenida da Saudade 181 (conhecida com Beco do Cemitério), onde vivi com meus pais e 14 (quatorze)
irmãos, todos filhos de um mesmo casamento. Criado com muito amor e disciplina,
também com grandes dificuldades financeiras.
Minha mãe padecia
de diversas enfermidades, sendo assim fui praticamente criado por minhas duas
irmãs Márcia e Aparecida.
Vim
para Belo Horizonte ao 17(dezessete) anos para trabalhar no Banco Mercantil do
Brasil, onde trabalhei por 11 (onze) anos, fui criado nesta época por minha
irmã Branca e seu esposo Amadeu no qual foram meus segundo pais, de onde sai
para casar em 1990.
Já casado,
passamos 06 (seis) anos sem Jesus em nosso casamento, mas faço menção ao meu
cunhado Gerson Lopes Cançado, (in memorian) esposo da minha irmã Maria José,
que muito me falava sobre Jesus, dando-me um Novo Testamento cumprindo assim em
minha vida a palavra do Senhor que a semente (palavra) lançada não voltará
vazia, também a minha amada sogra Maria das Mercês de Souza (in memorian) que
tanto orou por mim e minha esposa.
Casei
na Igreja Batista do Barreiro, casamento celebrado pelo Pastor Carlos
(conhecido como Carlão).
No
tempo determinado por Deus, aceitei Jesus na Igreja Pentecostal Jesus é Amor
liderada pela Missionária Nilza, minha mãe na fé. Fui muito auxiliado, por minha cunhada Mercês Maria, que aliás tem
me ajudado espiritualmente até nos dias de hoje. Ao aceitar Jesus fui chamado para fazer parte do quadro de
ceifeiros de sua obra, onde fui pastor por 04 (quatro) anos no Bairro Sol
Nascente em Ibirité/MG.
Sendo
direcionado pelo Senhor vim para Igreja Pentecostal Varões de Guerra,
Congregação João Gomes Cardoso, onde permaneço até esta data, sendo pastor
dirigente. Fui recebido pelo pastor presidente Ralph A. Assé, que me confiou a
liderança desta igreja.
FORMAÇÃO TEOLÓGICA E ACADÊMICA
Médio em Teologia
STPMG - Seminário
Teológico Pentecostal de MG
Registro:
Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas nº 58.306, Livro A, Folha 3 e
4, CNPJ 16.748.089/0001-09
Capelania Cristã
ALACE -
Associação Latino Americana de Capelania Evangélica
Registro do
diploma: 2º cartório de registro de títulos e documentos de BH, nº 88.4683
Bacharel em Teologia
Ministerial
ALACE -
Associação Latino Americana de Capelania Evangélica
Registro: nº
11.9760, Lei Federal nº 10.51169, livro A, CNPJ 07.618.054/0001-04, com sede a
Avenida Afonso Pena , 262/2009, Centro BH/MG
Registro do
Aluno: 0209/05
Registro do diploma:
90.2832, no 2º cartório de registros e documentos/BH
Obs.: Nenhuma
destas formações teriam sentido na minha vida se não fosse a presença viva e
real do Espírito Santo de Deus no qual sempre agradeço essa dádiva que me foi
concedida gratuitamente pela graça no Nosso Senhor e Salvador Jesus, que
tributo toda honra, glória e louvor para Ele e por Ele até o fim dos séculos.
Amém.
Bacharel em
Administração (incompleto)
Instituto J.
Andrade de Ensino Superior
Juatuba /MG
Registro do
aluno: 11.01723
HISTÓRIA DA
CAPELANIA
HISTÓRIA DA CAPELANIA
CONCEITOS
HISTÓRICOS & OBJETIVOS GERAIS
A palavra capelania é derivada do
latim e significa capellaus (CABO). Dentro do contexto moderno, esse termo
usualmente refere-se aos ministros religiosos que servem nas forças armadas,
visando a orientação espiritual dos homens.
Em muitos lugares ele é um oficial
entre as tropas ás quais servem. É o responsável pela vida religiosa de seus
homens e também como conselheiro religioso. Parece que o termo foi aplicado
pela primeira vez ao padre que tomava conta da capa (CAPPELA), de São Martinho
de Tours. A partir dali, se desenvolvera, vários tipos de Capelães. O
ofício do capelão expandiu-se e alguns
capelães passaram a exercer o poder eclesiástico antes da era contemporânea.
Esse ofício incluía homens nomeados para servir e conduzir a nobreza de outros
clérigos da hierarquia eclesiástica. Finalmente, os capelães passaram a ser
nomeados para servir em quartéis, hospitais, prisões e instituições de
educação. A capelania militar é um antigo ofício. O título de capelão
hospitalar é também antigo, e usualmente, o capelão faz parte do pessoal
assalariado do hospital. Os capelães de Instituições de ensino, usualmente, são
ministros do evangelho: Rabinos, Padres e Pastores, que tomam conta de um campus universitário ou de uma fundação
religiosa denominacional. Atualmente, na
sociedade moderna, encontramos o aparecimento dos capelães industriais.
Os Sacerdotes operários da França servem de exemplo desse conceito. Eles
ministravam enquanto trabalhavam, assegurando algumas posições de respeito na
indústria.
OBJETIVO
Evangelizar
com renovador ardor missionário o mundo da saúde, do social, nas instituições,
presídios, asilos. O capelão é a luz da opção preferencial pelos pobres. Na
ajuda a enfermos e desabrigados,
participam ativamente da construção de uma sociedade justa e solidária a
serviço da vida pelo nome do Nosso Salvador Jesus Cristo.
CAPELANIA HOSPITALAR
CAPELANIA HOSPITALAR
I-O
PAPEL DO CAPELÃO NA PASTORAL DA SAÚDE
INTRODUÇÃO
Uma das maiores necessidades do ser
humano é ser compreendido. Os representantes dos hospitais ressaltam a
importante contribuição da capelania hospitalar na cura terapêutica, como uma
ação em que complementa o trabalho dos profissionais da saúde.
Os capelães (Pastores, Missionários,
Evangelistas, Padres, Teólogos), devem ter diante dos olhos que o direito e o
dever de exercer o apostolado é comum a
todos os membros do corpo de Cristo, sejam pastores ou membro e que na
edificação da Igreja, os capelães da saúde têm uma função própria. Essas
funções deverão ser desenvolvidas em união com todas as equipes
eclesiástico-hospitalares. Falar de capelania hospitalar é falar de Jesus
Cristo e sua igreja, na qual Ele continua sua obra de cura e salvação integral. Curando fisicamente o enfermo.
Jesus o devolve também á vida social, restaurando as relações com os demais e
sua comunhão com Deus. Portanto, os capelães se colocam a disposição da
comunidade e são indicados pelos seus pastores a serviço dos enfermos, quer em
domicílio (saúde comunitária) quer nos hospitais ou ainda atuando a movimentos
na dimensão político-institucional.
1-QUEM
É O CAPELÃO DASAÚDE
O Capelão da saúde é aquele que, a
exemplo de Jesus, expressa o amor misericordioso de Cristo, a solidariedade e a
gratuidade com os mais necessitados. Com o seu testemunho anuncia o Deus da
vida e o Cristo que salva e se compromete na construção de um mundo mais
humano, solidário e fraterno.
Primeiramente é muito importante que o
capelão tenha uma personalidade madura e equilibrada, tornando-se sensível e ao
mesmo tempo solidário ao problema do outro. Um capelão bem formado usará menos
“receitas prontas” e mais compreensão, menos repetição e mais liberdade com a
palavra de Deus. Suas características são muito importantes pois sempre
transparecerá para os outros a identidade de Cristo e sempre estará aberto para
a compreensão do próximo.Sua identidade manifesta da seguinte maneira: pelo
sentimento de Cristo na existência humana, pela fé amadurecida na piedade e na
experiência, encarnando o ato da visita ao doente como ação terapêutica de
saúde e salvação. Sendo testemunha dos valores espirituais, evangelizando e
confortando os enfermos, orando e pregando o Evangelho de Cristo com eles,
ajudando-os a descobrir o verdadeiro sentido da vida, sendo disponível e
paciente, sabendo escuta-los com discrição e humildade, sofrendo com os que
sofrem e alegrando-se com os que se alegram, compreendendo as reações de quem
padece, respeitando a religiosidade do enfermo sem lhe impor o próprio estilo
de fé, aceitando o ritimo do amadurecimento humano e espiritual de cada pessoa,
sabendo passar da discussão á experiência de Deus, aliviando a solidão de
alguns, a angústia de muitos e abrindo a esperança de todos, incutindo
confiança em Deus e dando paz e amor a todos
sobretudo aos mais fracos. E, no amor de Cristo, ser fiel a sua missão
(visitação aos enfermos).
2-A
PREPARAÇÃO DO CAPELÃO
O capelão necessita para desenvolver
sua missão, de formação específica e permanente. Formação não é o luxo que
alguns podem permitir-se, é uma condição indispensável para enfrentar hoje as
situações adversas e prestar uma assistência eficaz na direção da palavra de
Cristo.
Estamos
vivendo num mundo em que todos os setores da sociedade exigem pessoas
capacitadas. Desde os trabalhos profissionais mais simples até os mais
complicados, sem distinção.
No hospital, mesmo para fazer limpeza,
existe técnica e preparo. Hoje, o espaço é cada vez menor para as
improvisações. Por isso, o capelão da saúde precisa estar aberto e disposto
para este ensinamento. Como não se admite alguém que queira trabalhar como
conselheiro ou médico, simplesmente por ele ser muito religioso ou ter muita
fé, não é admissível que alguém que queira ser agente de pastoral se dê ao luxo
de ser incompetente.
É necessário que a capelania da saúde
seja assumida como uma ciência acompanhando outras ciências, os novos modelos
culturais, o progresso da técnica e o abandono de velhos esquemas de
interpretação mais adequados. Além de amor, carinho e compaixão para com o
doente, é preciso ter competência. É importante unir técnicas e práticas. Como
dizia Kurt Lewin: “Nada pode ser prático
como uma teoria.”
A finalidade dessa formação reside na
aquisição de um estilo específico de relação e acompanhamento pastoral aos
doentes, familiares e profissionais, instituindo tanto na dimensão espiritual
como nas habilidades humanas, seguindo assim a recomendação das igrejas
cristãs.
3-A
MISSÃO DO VERDADEIRO CAPELÃO
Jesus confiou a sua igreja a missão de
assistir e cuidar dos enfermos, perpetuando assim a mensagem de misericórdia.
Se a igreja não se ocupasse dos enfermos, não seria a igreja de Jesus, pois
faltaria uma de suas metas essenciais,
Todos os membros da igreja devem participar
de sua missão, na qual cada um realiza sua função de acordo com os dons do
Espírito Santo. O capelão tem uma missão especial e qualificada para atender ao
doente. Porém, deve sempre agir com co-responsabilidade junto a todos os demais
membros, para assim transparecer o verdadeiro sentido cristão ao enfermo em que
está servindo.
Essa
missão qualificada deve ser bem entendida, pois sempre que usamos a palavra
missão, surgem em nossa mente alguns conceitos:
Ø
Poder
para fazer algo;
Ø
Encargo;
Ø
Obrigação;
Ø
Compromisso.
Todos esses conceitos
implicam duas conotações:
Ø
Superioridade
(alguém capaz, superior, preparado, escolhido)
Ø
Inferioridade
(fazer somente o que lhe pedem).
No
entanto, participar efetivamente de uma missão implica, além de equilíbrio,
tomar iniciativas, exercer a criatividade, agir com flexibilidade, coerência e
autenticidade.
No trabalho missionário da capelania
da saúde, não é anormal o capelão sentir-se estranho, mesmo dentro da própria
equipe de capelania, nas atividades pastorais da igreja, casa e principalmente
junto ao leito do doente do hospital. Num mundo em que as maiores preocupações
estão voltadas para as necessidades materiais do homem, parece sobrar pouco ou
quase nenhum espaço para a evangelização. Mas é importante lembrar que “nem só
de pão viverá o homem”. Portanto o complemento do capelão se torna importante
na assistência adequada e completa ao doente.
4-A
ESPIRITUALIDADE DE CAPELÃO
Uma vez que Cristo, enviado por Deus
Pai, é fonte e origem de todo o apostolado da igreja, torna-se evidente que a
fecundidade do apostolado leigo depende de uma união vital com Cristo. “Quem
permanecer em mim e Eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podeis
fazer”. JO 15.5.
Essa vida íntima com Cristo na igreja
alimenta-se por meios espirituais, comuns a todos os cristãos, principalmente
na participação na igreja.”O que fizerdes por palavras ou por ação, fazei-o
sempre em nome do Senhor Jesus Cristo, dando a graças a Deus Pai por Ele.” CL
6.17.
O
capelão é chamado a aceitar e integrar suas próprias feridas, os
aspectos negativos da vida e transformá-las em fonte de saúde para os outros.
Isso ajudará na aproximação dos enfermos com um coração acolhedor, pleno de
compreensão, respeito e amor.
O serviço aos enfermos é um autêntico
encontro com o amor misericordioso. Não se pode realizar sem o sacrifício e sem
renúncia, pois num mundo marcado pela propaganda e por informações de toda
espécie, percorrida por discursos e apelos religiosos variados, dos mais
contraditórios onde existem tantos mestres, o evangelizador deve testemunhar a
espiritualidade própria, seguindo os exemplos do grande mestre Jesus Cristo.
Deve abandonar-se e entregar-se nas
mãos de Deus, doando-se sem esperar recompensas, superando as contradições,
sabendo compreender todas as situações, estando aberto e disponível a todos,
sacrificando-se e sendo sensível ás necessidades de cada um.
Os capelães da saúde expressam o amor
que o Senhor tem para como os mais necessitados. Com seu testemunho anunciam o
Deus da vida e se comprometem na construção de um mundo mais solidário.
“Estive enfermo e me visitaste” Mt
25.36. A presença de Deus junto aos enfermos, faz de nosso serviço aos doentes
um ato de culto. Isso, porque Deus não vai perguntar a quantos cultos você foi.
Não podemos ignorar a importância da participação nas celebrações, porém que
seja o resultado da manifestação de amor e solidariedade para com o outro. Por
isso, o elemento essencial de
espiritualidade que todo cristão deve assumir
é a oração. Pois a oração o levará aos poucos, a ver a realidade com um
olhar contemplativo, que lhe permitirá reconhecer Deus em cada instante e em
todas as coisas; contempla-lo em cada pessoa, procurar cumprir sua vontade nos
acontecimentos. Na avaliação do trabalho, o capelão da saúde não deve guiar-se
unicamente por critérios de eficácia e de êxito. Purificará constantemente suas
motivações e, nos momentos difíceis, em que se sente desanimado e impotente,
reforçará sua confiança no Senhor, o único que pode salvar. O capelão da saúde
terá Cristo Jesus como modelo de serviço, realizando-o com disponibilidade e
fidelidade.
II-A
ORGANIZAÇÃO DA CAPELANIA HOSPITALAR
1-A
COORDENADORIA ADMINISTRATIVA
Os serviços da capelania hospitalares
levaram a atualização de propostas à superintendência para a criação de canais
atualizados e ágeis de comunicação para assuntos administrativos e
operacionais. O hospital das clínicas, sob controle de líderes religiosos
(capelães, pastores, padres), exige entrosamento com a administração superior
da autarquia para assuntos administrativos e disciplinares, sem prejuízos de
liberdade para desenvolver atividades religiosas. Consta do artigo 632 do
regulamento desse hospital (Dec 9.720/77): “os assistentes religiosos
subordinam-se diretamente ao superintendente. Para agilizar as atividades da
capelania, a superintendência criou a Coordenadoria Administrativa da
Capelania, composta por dois padres e dois pastores,. É o serviço religioso
mais antigo do hospital”.
É importante deixar claro que não deve
existir nenhuma submissão por parte do
capelão titular, responsável pela coordenaria
do hospital, a capelães e visitantes religiosos. Ele é autoridade local
e cabe a ele a direção e coordenação dos trabalhos de capelania
hospitalar.
2-FINALIDADES
DA CAPELANIA
A capelania tem por finalidade
oferecer assistência espiritual e religiosa aos pacientes, familiares e
funcionários, por meio de ações religiosas específicas. Para atender a essa
necessidade, o serviço religioso possui uma sala, e as celebrações são
realizadas num anfiteatro.
3-ATRIBUIÇÕES
DA CAPELANIA
Ø
Manter
presença junto aos doentes, procurando oferecer toda solidariedade, conforto
humano e espiritual, respeitando a individualidade e as convicções religiosas
de cada um;
Ø
Ajudar
os pacientes para que a passagem pelo hospital sirva para uma revisão e/ou
descoberta e aprofundamento do sentido da vida;
Ø
Servir
de apoio aos familiares em situações críticas de sofrimento;
Ø
Garantir
a presença da religião junto aos profissionais da saúde ajudando-os a descobrir
o valor humano e espiritual do seu trabalho;
Ø
Desenvolver
uma ação de ajuda espiritual, fazendo que os profissionais de saúde,
independente de seu credo religioso, reconheçam os valores espirituais dos
pacientes;
Ø
Ser
um agente facilitador para criar um clima de amizade, fraternidade, compreensão
e colaboração entre os profissionais dos diversos setores;
Ø
Celebrar
cultos e missas junto com pacientes, familiares e profissionais da saúde;
Ø
Estar
presentes nos eventos festivos e celebrativos promovidos pelo hospital.
4-O
CAPELÃO NO HOSPITAL
A capelania hospitalar hoje, por ser
uma exigência da igreja, tornou-se integrantes das diversas capelanias
competentes. Porém, não devemos querer transportar para o hospital os mesmos
métodos empregados em nossas igrejas. Lá, enquanto as pessoas vão ali em busca
de Deus, no hospital, elas vão buscar de saúde.
O
hospital moderno é uma instituição complexa que desenvolve diversas funções:
Ø
assistência
aos enfermos;
Ø
Promoção
de saúde;
Ø
Prevenção
das enfermidades;
Ø
Investigação
de doenças
Ao mesmo tempo, se torna uma
instituição comunitária, pois conta com um número cada vez maior de
profissionais assegurando um serviço permanente todos os dias do ano, e dispõe
de instalações e aparatos de tecnologia sofisticados.
Portanto, aquele que se prontifica a
fazer esse trabalho, além de prestar um serviço de caráter voluntário, que em
geral começa como curiosidade, com o tempo passa a compreender seu apostolado,
dando sentido ás suas próprias vidas.
III-O
HOSPITAL
È um campo todo especial de
apostolado, no qual se entra em contato com os mais diferentes tipos de pessoas
em situações especiais, e onde se apresentam os casos mais complicados e
avançados de doenças que exigem intervenção e solução em regime de urgência.
Por isso, embora a capelania hospitalar
esteja intimamente ligada a capelania geral e dela dependa, no ambiente
hospitalar ela deve assumir uma autonomia própria e ter muito bom-senso.
O hospital é a instituição mais
tradicional destinada ao serviço da saúde e dos cuidados destinados ao outro. É
um vivo reflexo da sociedade, de seus conflitos e contradições. Ali se
concentram os mais diferente tipos de pessoas:
Ø
Doentes
Ø
Familiares
Ø
Profissionais
(médicos e enfermeiros)
É
um lugar de trabalho para os sãos e de esperança e saúde para os doentes. Ali
há uma realidade em que situações conflitantes e opostas se aproximam:
Ø
vida
– morte;
Ø
cuidado – descaso;
Ø
sorriso – lágrimas;
Ø
calma – tensão;
Ø
tristeza – alegria;
Ø
dor – alívio;
Ø
esperança – desespero;
Ø
culpa – perdão.
Estes opostos se tocam e por vezes, se
unem perigosamente e freqüentemente.
Tudo isso faz com que o hospital, que deveria ser um local de repouso e
descanso, acabe se tornando um local onde agitações, expectativas e angústias
se fazem presentes. Daí a razão de até o número de visitantes ser limitados,
mesmo por familiares.
Assim sendo, as pessoas que trabalham
como capelães hospitalares de saúde que necessitam conhecer em profundidade o
mundo hospitalar, podem encontrar alguma dificuldade para adaptação. Nesse
sentido, é importante lembrar que a primeira finalidade do paciente no hospital
não é atendimento espiritual ou de conversão e sim de recuperação da saúde.
Isso não significa que o hospital exclua quaisquer atividades religiosas ou
proíba que o doente tenha assistência religiosa. Inúmeros hospitais reconhecem
e dão importância a essa assistência, a própria Constituição Federal Brasileira
garante o direito do paciente de receber visita de seu representante religioso.
O que não garante é que o hospital deva ter um capelão interno constantemente.
É
assegurado, nos termos da lei a prestação de assistência religiosa nas
entidades civis, militares e de internação coletiva”. Art. 5º p.VII.
No
entanto, não fica clara a possibilidade de igrejas desenvolverem trabalhos
dentro de hospitais, mas somente atendimento a quem solicita. O Diário Oficial
do Estado de São Paulo, de 13 de Abril de 2000 reza o seguinte em seu Art.3º.
“ Cabe a
cada dirigente das Unidades de Saúde de internação coletiva de natureza
autárquica e/ou privada sob sua responsabilidade, realizar o cadastramento das
denominações religiosas e o credenciamento de seus representantes (capelães),
bem como estabelecer as normas internas relativas ao acesso e permanência dos
representantes credenciados das denominações religiosas cadastradas, em
consonância com suas pessoalidades”.
Um hospital de uma congregação
religiosa por exemplo, pode tranqüilamente admitir somente o serviço religioso
da sua denominação. Nesse caso, as visitas de outras denominações religiosas,
somente serão permitidas em caso de solicitação de algum paciente, pois os
hospitais em geral, não aceitam um serviço religioso que não esteja de acordo
com a realidade ou regimento interno. Não admitem os chamados proselitismos
religiosos, ou seja, tentar convencer o doente de que a única religião certa é
aquela em que eu acredito e sirvo. Não aceitam propagandas de credos e muitas
menos manifestações religiosas que perturbem a tranqüilidade do ambiente e
desrespeitem outras crenças.
Além
dos aspectos referentes aos diversos credos, o capelão precisa atentar para
alguns detalhes muito comuns que interferem no trabalho juntos aos doentes,
tais como: trazer alimentos ao paciente
e assentar-se na cama do doente ou outra cama que esteja desocupada.
Esses,
dentre outros procedimentos devem ser evitados. Caso você queira fazer algo
assim é bom antes entrar em contato com a equipe de enfermagem. É importante
lembrar que nós ficamos pouco tempo com o paciente, e por isso, é difícil saber
sua real situação e do que ela está precisando.
1-O
CAPELÃO
Primeiramente, é importante ressaltar
que a atividade de um capelão no hospital em geral, é totalmente diferente da
equipe médica. O primeiro passo é abrir espaço para o trabalho e a inserção da
equipe de saúde, pois o capelão procura cuidar dos casos mais urgentes e atuar
como um “supervisor espiritual”, e proporcionando momentos formativos para com
quem ele trabalha ou pretende trabalhar.
Deve ser presença visível nas unidades
de internação e setor administrativo e ter sempre disponibilidade para o
atendimento, não só dos pacientes, mas também dos familiares e dos
profissionais.
Portanto, o capelão deve atuar como um
verdadeiro facilitador, ou seja, facilitar o relacionamento do doente com seu
próprio mundo, com Deus, com seus familiares, com os profissionais da saúde e,
por fim, com sua convicção religiosa.
2-OS
DIFERENTES PAPÉIS DO CAPELÃO NO HOSPITAL
Um primeiro papel representado pelo
capelão é o “simbólico”, ou seja, nossa identidade como capelão despertará nos
doentes dois tipos de emoções:
Ø
positiva
Ø
negativa
Observação:
Tudo isso depende das experiências do doente vividas no dia-a-dia hospitalar.
Positiva: Caso o doente já tenha
vivido experiências boas de igrejas, é lógico que a a presença do capelão
despertará nele emoções positivas, tais como:
1-Que
bom que você veio;
2-Você
me faz lembrar de Deus;
3-Sinto
que Deus está ao meu lado;
4-Tenho
muita fé, etc.
Negativa: Caso o doente seja acético,
materialista adepto de seitas místicas, mentais ou de sociedades que não tenha
a bíblia, ou nenhum tipo de deus, ou ainda, que tenha se decepcionado com
alguma igreja cristã. A presença do capelão despertará nele emoções negativas
tais como:
1-Olha,
se Deus existe, estou com muita raiva Dele e de igreja;
2-Acho
que é melhor não perder seu tempo comigo;
3-Eu
até acredito em Deus, mas não acredito nem participo de igreja;
4-Deus
deve estar ocupado com o universo e se esqueceu da terra.
Conversando com a pessoa, pode-se descobrir
quais são as emoções presentes neste contexto. Caso a reação seja positiva, a
tarefa do capelão será facilitada. Porém, se as emoções forem negativas, o que
deve fazer? Dizer até amanhã, virar as costas e sair? Ignorar suas emoções ou
ficar na defensiva e omisso?
Nenhuma coisa nem outra, a melhor
coisa é dar ouvido as suas queixas. Só depois tentar colocar algo novo. Por
exemplo, fazendo-o entender que talvez tenha tido uma experiência ruim, porém
isso não significa que com todos sejam assim. Não é porque alguém construiu um
prédio torto, que todos os engenheiros não prestam. Não é porque você teve uma
experiência ruim de igreja no passado que todos os outros membros são ruins.
Nossa presença poderá fazer o doente mudar sua maneira de pensar. Portanto, ao
defrontar com situações semelhante, você não deve se aborrecer. Não é você o
culpado por tais relações.
O segundo papel representado pelo
capelão é de “confrontar”. Neste papel
três habilidades são muito importantes:
1-Habilidade
de escutar:
Escutar
não somente o que o doente fala, mas também o que ele não diz, com palavras,
ouvir os medos, as angústias, dores, sofrimentos, esperança, desapontamentos e
também as alegrias. Isso porque, ser ouvido por alguém é sentir-se importante.
Ninguém ouve de fato aquilo que não interessa.
2-Habilidade
de tornar-se irmão do doente:
Relacionar-se
com as pessoas na situação em que elas se encontram sem se preocupar em fixar
as necessidades delas. Por isso, muitas vezes não devemos fixar as necessidades
religiosas. Talvez seja oportuno partilhar primeiramente as necessidades
humanas do doente.
3-Habilidade
de ser orientador espiritual:
O
capelão deverá ter habilidades para perceber como a pessoa está encarando a
própria doença. Como seu modo de relacionar-se
com a doença de certa maneira, refletirá sua maneira de relacionar-se
com Deus.
O terceiro papel é ser “observador”. O
capelão deve observar as reações do doente para com Deus, de acordo com a
doença. A visão que ele tem de Deus poderá ser passageira. Por isso, como
orientador espiritual, o capelão não deverá se comportar como um “advogado” de
Deus e não deverá se preocupar em dar apenas soluções ou orientações
espirituais para o doente.
O quarto papel é o de facilitador.
Nos dias atuais, talvez, este seja o papel mais importante a ser desenvolvido
pelo capelão. Nos hospitais encontramos pessoas nos momentos difíceis da vida.
Costuma-se dizer que no hospital temos de cuidar exatamente aquilo que não deu
certo na vida:
a-acidentes
que aconteceram durante os passeios;
b-Exageros
na bebida que acabaram provocando acidentes;
c-Atacado
por alguém ou por algum animal;
d-Doenças
que tiram as pessoas do trabalho;
e-Queda
grave;
f-Machucou-se
praticando esporte;
g-Tentou
suicídio;
h-Acidentou-se
(no trabalho, em casa, na rua, em viagem,
etc.);
i-Envenenado;
j-Queimaduras.
3-NORMAS
DO CAPELÃO NO HOSPITAL
Antes de entrarmos neste assunto, é
bom lembrar que: o doente não está no hospital porque quer. Por mais pessimista
que se manifeste, este nutre uma esperança de receber alta e voltar logo para
casa.
Apresentamos
aqui algumas possibilidades referentes aos diversos tipos de pessoas que o
capelão se deparará:
Ø
Pode
ter adoecido de uma hora para a outra e é recém-chegado ali;
Ø
Está
para fazer ou se recuperando de uma cirurgia;
Ø
Sob
observação médica;
Ø
Estar
em estado terminal ;
Ø
Desenganado
pela medicina;
Ø
Ser
o acompanhante de algum doente;
Ø
Com
doença incurável, mas sob controle;
Ø
Momentaneamente
no hospital, porque tem que fazer exames ou outros procedimentos
periodicamente.
Como afirmamos
anteriormente, embora seja um trabalho voluntário, o capelão deve possuir uma
filosofia de ação. Por isso, antes de iniciar qualquer atividade pastoral é
preciso ter claros os objetivos que requer atingir. A partir desses objetivos,
elaborar normas que devem ser observadas. As normas devem ser elaboradas de
acordo com as diferentes realidades de cada hospital. Aqui apresentamos um
modelo usado no hospital das clínicas.
Ao
visitar o doente:
Ø
Permaneça
no apartamento, quarto ou enfermaria e não nos corredores;
Ø
Converse
em voz baixa, assuntos agradáveis e de interesse do doente;
Ø
Procure
não agir como visitador repórter, que só faz perguntas para matar a sua
curiosidade pessoal. Levar notícias alegres e agradáveis ao doente;
Ø
Seja
um bom ouvinte, portador de vida e esperança ao doente, ouça atentamente o que
ele tem a dizer, e não fique somente falando. Aliás, fale menos e ouça mais.
Ø
Respeite
o silêncio que deve haver dentro do hospital, porque o hospital e a igreja têm
muita semelhança. No hospital, Cristo se faz presente na pessoa do capelão
(visitante).
Ø
Não
sente na cama do doente. Utilize cadeiras ou sofás.
Ø
O
fumo é causador de doenças. Não fume dentro do hospital e não leve cigarro para
o paciente.
Ø
Não
leve criança para visitar doente. Preserve a saúde delas e a tranqüilidade do
enfermo.
Ø
Não
sirva alimentos ao doente sem permissão da enfermagem. Para crianças da
pediatria não se deve levar guloseimas.
Ø
Respeite
os profissionais que trabalham no hospital.
Ø
O
visitador deve retira-se do quarto caso coincida com a visita do médico da
enfermagem.
Ø
Ao
visitar o doente, não demonstre medo ou repugnância pela enfermidade.
Ø
Evite
relatos de casos ou doenças semelhantes.
Ø
Saiba
escutar, estender-lhe a mão e sorria para ele.
Ø
Tenha
caridade em demonstrar o amor que tem por ele. Evite mentiras, diálogos sobre e
a fé e a esperança.
Ø
Tenha
empatia com o doente. Coloque-se em seu lugar para entende-lo.
Ø
Guarde
sigilo do que o doente lhe confiar.
Ø
Ore
com ele, por ele e pela sua família.
Ø
Não
interfira no tratamento indicado. Não dê qualquer medicamento ou suspenda os
receitados pelo médico.
Ø
Tenha
a sensibilidade de perceber quando o doente está cansado e necessitado de
repouso.
Ø
Procure
conhecer a família do doente.
Ø
Mostre
que a igreja está interessada em sua saúde.
Ø
Descubra
os valores do doente, seus interesses, suas aspirações.
Ø
Mostre
bondade e mansidão com doentes e sua família.
Ø
Em
tudo tenha discrição e bom-senso. Transmita alegria e confiança, seja breve sem
ser afobado ou apressado. Lembre-se por estar fazendo um serviço aprovado por
Deus, é sinal de que ele está no controle de tudo.
Ø
Não
faça gritaria, festa ou barulho junto ao doente, mantenha um ambiente de paz,
harmonia e silêncio.
Ø
Respeite
a dor do paciente e não a negue.
Ø
Evite
frases como:
“ É da vontade de Deus”
“ Deus quer assim”
“ Aceite esta enfermidade”
“ Você deve é estar pagando algum
pecado”.
Ø
Melhor
mesmo é deixar o doente falar, pois provavelmente, ele passa a maior parte do
tempo sozinho.
Ø
Converse
com o enfermo somente sobre temas agradáveis.
Ø
Não
fale sobre doenças
Ø
Use
um tom de voz moderado.
Ø
Abstenha-se
de beijar o doente, bem como utilizar copos ou xícaras de seu uso. Você poderá
estar levando outros germes perigosos até ele.
4-
O QUE NÃO DE DEVE DIZER AO DOENTE
Ø
Não
fale do aspecto exterior do doente, que piorou desde a última vez ou que ele
está com aparência péssima ou de defunto. Lembre-se: o enfermo é susceptível a
tudo e comentários assim só pioram sua situação.
Ø
Não
faça perguntas incômodas, principalmente sobre os sintomas da doença.
Ø
Não
dê conselhos médicos nem dê uma de psicólogo. Às vezes dizer “tenha paciência”
é o mesmo que dizer “seja masoquista”
Ø
Não
conte suas experiências com enfermidades.
Ø
Não
leve comida ou doces para o doente. (A maioria dos hospitais indica o que se
pode levar ou deixam levar frutas).
Ø
Não
diga ao enfermo que não se importa com sua ausência no trabalho ou na igreja.
Ø
Não
diga ao enfermo que seu substituto da empresa é ótimo funcionário.
O capelão hospitalar seve em o nome de
Cristo Jesus, o Salvador, e coloca-se á disposição dos enfermos para
conforta-los na fé e atende-los em suas necessidades não o contrário.
IV-PSICOLOGIA DO ENFERMO
COMO O PACIENTE DEVE SE COMPORTAR
DIANTE DAS SUAS DOENÇAS ?
1-O DOENTE E SUAS CRISES
Todo doente é um ser
único, especial, com reações próprias, conforme sua formação e personalidade.
Ao vermos uma pessoa que sofre de um mal físico, costumamos nos deter apenas no
corpo, esquecendo-nos de que o doente deve ser visto como um todo, no sentido
psicológico e espiritual. Às vezes, o interior está mais machucado do que o
corpo.
O doente não é uma
maquina a ser consertada, mas uma pessoa que foi atingida por doença. A pesar de continuar a amar, a odiar e a
pensar, não está a mesma de sempre. O ritimo de vida é violentamente cortado e
passa a ter as atenções voltadas para si, buscando todas as formas de
reequilibrar sua saúde e vida normal.
De um lado, o corpo
doente, com suas fraquezas e limitações, percebe sua fragilidade; de outro, seu
espírito está com toda vitalidade, mas é incapaz de fazer algo por si. Essas
duas forças incompatíveis o atormentam, gerando crises de comunicação consigo
mesmo, com o espaço e o mundo, com a família, com os amigos e até mesmo com
Deus.
2-CRISE CONSIGO MESMO
Com saúde, a pessoa é
um todo inabalável, que reage e supera obstáculos. Quando doente, o corpo passa
a ser um empecilho para se viver à vida em liberdade. O diálogo entre o corpo e
espírito se rompe e fica difícil de reatar, pois as forças opostas que
agem (espírito são / corpo doente), fazem com que o doente, muitas vezes, não
entenda a si mesmo e não saiba como reagir na doença.
Para o doente, o
mundo se fecha repentinamente e ele vê sua integridade ameaçada. Para tentar
manter ou recuperar seu equilíbrio, lança mão racional ou instintiva de
mecanismos de defesa ou ajustamento. Ex: sublimação, alienação, fuga,
literaturas espirituais, etc.
No lugar de uma vida
cheia de ocupações com a família, os amigos, o trabalho, sem limites de
horizontes, o doente se vê agora fechado em um quarto, sem saber por quanto tempo
e se sairá dele vivo.
Quando o doente não
tem reservas espirituais ou alguém que o ajude, ou quando seus mecanismos de
autodefesa falham, dificilmente sairá sem marcas dessa crise que poderá
afeta-lo profundamente pelo resto de sua vida, de acordo com a gravidade do
tratamento.
Torna-se um mero
espectador de tudo o que se desenrola e não mais ator. Não tem condições de
realizar nada sem ajuda de outros, ás vezes nem mesmo suas necessidades
íntimas. Olha tudo de longe e não tem certeza se voltará às suas ocupações
normais.
3–CRISE COM OS AMIGOS
O relacionamento com
os amigos sofre uma quebra, pois poucos são os que continuam juntos na hora da
doença. Mesmo assim, aqueles com quem costumava conversar de forma alegre e
descontraída, mudam para uma fala pausada, medida, tensa e preocupada. Isso às
vezes, pode deixar o doente ainda mais triste e desanimado.
Muitas vezes não
conseguimos passar ao doente o otimismo que pretendemos, não conseguimos fazer
com que ele se sinta o mesmo de antes. Em casos de internamento, podem surgir
novas amizades, mas estas nem sempre satisfazem. Pois são marcadas pelo
sofrimento.
4–CRISE COM A FAMÍLIA
Não são poucas as vezes em que ocorrem
problemas de ordem familiar quando há uma pessoa adoentada. Se for jovem ou
adolescente, geralmente “senhor” de si mesmo, vai sentir-se mal, recebendo
tantas atenções. Sente-se como que fosse um peso.
Sendo adulto, chefe
de família, rompe-se a normalidade do lar. Não há quem mande, quem pague as
contas, acerte compromissos assumido ou faça as outras coisas que deveriam ser
feitas por adultos e estão paradas.
Sente-se humilhado,
pois precisa receber cuidados de pessoas que estão deixando seus afazeres para
atende-lo.
5-CRISE COM DEUS
É fácil crermos em
Deus quando gozamos de boa saúde; difícil é mostrar fé quando estamos doentes.
Nos momentos de provação o doente se pergunta o porquê daquilo acontecer com
ele. Acha que Deus o abandonou e que não está presente. Não consegue ver que
Deus está, de certa forma, em todas os que cuidam dele e que vivem o seu
sofrimento. Na Bíblia, a história do patriarca Jó reflete bem essa situação.
Ele se entristece, é acusado por amigos,
perde todas as suas posses e 10 filhos, se questiona, mas
não abre a boca contra Deus. A crise com Deus costuma ser a reação inicial de
todos os doentes. Até que consigam voltar ao equilíbrio, esta crise será tanto
mais grave, quanto mais grave for a doença e, portanto, podendo acarretar maior
afastamento de Deus.
6–PACIENTES EM FASE FINAL DE VIDA
Como você reagiria se
um medico chegasse para você e lhe disse-se:
Aquelas dores que você está sentindo
de uns tempos para cá, infelizmente são graves. Nós vamos fazer exames, tentar
todos os tipos de tratamento, mas nada posso garantir.
Você levaria um
choque, com certeza, principalmente sendo jovem, uma jovem mãe de família, uma
homem no auge de sua vida e de sua carreira profissional, um jovem que aspira
um diploma de curso superior e está prestes a consegui-lo.
Vejamos as fases
pelas quais passa um doente, desde que sabe que tem um mal incurável até o
desligamento final que precede à morte. Estas fases podem seguir está ordem ou
não. Não há regras.
As fases que o doente, em fase final
de vida atravessa, são mais ou menos estas:
a) Repulsa – Negação :
É uma autodefesa instintiva da pessoa
repelir e negar a doença. Com isso suspende-se o impacto brutal e a pessoa vai
se adaptando, se conformando ao fato tão cruel. Devagar, também, o doente vai
conseguir a coragem, a força, e o
ânimo que precisa para aceitar a realidade.
b)
Cólera
O aborrecimento e a raiva explodem às
vezes com blasfêmias, que devem ser vistas mais como perturbação interior do
que real revolta contra Deus. É comum a reclamação: Porque eu, que tenho
família para cuidar, filhos para criar e não aquele velhinho que está doente a
tanto tempo? Se a doença é mortal e altamente infecciosa, dizem:. Vou levar
muitos comigo também!
c)
Depressão
Quando a cólera e a repulsa se
esgotam, vem a depressão. A pessoa toma consciência mesmo da doença e vê que não há como manter à morte a distância.
Quando o paciente
enfrenta sérios problemas pessoais e com a família, fala compulsivamente e com
preocupação. Se, no entanto, sente sua personalidade se desmoronando, fecha-se
em si mesmo em longos períodos de silêncio, mergulhando em pensamentos
tenebrosos e tristeza profunda. Dizer-lhe que não fique triste é prejudicial,
pois todos ficamos tristes quando perdemos um amigo. Imaginem, então, um doente
que está prestes a perder todas as coisas e as pessoas que ama. Se ele expressa
sua dor, fica mais fácil aceitar a situação. Devemos manifestar solidariedade
de diversas formas como carinho, atenção, compreensão ou simplesmente silêncio.
7-O CAPELÃO E O
PACIENTE TERMINAL
Um
dos problemas mais comuns encontrados na prestação de ajuda a quem está perto
da morte é que parentes e amigos não sabem por onde começar. Dificuldades
semelhantes encontra também o capelão hospitalar, pois a assistência aos
moribundos é uma arte que se aprende mediante uma longa preparação que visa
tanto um modo de ser quanto à aquisição de capacidades bem determinadas.
O
capelão procurará, portanto, criar um clima de confiança por meio de contatos
contínuos com os doentes, sobretudo num ambiente não muito religioso. Franzoni
afirma que: “O caminho proposto no acompanhamento do moribundo pode se
resumidamente descrever da seguinte maneira:
O
sofrimento sem amor é desespero, mas se estiver unido a uma experiência de
amor, adquire em si mesmo e ajuda a abrir-se aos outros e, portanto, ao
outro Cristo-Amor de oblação, em que se
deve fundamentar a própria esperança autêntica.
Dentro dessa
perspectiva, a condição preliminar para ajudar o paciente é a compreensão de
seu mundo e o testemunho do capelão, a escura atenta da canção doce e tristes
que ele entoa. Essa escuta não se limita à compreensão de suas palavras. Os
gestos exprimem de modo mais profundo.”
É
fundamental também que o capelão entenda sua condição de mortal. Ninguém pode
pretender ser um verdadeiro mensageiro de valores de vida, um verdadeiro
companheiro de um moribundo, se não é capaz de enfrentar sua própria condição
de mortal, tendo em si, a verdadeira palavra de Cristo para transmitir e
confortar o paciente.
8-COMO AJUDAR UM
PACIENTE EM FASE TERMINAL
O
primeiro ponto a ser destacado no acompanhamento ao paciente terminal é, sem
dúvida a solidariedade da presença, pois aquele que está para morrer sente a
necessidade da proximidade tranqüilizante de alguém. O que mais importa na
assistência ao moribundo é provavelmente uma presença percebida como amiga,
fraterna e compreensível, de apoio e disponibilidade, acompanhada pela aptidão
de ouvir, atender, interpretar corretamente o que o doente pode eventualmente
desejar exprimir, direta ou simbolicamente. É importante saber se o paciente
quer ou não ser ajudado. Saber também se não existem outras pessoas que estejam
ajudando ou propensas a ajudar. Talvez o doente, por uma questão de empatia ou
simpatia, tenha mais afinidade com determinadas pessoas.
O
capelão deverá obter algumas informações sobre o doente e sua situação clínica,
não para trata-lo de maneira diferente e sim para trata-lo com maior
naturalidade e sem excesso de compaixão. Por meio de diálogo com a família do
doente deve se procurar saber o que ele gostaria de fazer. Escutar é sempre
importante. Esse é um presente valioso nessas horas e que sempre se pode
oferecer, porém, saiba que é importante dosar o tempo de escuta. Não é oportuno
visitar um dia e depois passar muito tempo ou mesmo não retornar mais. Talvez
seja oportuno fazer visitas mais curtas e mais freqüentes. O bom-senso e o grau
de amizade com o enfermo marcarão os tipos de conversa e o tempo adequado para
cada uma.
9-TERMOS TÉCNICOS
Moribundo
ou paciente terminal deve ser entendido como a expressão anglo-saxônica
“terminal” que indica uma situação de morte não tão próxima quanto o
vocabulário português dá a entender. Na realidade, o paciente terminal deve seR
entendido como enfermo acometido de uma doença crônica, cujo prognóstico é ruim
com lento declínio progressivo das funções fisiológicas normais. Mas as
estatísticas confirmam que certa
porcentagem de doentes considerados terminais ou desenganados pelos médicos
conseguem se recuperar totalmente e retornar ás suas atividades normais e nunca
mais têm seqüelas e morre muitos anos depois por outro motivo qualquer.
V- A MORTE E O MORRER
Nenhum
subterfúgio pode evitar a dureza de um caso sério e a morte é um caso sério.
Apesar disso, os vivos registram radical aspiração para viver e radical aversão
á morte. Há uma música que traduz isso corretamente: “Ninguém quer a morte, só
saúde e sorte”.
A
ciência, que procura a todo custo prolongar a vida, muitas vezes prolonga é o processo do morrer, ou seja, prolonga o
sofrimento da pessoa. Acrescenta-se a isso que a vida, muitas vezes, agride a
própria vida para sobreviver. Sem contar as aplicações de remédios e produtos
químicos. Enquanto houver esperança...
No
mundo moderno são acentuados os valores do êxito, da produtividade e da vida.
Isso faz que esqueçamos quase completamente de pensar na morte e naquele que está
morrendo. Parece que a morte é colocada fora da vida social. Semelhante ao que
acontecia em relação ao sexo, que era considerado tabu antes de Freud ,
acontece com a morte nos dias atuais. Apesar de a idéia da morte estar presente
em todos, ela é assunto proibido em quase todos os ambientes .
Um dos motivos do afastamento da
morte é, sem dúvida, a mudança do local em que ela se dá, hoje 70% das pessoas
morrem nos hospitais. Isso fez que ela não fosse mais um evento da existência
familiar e cotidiana, relegando-a para ambientes externos nos quais se cuida da
saúde. Para a medicina a morte é considerada como uma falência das terapias
usadas e um resultado completamente negativo. A exclusão da família, dos
amigos, e com freqüência do sacerdote (pastor, padre ou capelão) acentua a
solidão.
Por
isso, tanto para o cristão, como para o judeu ou ateu, testemunha de Jeová,
espírita, seguidor de candomblé, ou mesmo para aqueles que têm outras
filosofias de vida, a morte é sempre difícil. Seria um equívoco afirmar que o
cristão encara a morte tranqüilamente. Ela é uma realidade, e nós temos
dificuldades para lidar com o desconhecido.
A
morte é o mais terrível caminho de separação. É um perder os próprios objetos
de amor e romper as ligações afetivas mais importantes. Os apegos aos objetos
de amor sobre os quais se apóia a própria identidade são:
a-A família;
b-O trabalho;
c-A relações
afetivas;
d-Os projetos;
e-A casa;
f-Os hábitos;
g-Os pontos de
referências;
h-O próprio corpo;
i-A imagem de si;
j-Autonomia;
l-As raízes;
m-Os estudos;
n-Dinheiros a
receber;
o-O passado;
p-A vida.
1-COMO ENCARAR O LUTO
É
importante lembrar que o deslocamento do lugar da morte (da casa, do hospital)
provocou um distanciamento da morte, sem contar que a tecnologia moderna nos dá
“esperança” de livrar-nos de morrer. Esquecemos que, biologicamente, se por um
lado a morte destrói a vida, por outro a favorece. Se ela não existisse,
teríamos de estancar os nascimentos, e o gosto pelo viver acabaria trazendo um
desgosto por não poder morrer.
A morte é também
geradora de vida eterna para os que acreditam numa vida do além. Alguns a
chamam de “passagem” outros dizem “ir dessa para melhor”, outros dizem que “foi
uma pessoa boa e que vai reencarnar numa vida melhor” e há quem acredita até
que vai para outro planeta. A cura que a tecnologia tem prometido é limitada no
tempo, apenas paliativa e age na tentativa apenas de adiar a morte. De qualquer
forma, a curiosidade será plenamente satisfeita e cremos que, quando morrermos
começará a vida prometida por Cristo, que é eterna: “Esta é a vontade do meu
pai que todo homem que nEle acredita tenha vida eterna, e eu o ressuscitarei no
último dia”. JO 6.40.
2-O QUE DIZER E FAZER
NO VELÓRIO
Um
dos primeiros passos é enfrentar o choque que a morte provoca. Por mais que os
familiares esperem, a morte acaba sempre trazendo um choque violento. Portanto
respeite reações sentimentais tais como:
a-Choro;
b-Grito;
c-Angústia;
d-Revolta.
Essas reações são
dirigidas aos profissionais, instituição e até mesmo contra Deus. Nesse
momento, antes de qualquer julgamento, o mais importante é ser presença
acolhedora. Não diga nada, só ouça.
O
segundo passo é reconhecer que não conseguiremos, num primeiro momento,
preencher o vazio que provoca a perda. O que podemos fazer é colocar-se á
disposição das pessoas e tentar visualizar quais são as necessidades mais
urgentes do momento. Quando a situação estiver aparentemente sob controle, o
capelão poderá deixa-los sozinhos, pois é muito importante estar no velório ou
mesmo fazer uma visita, assim que puder. Porém, tenha certeza de que o mais
importante você já fez, que é levar a palavra de Deus para confortar os
familiares.
Estava nu, e me vestiste; estive enfermo, e me visitaste; preso e
fostes ver-me” MT 25.36.
CAPELANIA SOCIAL
CAPELANIA
SOCIAL
INTRODUÇÃO
A
capelania social, no singular, é a solicitude de toda a igreja para com as
questões sociais. Trata-se de uma sensibilidade que deve estar presente em cada
igreja e em cada dimensão. Setor e
pastoral, enfim, devem estar presentes nas comunidades eclesiais de base e nos
movimentos. Em outras palavras, deve ser
preocupação inerente a toda ação evangelizadora. Pastorais sociais, no plural,
são serviços específicos, a categoria de pessoas e/ou situações também
específicas da realidade social. Constituem ações voltadas concretamente para
os diferentes grupos ou diferentes facetas da exclusão social, como, por
exemplo, a realidade do campo, da rua, do mundo, do trabalho, da mobilidade
humana e assim por diante. O setor capelania social por sua vez, integrado na
dimensão sócio transformadora, tem duplo caráter:
a-Representa uma
referência para toda a ação social da igreja em termos de assessoria,
elaboração de subsídios e reflexão teórica.
b-É um espaço de
articulação das capelanias sociais e organismos que desenvolvem ações
específicas no campo sócio político.
Dentro
da dimensão sócio-transformadora, é função da capelania social procurar
respostas para esse tipo de situação. Isto significa que as respostas não estão
prontas, não há receitas acabadas. Em cada momento e em cada local, é preciso
iniciar um processo em que o maior número de pessoas se envolvam na busca de
soluções concretas. A partir da conscientização da organização e da
mobilização, abrem-se caminhos alternativos. O importante é chamar a atenção da
igreja e da sociedade para esse quadro de injustiça cada vez mais grave. O
importante também, como veremos adiante é envolver o maior número de atores
sociais e de parceiros na luta pela transformação social.
A
capelania social tem como finalidade concretizar, em ações sociais e
específicas, a solicitude da igreja diante de situações reais de
marginalização. Mais adiante apresentaremos algumas indicações práticas de como
organizar a ação social na igreja. No momento, queremos alertar para a tarefa
de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos, com
vistas a dedicar-lhes uma solicitude pastoral e específica.
Os
textos bíblicos destacam em usas páginas alguns rostos que têm a predileção do
amor de Deus. No antigo testamento sobressaem “o órfão, a viúva e o
estrangeiro”. No livro de êxodo, Deus “vê, ouve e sente” o clamor dos oprimidos, escravizados no Egito
(EX 3.7-10). Os profetas não se cansam de chamar a atenção sobre o direito e a
justiça para com os pobres. Nos evangelhos, novos rostos desfilam diante de
nós.
Freqüentes
vezes Jesus enumerou listas em que descreve aqueles que se encontram mais
pertos do carinho do Pai. Ex.: o texto do juízo final em MT 25.31, as
bem-aventuranças em MT 5.1-12, o programa de Jesus, em LC 4.16-20, e o episódio
do bom samaritano em LC 10.25-35. Também vemos que, os doentes, as mulheres
marginalizadas, os pequeninos e fracos, as crianças, uma multidão de gente
ferida disputa espaço aos pés do Mestre.
Os
atos dos apóstolos, as cartas de Paulo e o apocalipse, revelam igualmente a
atenção das primeiras comunidades para com os pobres. Desde cedo, os cristãos
se organizam para suprir as necessidades básicas de seus irmãos. A capelania
social é voltada para a condição sócio-econômica da população. Hoje, como
ontem, ela se preocupa com as questões relacionadas á saúde, á habilitação, ao
trabalho, á educação, enfim, ás condições reais da existência e da qualidade de
vida. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.JO 8.10.
Retomando os exemplos acima, ela expressa a compaixão de Jesus e o amor da mãe,
traduzindo-os numa ação social de promoção humana junto aos setores mais pobres
da sociedade.
A
sensibilidade se traduz num coração aberto e a todo tipo de sofrimento, seja a
cruz individual de cada pessoa humana, seja a cruz coletiva de grupos, setores
e categorias inteiras condenadas á exclusão social. Um coração que se contrai e
se distende diante de alegrias e tristezas que o circundam, o toque amigo, uma
palavra, uma visita e até um olhar representam os frutos da sensibilidade.
A
solidariedade concretiza-se na mão estendida ás situações de emergência, de
carência de extrema pobreza, de fome. Não basta ser sensível, é preciso
descruzar os braços, arregaçar as mangas e passar á ação. Um gesto, um mutirão,
uma campanha constituem expressões vivas de solidariedade. A solidariedade se
expressa, também, no apoio ás lutas e movimentos sociais por melhores condições
de vida e trabalho.
1-QUAL O OBJETIVO
GERAL DA CAPELANIA SOCIAL?
A
capelania social integra, junto com outros setores a dimensão
sócio-transformadora da ação evangelizadora da igreja no Brasil. A partir da
expressão acima, entende-se que o objetivo geral dessa dimensão seja
contribuir, á luz da palavra de Deus e das diretrizes gerais sociais, para a
transformação dos corações e das estruturas da sociedade em que vivemos, em
vista da construção de uma nova sociedade mais digna. A pastoral social de cada
igreja, por sua vez, tem como objetivo desenvolver atividades concretas que
viabilizem essa transformação em situações específicas, tais como o mundo do
trabalho, a realidade das ruas, o campo da mobilidade humana, os presídios, as
situações de marginalização da mulher, dos trabalhadores rurais, dos pescadores
e assim por diante. Nesse sentido, a capelania social procura integrar em suas
atividades a fé e o compromisso social, a oração e a ação, a religião e a
prática do dia-a-dia, a ética e a política.
Aqui
é preciso superar as dicotomias entre os que só oram e os que só lutam, os que
louvam e celebram e os que fazem política. Na verdade, a verdadeira fé
desdobra-se naturalmente em compromisso diante dos pobres. A ação social é
condição indispensável da vivência cristã. O compromisso sócio-político não é
um apêndice da fé. Ao contrário, faz parte inerente de suas exigências. A fé
cristã tem necessariamente uma dimensão social. Não é isso o que nos ensina o
episódio do bom samaritano? Ou seja, entrar ou não entrar na vida eterna é uma
alternativa que está condicionada á atitude frente ao irmão caído e ferido na
beira da estrada. Tal condição se torna ainda mais clara no texto do juízo
final (AP 20).
Em
correspondência com as quatro exigências evangélicas da ação da igreja no
Brasil quatro palavras chaves poderiam resumir o objetivo da capelania social.
Trata-se de proclamar a boa nova do evangelho entre os mais pobres, através de
uma presença de um alerta, de uma ação social e de uma articulação-parceria.
1-Uma presença
(testemunho) junto aos setores mais marginalizados da população, aos porões da
sociedade, aos “enfermos” do sofrimento humano;
2-Um alerta (denúncia
e anúncio) á igreja e á sociedade civil sobre a existência desses submundos,
alerta que é uma espécie de antena permanentemente sintonizada com o clamor dos
oprimidos;
3-Uma ação social
(serviço) que multiplica atividades de conscientização, organização e
transformação, as quais levam á conversão pessoal, por um lado, e mudanças concretas de ordem social, econômica
e política, por outro;
4-Uma articulação
parceria (diálogo) com as demais igrejas cristãs e não cristãs, e com as forças
vivas que contribuem para transformar a sociedade em que vivemos.
II- COMO SE ESTRUTURA
A CAPELANIA SOCIAL ?
Esta pergunta nos
leva á estrutura de toda a ação evangelizadora da igreja no Brasil. Segundo o
organograma as dimensões são divididas em três:
-Primeira dimensão:
comunitária e participativa;
-Segunda dimensão: missionária;
-Terceira dimensão:
Bíblico-evangelizadora.
As exigências
relacionadas a capelania social são as seguintes:
1-Anúncios;
2-Testemunho;
3-Diálogo;
4-Serviço.
Evidente que toda
evangelização deve ser perpassada por todas as dimensões e exigências. A
dimensão ou exigência representa a porta de entrada para os setores
específicos, o enfoque a partir do qual desenvolve sua ação concreta. Mas tanto
as dimensões como a exigência se interpenetram completamente e se enriquece
reciprocamente.
O
setor capelania social integra a dimensão sócio-transformadora, a chamada linha
seis, e tem no serviço, sua exigência predominante. Claro que esta dimensão e
exigência se interligam entre si, ao mesmo tempo em que se complementam com as demais dimensões e
exigências. A palavra dimensão, pelo seu dinamismo, dá conta dessa complementaridade.
Quanto ás exigências, os quatros se interpenetram e se misturam na ação
evangelizadora, sendo difícil individualiza-las.
A dimensão sócio transformadora, por sua vez,
é formada pelos seguintes setores:
1-Capelania social;
2-Educação
3-Comunicação social
4-Ensino religioso
5-Pastoral
universitária da cultura
6-Pastoral
afro-brasileira;
O setor da capelania
social reúne, sob sua articulação, onze pastorais e três organismos.
III-CAPELANIA
OPERÁRIA
As
mudanças no mundo atual atingem dramaticamente aos trabalhadores, cada vez mais
excluídos do mundo do trabalho e dos bens socialmente produzidos.
A capelania operária
participa e contribui neste campo a partir da exigência de sua fé cristã. É
esta fé que irá influir na sua forma de abordagem na sua postura e na sua
metodologia dentro do mundo do trabalho, no qual se situa sua identidade e sua
mistura. É uma pastoral com o olhar e um agir que contribui para a construção
de um projeto alternativo de sociedade, o qual será obra das trabalhadoras e trabalhadores,
onde ela cumpre a missão evangélica de ser sal e fermento. Para isto a
capelania operária estimula os trabalhadores e trabalhadoras, dentro e fora da
igreja, a participarem no movimento social e nas variadas e legítimas formas de
organização.
Neste
momento, seu compromisso impõe a necessidade de contribuir para a existência de
um amplo movimento dos trabalhadores e trabalhadoras do conjunto da sociedade
frente ás mudanças no mundo do trabalho, contra o desemprego e pelo emprego
como política social chamando a responsabilidade os setores empresariais e
governamentais. Este é o eixo em torno do qual devem girar os programas,
projetos e atividades das equipes e instâncias da capelania operária em todo o
Brasil, delimitando setores específicos a serem trabalhados de acordo com a
religião, a qualificação dos e das militantes e os recursos disponíveis.
IV-CAPELANIA DOS
POVOS DE RUA
A
capelania de rua desenvolve sua missão sendo presença junto á população de rua,
reconhecendo sua dignidade e descobrindo os sinais de Deus presentes em sua
história.
O cenário encontrado nas ruas das
cidades permite encontrar um povo que luta e resiste para sobreviver.
Recolhidos ora em marquises e viadutos, ora em casas e prédio desocupados, os
moradores de rua, sofrem o estigma da exclusão social. Igual sorte cabe aos
catadores de papel, que puxando pesados carrinhos, andam nas ruas e lixões das
cidades coletando materiais recicláveis para revender no mercado. Sem
reconhecimento oficial, estes homens e mulheres são contabilizados no censo do
IBGE. Via de regra, os pobres públicos optam pela reedição de medidas
excludentes. Nas ruas sofrem as conseqüências das operações-limpeza planejadas
nos municípios. Nos lixões trabalham sem as mínimas condições de higiene e
salubridade. Para todos, é comum o preconceito social que estigmatizam suas
vidas.
O
compromisso solidário tecido nessa nova relação criada desenvolve ações que se
pautam no reconhecimento dos direitos da população e na defesa da vida.
Os agentes atuam
animando e fortalecendo o processo organizativo, resgatando a beleza da vida,
denunciando toda a ação de exclusão e violência e criando com os mesmos,
alternativas de produção de bens e cidadania.
V-CAPELANIA DA MULHER
MARGINALIZADA
A
capelania da mulher marginalizada tem a missão profética e evangélica de
contribuir e abrir espaço para que a mulher prostituída possa ser agente da sua
libertação e possa articular-se com outros grupos de oprimidos e outras
pastorais.
A
capelania da mulher marginalizada busca despertar nas suas equipes em todo o
país, o desejo de trabalhar com mulheres prostitutas no sentido delas serem
mais um segmento da sociedade em busca de transformação nas questões políticas,
econômicas e nas relações entre homens e mulheres. Gastar tempo e energia com a
formação dos(as) agentes, através de aprofundamento da mística, cursos,
oficinas, preparação de material formativo e informativo, buscando alianças,
participando de eventos promovendo encontros de agentes e de mulheres
prostituídas, contribuíndo na implantação e implementação de políticas
públicas, denunciando a violência que sofrem essas mulheres, colaborando na
inserção delas nos movimentos populares e sociais. Também acreditamos na
presença gratuita solidária. Estar lá para confortá-las, abraça-las, e ouvi-las
é muito importante, pois se trata de uma população especial, que via de regra,
nunca é confortada, abraçada e escutada.
Os membros da
capelania da mulher marginalizada na sua prática se deparam com uma população
totalmente desinformada a respeito dos seus direitos sociais. Por isso, se faz
necessário que os agentes da capelania da mulher marginalizada tenham também a
socialização da informação como uma das condições de uma prática que contribui
na construção de uma sociedade democrática, tendo como base a igualdade
econômica, política e social.
VI-CAPELANIA DA
CRIANÇA
Em
setembro de 1983, a capelania da criança iniciava suas atividades no município
de Florianópolis/PR, desenvolvendo uma metodologia própria que une a fé e a
vida, tendo como centro a criança em seu contexto familiar e comunitário.
A
missão da capelania social da criança é a própria missão de Jesus, que é também missão da igreja e de
todos os cristãos: evangelizar. A capelania da criança é ecumênica e não faz
nenhum tipo de discriminação de cor, raça, credo religioso, ou opção política.
A todos leva o lema do Bom Pastor. A capelania da criança usa uma metodologia
que conta com três grandes momentos de intercâmbio de informações que ajudam no
fortalecimento da solidariedade.
1-Visitas
domiciliares mensais – realizadas pelos líderes a cada família acompanhada;
2-Dia do peso – cada
comunidade se reúne para pesar as suas crianças. Esse dia se transforma num
momento de celebração da vida;
3-Reuniões com todos
os líderes de uma comunidade – para refletir e avaliar o trabalho realizado no
mês anterior.
A
prática da capelania da criança parte da idéia de que a solução dos problemas
sociais necessita da solidariedade humana, organizada e animada em rede, com
objetivos definidos, e que o principal agente de transformação são as
lideranças das comunidades, envolvendo-as no protagonismo de sua própria
transformação.
Fazendo
a união, a fé e o compromisso social,a capelania da criança organiza as
comunidades em torno de um trabalho de promoção humana no combate á mortalidade
infantil, á destruição e á marginalidade social. A capelania da criança atua
eficazmente na educação para uma cultura de paz e na melhoria da qualidade de
vida de mais de um milhão de famílias acompanhadas. O trabalho essencial é a
organização da comunidade e a capacitação dos líderes voluntários que ali vivem
e assumem a tarefa de orientar e acompanhar as famílias vizinhas, para que elas
se tornem sujeitas de sua própria transformação pessoal e social.
VII-CAPELANIA DO
MENOR
A
pastoral do menor tem seu início no ano de 1977. Ela surge num quadro de
intuições proféticas que se apresentavam como respostas da igreja aos desafios
das crianças e adolescentes empobrecidos e em situação de risco. A capelania do
menor aparece também como busca de organização dessas ações, em 1987.
A
capelania do menor é um serviço da igreja com mística e identidade próprias
que, á luz do evangelho, se propõe a estimular um processo que visa a
sensibilização, consciência crítica, a organização e a mobilização da sociedade
como um todo na busca de uma resposta transformadora, global, unitária e
integrada á situação da criança e do adolescente. Tem como objetivo, em seus
programas de atendimento, promover a participação dos pequenos como
protagonistas do processo de promoção da cidadania,
VIII-COMO ORGANIZAR
UMA CAPELANIA SOCIAL?
As
capelanias sociais, surgem em geral, como um serviço de articulação nacional a
uma série de atividades que se desenvolvem em determinadas áreas específicas.
Normalmente estão relacionadas a um rosto bem definido, umas certas categorias
entre os pobres ou a um determinado quadro de abandono. Assim, como vimos a
capelania da mulher marginalizada, procurar acompanhar situações concretas que
dizem respeito a situação da mulher.
A capelania social
organiza-se em todos os níveis eclesiais: nacional e regional. A organização
passa por alguns passos metodológicos, cuja seqüência não é rígida nem
obrigatória. Mais importante que a regra é, sem dúvida a criatividade e a
espontaneidade locais.
O
primeiro passo é identificar quais os rostos – categorias marginalizadas e/ou
situações sociais de extrema carência – mais pobres e excluídos em todos os
níveis. Para cada face da exclusão, como vimos, existe uma pastoral social
específica, e se não existe é interessante criar um serviço de presença
evangélica e de atuação pastoral, o qual, com o tempo, pode vir a se tornar uma
nova pastoral social. O ponto de partida de qualquer ação é uma tomada de
consciência da realidade local, com atenção especial para os grupos que sofrem
o peso da exclusão. Esta conscientização da realidade pode ser feita através de
visitas pastorais, de pesquisas e levantamentos ou de um trabalho científico.
A partir dessa
presença e acompanhamento, o terceiro passo é desenvolver atividades de apoio e
solidariedade aos movimentos sociais e a luta por melhores condições de vida e
trabalho, o que significa uma ação lenta e persistente de conscientização,
organização e mobilização. Trata-se de um processo longo que exige dedicação
permanente. Neste sentido, é importante disponibilizar recursos humanos e
financeiros e espaços físicos, bem como emprestar a palavra aos pobres. Num
quarto passo, as diversas equipes de base das capelanias sociais específicas
devem promover encontros conjuntos com a capelania social, reunindo-se com
certa freqüência, seja em nível comunitário ou congregacional ou regional ou
diocesano. Tais encontros servem para trocar experiências, traçar metas comuns
e planejar atividades gerais. Nessa perspectiva, é imperativo que cada
capelania específica esteja atenta ao calendário de eventos das demais
pastorais, tais como:
-O
dia do trabalhador (1º de maio);
-O dia da luta da
mulher (8 de março);
- O dia de
trabalhador rural (25 de julho);
-Outros.
IX-QUAIS OS FUNDAMENTOS
E FONTES DE ESPIRITUALIDADE DA CAPELANIA SOCIAL?
A
capelania social é uma árvore que mergulha na terra suas raízes profundas.
Delas vêm a seiva que alimenta sua espiritualidade. Ao longo do caminho, a ação
social abre poços onde encontra a água viva que sustenta sua caminhada. As
capelanias específicas que formam os ramos dessa árvore, nutrem-se do alimento
que vem do chão, que sobe pelo tronco, transfigura-se ao contato com a luz
solar e reforça-lhe a mística libertadora. A dimensão imprescindível, do
testemunho cristão:
Há que rejeitar a
tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se
coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação e em última
análise, com a própria tensão escatológica do cristianismo. Essa tensão nos
leva a construir o mundo, e a atender o bem dos nossos semelhantes, mas antes,
nos obriga ainda mais a realizar essas atividades.
X-CAPELANIA SOCIAL NO
ANTIGO E NOVO TESTAMENTO
1-ANTIGO TESTAMENTO
Podemos
partir da libertação do Egito – experiência fundamental do povo de Deus, o
êxodo da escravidão para a terra prometida constitui um paradigma para a
capelania social. Deus não quer escravidão e intervém na história para conduzir
o povo a uma nova vida. O chamado do povo de Israel á ação de Deus na história
(EX 3.7-10; DT 26.4-10). Deus se sensibiliza com o clamor dos escravos do
Egito, e, a partir daí, desencadeia uma ação libertadora, em que Moisés será
protagonista junto com seu povo.
Também nos livros chamados
históricos, transparece a predileção de Deus pelos pequenos e frágeis,
simbolizados na trilogia (órfão, viúva e estrangeiro). Aqueles que a sociedade
discriminam e marginalizam têm prioridade no amor infinito do Pai. Como irá
mostrar mais tarde a prática de Jesus.
Desde
o livro de gênesis, quando utiliza o símbolo do arco-íris para celebrar um
pacto com seu povo. Diz literalmente o texto: “Eis o sinal da aliança que
instituo entre mim e vós e todos os seres vivos que estão convosco, para todas
as gerações futuras”. (GN 9.12-13) O respeito á ´biodiversidade e á natureza,
bem como o cuidado com as gerações que estão por vir é condição para garantir a
vida do homem e da mulher.
Além
disso, tanto nos livros proféticos quanto nos salmos e na literatura
sapiencial, são recorrentes palavras como o direito e a justiça, em que não é
difícil interpretar a importância do valor fundamental que tem a dignidade
humana para os filhos e filhas de Deus.
2-NOVO TESTAMENTO
Nas
palavras e na prática de Jesus transparece a dimensão social de sua ação.
Retomando o que vimos acima, textos como
juízo final, as bem-aventuranças, o bom samaritano, entre outros, sublinham
claramente que a salvação está subordinada ao compromisso com os pobres. O
episódio dos discípulos de Emaús (LC 24.13-35), entretanto, apresenta uma certa
metodologia da atuação de Jesus. A partir dele, não seria difícil desenvolver
uma espécie de pedagogia da capelania social. Vejamos os passos dessa
pedagogia:
A- O CAMINHO
O
ponto de partida é a estrada. Os discípulos estão a caminho, vão tristes,
abatidos, desanimados. A experiência com o Galileu terminou na cruz e eles
ficaram com medo e fugiram. Se mataram o chefe, o que não estará reservado para
nós? Trilharam o caminho da fuga, do fracasso, da impotência.
Isso
nos leva a perguntar pelas estradas: Onde caminha hoje o povo? A falta de
terra, o desemprego, a luta pela saúde, pela moradia, pela sobrevivência
obriga-os a um vaivém sem fim. E quando não têm condições de partir, amargam
situações de extrema pobreza.
Jesus
caminha com os dois, procura conhecer a expressão de seus rostos, o tom de suas
palavras, as dificuldades de seus passos. Não os espera no templo ou na
sinagoga, mas corre ao seu encalço. Acompanha-os em seu penoso caminho.
Atenção para a
delicadeza do Mestre: faz-se forasteiro para poder conversar de igual para
igual.
B-O CONVITE
Jesus
faz que vai adiante. Os discípulos o convidam para entrar. Constata-se
novamente a delicadeza encoberta: no fundo, o convite parte do Mestre. Ele é
que toma a iniciativa. Tem o tempo livre, seu tempo é do Pai, e se é do Pai, é
dos pobres. Coloca-se á disposição como a dizer: Se me convidarem eu fico.
“Eis
que estou á porta e bato. Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei
em sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. Diz outra passagem bíblica (AP
3.20).
Hoje
as igrejas estão de portas escancaradas, mas onde estão os pobres, os mais
excluídos? Porque não se aproximam e entram? O que os impede de chegar mais
perto? Quando as portas abertas da igreja não são mais um convite para o pobre
entrar, então temos que nos tornar convites vivos aonde quer que estejamos:
ruas, becos, calçadas; praças, campos, favelas, lixões, cortiços, enfim, por
onde ele vive ou se esconde. As capelanias sociais têm de criar pés. Se o povo
não vem a igreja tem de ir até ele. Só assim podemos romper nossos círculos
fechados e alargar o raio de nossa atuação. Precisamos marcar presença nos
lugares mais distantes e insólitos, mais frios e sórdidos. Além disso, abrir
espaço nas dependências da igreja para
reuniões encontros, assembléias de categorias que lutam por seus direitos
básicos: ceder espaços, tempo e apoio e favorecer suas organizações e
movimentos, de forma a sentirem que Deus os criou para uma vida digna e humana.
Ceder também espaços para jornais, boletins e em todos os veículos de
comunicação eclesiais. Tornar-se voz dos que não têm voz, para que possam
enfrentar aqueles que os oprimem. Ajuda-los a conquistar também seu espaço
físico, eclesial e político.
XI-CONCLUSÃO - A
MISSÃO DO CAPELÃO SOCIAL
Os
discípulos refazem o caminho de volta a Jerusalém, entretanto, não é mais o
medo e a frustração que os movem. Um novo ardor como que põem asas em seus pés.
“ Não ardia nosso coração, enquanto Ele nos falava?” Correm para testemunhar o
que viram, suprem as dificuldade do início. O encontro com o ressuscitado
renovou-lhes o vigor. Nada mais os deterá na missão, nem o martírio.
A
luta das capelanias sociais é árdua. Muitas vezes o preço é a perseguição e a
morte. Incompreensões e rejeições fazem parte do dia-a-dia, isto, sem falar do
sistema de morte. Outras vezes, é o cansaço e o desânimo que nos abate, devido,
sobretudo, á sobrecarga de atividades. Na verdade, são poucos os que se
aventuram por esse caminho, embora o trabalho seja imenso.
B- COMO VENCER OS OBSTÁCULOS?
Se
não formos capazes de um verdadeiro companheirismo entre nós, como vimos acima,
e de encontros freqüentes com o Ressuscitado, será difícil renovar as forças.
Como regressaremos á Jerusalém de hoje, aos presídios, ás ruas, aos campos, aos
prostíbulos, ás portas de fábricas, aos caminhos onde esta o povo? Como
voltaremos a anunciar a boa nova aos pobres?
A
oração e a fé são fontes de água viva que nos nutrem para um renovado ardor
missionário.
CAPELANIA
PRISIONAL
CAPELANIA
PRISIONAL
A IMPORTÂNCIA DE DEUS
E DO EVAGELHO DE CRISTO NOS PRESÍDIOS E PENITENCIÁRIAS
“ESTIVE PRESO, E
FOSTES VER-ME”. MT 25.36
INTRODUÇÃO
É
importante que o homem conheça o evangelho de Deus e ame, para sentir a alegria
de ser amado. O evangelho estimula a prática do conhecimento, do estudo da
virtude e nos faz caminhar por uma estrada estreita, disciplinada, difícil,
porque exigem combate ao nosso egoísmo, desamor, orgulho e ambição, aspiração
imoderada e cobiça. De todos os valores sociais catalogados pela civilização é
o evangelho de Cristo, um dos mais
necessários ao homem, como pessoa, e a grupos de homens, como coletividade. É o
primeiro breque dos instintos que afloram dos impulsos individuais, como é o
primeiro freio dos frenesis coletivos.
A
pessoa sem Cristo se embrutece e se animaliza. Na recuperação do homem na
prisão, não se pode dispensar o evangelho, porque, caso contrário, a reeducação
fica incompleta ou deixa de existir. É muito difícil confiar em alguém que não crê
em Deus, porque se torna auto-suficiente, perigosamente orgulhoso, e a matéria
passa a ser a coisa mais importante de sua existência. Torna-se uma pessoa que
pensa e age isoladamente, que não tem amigos. É cercado de hipócritas e
interesseiros, acabando por naufragar ao se defrontar com o primeiro obstáculo
que exija a reflexão e amparo espiritual. No fundo, é um infeliz e, se
persistir em permanecer assim, acabará seus dias abraçado á infelicidade, com
pouca gente á sua volta.
Por
que o mundo vai mal? Por falta de humanidade, diálogo, compreensão, renúncias,
sinceridade, acima de tudo amor. Aqueles que se queixam dos males que assolam o
mundo precisam, sem demora, proclamar o que fazem para acabar com a violência,
as injustiças, a fome, a covardia, as guerras, etc. Ou será que cada um assume
o seu papel, em vez de ficar procurando defeitos nos outros? Einstein
proclamou: A ciência sem religião é cega e a religião sem ciência é paralítica.
A descrença assumiu um papel preponderante no atual momento histórico,
exatamente porque, a cada dia, a falta de dignidade de cumprimento do dever e a
desonestidade são mais valorizadas no mercado da corrupção e da violência.
1-O QUE ACONTECE SEM
O EVANGELHO DE CRISTO
No processo de
recuperação, é indispensável exaltar os valores inerentes ao ser humano, para
facilitar a estruturação da personalidade do condenado e ajuda-lo a refletir
permanentemente sobre a beleza da vida quando orientado ao bem, permitindo-lhe
descobrir o seu próprio potencial, e, por fim, faze-lo questionar-se acera da
finalidade para qual Deus o criou.
Copia-se
um sistema prisional desvirtuado, em geral, baseado em sistemas falidos de
outras nações, esquecendo as peculariedades do nosso povo. Limita-se á análise
puramente material e jurídica dos sistema, onde são colocadas as grandes
barreiras á reinserção dos presos na sociedade e esquece-se o principal, que é
o lado espiritual deles.
O
grande problema penitenciário é o problema de tratamento dos condenados.
Amontoa-los nos presídios e abandona-los á própria sorte, é a mesma coisa que receitar uma violência ainda
maior contra a sociedade, pois ao final da pena imposta, inevitavelmente, por
força da lei, o condenado voltará do convívio social. Já se recomendava o
ensino da educação moral e religiosa aos presos. E Jeremias, por sua vez, além
de julgar indispensável a educação moral e religiosa, apregoava como necessária
a existência de patronatos para ajudar o regresso e se reiterar.
É
preciso incentivar o núcleo espiritual e cultural da humanidade, para se evitar
a atual onda crescente de criminalidade. A Constituição Brasileira não adota a
pena de morte e a prisão perpétua exatamente por existir a crença na
recuperação do condenado. É preciso acabar cm o comodismo e o descaso, encarar
o problema de frente, com determinação, sem proselitismo e os resultados
positivos surgirão.
A
persistência na crença da recuperação do
condenado é fator essencial para o sucesso do trabalho. O voluntário
precisa estar consciente da sua difícil missão. O homem nasceu para ser feliz e
a circunstância que o levou a delinqüir não extingue esse anseio natural do ser
humano.
II-A MINISTRAÇÃO DO
EVANGELHO DE CRISTO DENTRO DE UM PRESÍDIO COMO FATOR DECISIVO NA RECUPERAÇÃO DE
PRESOS
É
muito difícil confiar em alguém que não confia em Deus. O evangelho de Cristo
estimula a prática do conhecimento, do estudo, da virtude, e faz caminhar por
uma estrada estreita, disciplinada e difícil, porque exige o combate ao próprio
egoísmo, ao desamor, á aspiração imoderada e á cobiça. Carnelucci, um
importante jurista italiano, afirmou que a solução para o preso não está nos
livros de ciência, mais sim no livro de Deus (bíblia). E Nélson Hungria afirma
com grande convicção:
“Uma das causas
primordiais, senão a causa única do declínio da cultura, é a sua crescente
incapacidade religiosa. Um mundo social sem o evangelho de Cristo, como o
atual, é um mundo de incertezas, destituído de entusiasmo, reduzido ao nível
morto das convivências individuais, impregnado de insuportável tristeza.
Precisamos fazer novamente a experiência de Deus. Não basta que dentro das
colunas partidas da inoperante civilização atual sejam os gênios a nos
conduzir”.
III-O TRABALHO DA
CAPELANIA PRISIONAL NO RECUPERANDO
Depois
de criterioso estudo, ao longo de anos e anos de existência, chegamos á
conclusão de que o recuperando é a designação correta que se deve dar ao
condenado que cumpre penas nos três regimes recomendados pela legislação
vigente. É aí que está o grande papel do capelão prisional.: visitar os presos
pelo menos uma vez por semana, fazendo com que ele tenha a paciência de cumprir
a pena, levando sempre uma palavra de Deus ao seu coração, para que possa
suportar o seu regime fechado.
Em
latim, recuperativo é o fato de recuperar, recuperação, restituição e
recuperatus, por sua vez, é recuperando, recobrado. Por outro lado, nossa
literatura, jurídica, cristã, médica, psicológica, jornalística, entre outras é
rica em afirmações que confirmam, de modo inquestionável, ser correto o uso do
termo recuperando (aquele que está em processo de recuperação) para denominar o
preso, evitando a humilhação de designações impróprias.
Numa
proposta de valorização humana, é admissível o eufemismo “recuperando” para
evitar o uso dos termos: preso, interno, condenado ou sentenciado, os quais,
embora verdadeiros, não deixam de chocar e depreciar o ser humano.
O capelão prisional
deve se preocupar com:
1-A saúde do preso,
pois o condenado é, na maioria das vezes, um doente;
2-A educação
religiosa do preso para o convívio social, incluindo civilidade, bons costumes
e o encaminhamento a Jesus, á profissionalização e á instrução, por serem
requisitos intrínsecos;
3-A instrução reduz o
índice de porcentagem de analfabetos e semi-analfabetos que povoam os nossos
presídios, se possível deve-se incluir o curso de evangelização para aprimorar
a cultura do condenado;
4-Se não temos em
nossa constituição a prisão perpétua e a pena de morte, o preso será
reintegrado á sociedade. Então, precisamos recuperar o preso. Ele irá cumprir a
pena pelo crime que cometeu, e através da pena e pela evangelização no
presídio, será recuperado e ingressado
na sociedade sem sentimento de culpa, pois o mesmo passou por uma série de reciclagem de evangelização e se
encontra apto para a nossa sociedade
5-O Evangelho de Cristo
ao condenado e sua importância na vida do ser humano É preciso fazer a
experiência com Deus e aprender a amar e ser amado. Não existem métodos de
recuperação eficientes sem que se cuide dessas metas indispensáveis em qualquer
trabalho evangelístico dentro de uma penitenciária que vise preparar o
condenado para o regresso ao convívio da sociedade.
IV-CAPELANIA
CARCERÁRIA
Cárcere vem do latim
e significa prisão subterrânea, lugar úmido, sombrio, onde os presos ficavam
com os pés atados á corrente. Carceragem é o local destinado á administração do
cárcere, e do evitar fugas. Além de ser responsável pela ordem e disciplina do
estabelecimento carcerário, diz respeito aquele que está recolhido ao cárcere.
Os
apóstolos Paulo e Pedro estiverem várias vezes em cárceres, estabelecimentos
próprios da época. Paulo escreveu muitas das suas notáveis cartas quando estava
encarcerado, inclusive em companhia de Silas. Nos atos dos apóstolos (AT
16.23,24,26) encontramos:
“Depois
de lhes terem feito muitas chagas, meteram-nos no cárcere, mandando ao cárcere
que os guardasse em segurança. Recebendo tal ordem, ele os meteu nos porões do
cárcere e lhes prendeu aos pés ao cepo. Imediatamente se abriram todas as
portas e se soltaram os grilhões de todos”.
É
chegada a hora de tomarmos consciência de que temos o dever e a obrigação de
usar a expressão adequada, padronizando as diversas terminologias e em atenção
ao que a própria igreja recomenda. O nome correto é pastoral penitenciária ou
capelania prisional. Porque está em perfeita sintonia com a sua proposta e com
a história.
A
capelania carcerária é a presença de Cristo e de sua igreja no mundo dos
cárceres e desenvolve todos os trabalhos que essa presença venha a exigir.
A
capelania prisional mantém contatos e relações de trabalho e parceria com
organismos do poder executivo e do poder legislativo com ONG´S, locais nacionais e internacionais com o MNEH
(movimento nacional dos estados americanos), com a anistia internacional, com o
MNDH (movimento nacional dos direitos humanos), como CDH da ONU(comissão dos
direitos humanos das nações unidas), com ICCPC (pastoral carcerária
internacional) e outras entidades afins.
V-OBJETIVOS GERAIS
a-Acompanhar os
presos em todas as circunstâncias e atender suas necessidades espirituais,
dando assistência espiritual também a seus familiares;
b-Verificar as
condições de vida e sobrevivência dos presos;
c-Priorizar a defesa
intransigente da vida, bem como a integridade física e moral dos presos;
d-Intermediar
relações entre presos e familiares;
e-Educar os presos no
evangelho de Jesus Cristo, levando a salvação até eles;
f-Acompanhar seu
processo de discipulado dentro de evangelho de Cristo.
VI-ATIVIDADES
PERMANENTES
a-Visitas aos presos,
especialmente quando doentes, nas enfermarias ou nas celas de castigo ou de
“seguro”;
b-Celebrações e
encontros de reflexões (círculos bíblicos, orações);
c-Atenção especial ás
áreas de extrema violência nas prisões;
d-Sensibilizar as
comunidades sobre o problemas dos presos e mostrar o valor da pastoral
carcerária;
e-Fazer parcerias e
relacionamentos de trabalho com os poderes públicos e com o ministério público.
VII-A DUPLA
FINALIDADE ÉTICA DA PENA
A
função da pena é dupla: punitiva e
recuperativa.
O
delinqüente é condenado e preso por imposição da sociedade, ao passo que
recupera-lo é um imperativo de ordem moral, do qual ninguém deve se escusar. A
sociedade somente se sentirá protegida quando preso for recuperado. “A prisão
existe para castigo e não se pode parar de castigar”. Essa é a afirmação
corrente cujo conteúdo não se pode perder de vista e deve sr repensado.
O
estado, enquanto persistir em ignorar que é indispensável cumprir a sua
obrigação no que diz respeito á recuperação do condenado, deixará a sociedade
desprotegida. Como é sabido, nossas prisões são verdadeiras escolas de
violência e de criminalidade.
VIII-PESQUISAS
ESTATÍSTICAS
Descobrimos
então que, ás vezes existem equívocos quanto à família formalmente constituída.
Dados colhidos sobre o sistema prisional brasileiro através de pesquisas feitas
em nível nacional por nós, revelam o seguinte:
1º- 86% de
reincidências;
2º-65% dos crimes são
praticados sob efeito de drogas
3º-80% dos detentos
utilizam algum tipo de droga
4º-60% da população
carcerária tem entre 18 e 28 anos de idade;
5º-20% completaram 28
anos de idade cumprindo pena;
6º-81% da população
das prisões são de origem cristã;
7º-97% apontam como
causa da criminalidade, a família desestruturada;
8º-75% dos condenados
são analfabetos ou semi-analfabetos;
9º-87% não têm
profissão definida;
10º-18% são casados;
11º- 38% são
amasiados;
12º- 44% são
solteiros.
IX-PROMISCUIDADE EM
VÁRIOS NÍVEIS
1-Ociosidade;
2- Violência;
3- Falta de confiança
generalizada;
4-Supressão da
verdade;
5-Ausência da família
(perda gradativa dos laços afetivos);
6-Sentimentos de
autopunição e de culpa;
7-Perda da
auto-estima;
8-Sentimento de
inferioridade, que se transforma em agressividade;
9-Personalidade
condicionada pelos estímulos que recebe dentro de presídio;
10-Perda gradativa da
condição normal de convivência social;
11-Ausência de
esperança;
12-Falta de fé e
ausência de Deus em sua vida.
X-O PODER DA ORAÇÃO
NA VISITA DO CAPELÃO AO PRESÍDIO
O
Capelão é um agente de Deus, portanto, ele deverá manter-se sempre em oração,
pois dentro de um presídio encontram-se vários demônios juntos aos presos. Pois
cada indivíduo que se encontra dentro do presídio contém um demônio diferente:
da mentira, da prostituição, de homicídio, de roubo, de estupro, das brigas, da
morte, etc. Portanto, o capelão deverá manter-se em oração e consagração total.
O poder da oração é muito grande e importante para a evangelização. É através
da oração que os demônios são expulsos e os presos são libertos. É neste
momento que começa a atuar o Espírito Santo nos corações dos presos, fazendo com
que se arrependam e aceitam a Cristo Jesus como seu único e suficiente
salvador.
XI-RELACIONAMENTO DO
CAPELÃO COM PRESOS E FUNCIONÁRIOS
O
capelão prisional sempre deve manter sua ética e postura cristã com presos e
funcionários do presídio. O capelão não deve ter exageros, nem normas e rotinas
com os presos, mas sim, submeter-se ás normas do presídio e, principalmente,
ter flexibilidade quando for ministrar culto aos detentos. Ter sempre em mente
a “sabedoria” RM 12,1 (portanto, rogo-vos irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto racional.). O capelão deve estar sempre em harmonia com
agentes penitenciários, detetives e delegados, para que seu trabalho seja
eficiente. Para tanto, ele deve manter sua educação e comportamentos
exemplares, saber ouvir e falar na hora certa, pois uma das maiores bases para
manter esses relacionamentos sólidos, freqüentes, é agir com moderação e
caráter formado.
O capelão deverá
policiar-se quando começar a fazer qualquer tipo de trabalho dentro de uma
penitenciária. Ele deverá se organizar para as sua atividades, pois um presídio
é um verdadeiro campo de missões e, com certeza, ele faz parte da seara de
Cristo Jesus. Portanto, o capelão prisional é um ganhador de alma para Cristo.
É ele quem proclama o evangelho aos presos. O capelão deverá conter em seu
caráter quatro qualidades fundamentais inerentes a competência de capelania e
seu próprio caráter:
1-Ser uma pessoa de
extrema oração e vigilância (ITS 5.17);
2-Consciência de que
é um embaixador de Cristo (II CO 5.20);
3-Ser uma pessoa
dedicada e consagrada a Deus (FP 1.21);
4-Ser sensível ao
Espírito Santo de Deus (II TM 2.21 – EF 5.18)
ÉTCA CRISTÃ
ÉTICA
CRISTÃ
NOÇÕES
INTRODUÇÃO
A
ética cristã parte da premissa de que Deus tem uma missão para cada homem
cumprir no mundo. Esta missão baseia-se em três grandes relações:
ÉTICA
É
a ciência que trata dos fatos concernentes aos procedimentos do homem em todas
as suas relações.
1-ORIGEM DA PALAVRA
Ética
vem do grego, ethos, que significa “costume”, “disposição”, “hábito”. No latim,
vem de mos (mores), com sentido de vontade, costume, uso, regra.
2-DEFINIÇÃO
Ética
é, na prática, a conduta ideal e reta esperada da cada indivíduo. Na teoria é o
estudo de deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, visando a exata
conceituação do que é certo e do que é errado. Reiterando, ética cristã é o
conjunto de regras de conduta, para o cristão, tendo por fundamento a palavra
de Deus. Para nós, crentes em Jesus, o certo e o errado devem ter como base a
bíblia sagrada, nossa “regra de fé e prática”.
O
termo ética, ethos, aparece várias vezes no novo testamento, significando
conduta, comportamento, porte e compostura (habituais).
A
ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na
bíblia, principalmente nos ensinos de Cristo, de modo que “Ele morreu por
todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por
eles morreu e ressuscitou” (II CO 5.15 – EF 2.10)
3-OBJETIVO DA ÉTICA
Considerar
a razão de ser, de vida do homem, de seus poderes e de faculdades para que ele
descubra e cumpra melhor a missão que seu criador lhe conferiu neste mundo.
I-DEVERES PRÓPRIOS DE
CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO
O
homem tem três grandes inimigos: morte, doença e pobreza que destroem sua vida.
É seu dever combate-los como garantia de saúde e bem-estar próprios, pois para
cumprir a missão dada por Deus, o homem precisa conservar sua vida, combatendo
a morte até ao extremo. A lei da preservação própria é a mais básica da
natureza e está presente não só no homem, mas também nas demais criaturas.
Tanto animais como vegetais têm meios de defesas próprias.
O
ser humano preserva sua vida por um motivo mais nobre, o de cumprir sua missão.
Assim, quando come e bebe não o faz somente para satisfazer seu apetite, mas a
preservação própria inclui a vida física e vida espiritual.
1-PRESRVAÇÃO DA VIDA
FÍSICA
O
corpo é a casa de espírito e o veículo através do qual ele se comunica com o
mundo material. A ética cristã proíbe tudo que prejudica a saúde do corpo, pois
um corpo doente põe a perigo o êxito da missão do homem na terra.
Sendo assim a ética
condena:
A-MUTILAÇÃO DO CORPO
Ex.: O costume
chinês, em certos lugares daquele país, de amarrar os pés das meninas para que
elas não cresçam.
O costume de algumas
tribos indígenas é de colocar prensa na cabeça do recém-nascido para lhe dar a
forma desejada.
B-SUICÍDIO
É a culminação de uma
série de transgressões dos princípios fundamentais da ética individual e das
leis divinas.
“Nesta vida estamos
num quartel, donde não podemos sair sem ordem superior”. (Platão)
Nas escrituras,
encontramos o registro de alguns casos de suicídio. Em todos eles, vemos que
seus protagonistas foram pessoas que deixaram de lado a voz do Senhor e
desobedeceram á sua palavra.
1-Saul: Foi um rei
fracassado que deixou o Senhor e foi em busca de uma médium espírita (I SM 28
1-19; 31 1-4; I CR 10.13,14) ;
2-Aitofel: Foi um
conselheiro de Absalão, orgulhoso, que e matou por ver que sua palavra fora
suplantada por outro. (II SM 1.7.23);
3-Zinri: Um rei sem
qualquer temor de Deus, que usurpou o trono por tradição e matança, e que por
fim se matou, quando se viu derrotado pelo exército inimigo (I RS 16.18-19)
4-Judas Iscariotes:
Após ter traído Jesus, foi dominado por um profundo remorso, e, ao invés de
pedir perdão ao Senhor, foi se enforcar.
O
posicionamento cristão: A vida é sagrada e somente Deus pode tira-la. Moisés
pediu a Deus que tirasse a sua vida (NM 11.15). O profeta Elias também fez o
mesmo pedido I RS 19.4) e da mesma forma o profeta Jonas (JN 4.3). Deus não
atendeu a nenhum desses pedidos. Isso mostra que a vida pertence a Deus e não a
nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve cessar e Ele é o
soberano de toda a existência.
As
sagradas escrituras condenam o suicídio pelos seguintes motivos:
a-É assassinato de um
ser feito a imagem de Deus; (GN 1.17; EX 20.13; JO 10.10);
b-Devemos amar a nós
mesmos (MT 22.39; EF 5.29);
c-É falta de confiança
no Deus, visto que Ele pode nos ajudar (RM 8.38,39). A mulher de Jô sugeriu,
diante de seu sofrimento, que ele amaldiçoasse a Deus e morresse (se
suicidasse). Ele, porém, não aceitou tal idéia, e de modo resignado, confiou
integralmente no Senhor.
d-Devemos lançar as
nossas ansiedades sobre o Senhor, e não na morte (I JO 1.7; I PE 5.7)
O
Ser humano deve respeitar seu corpo como propriedade de Deus. Por isso, não
compete ao homem tirar a sua vida. Ao contrário, tudo ele deverá fazer para
protege-la.
C-O DIREITO DE DEFESA
O
indivíduo tem que fugir da morte, não só das próprias mãos (como o suicídio),
mas das mãos alheias também.
Sendo assim, ele tem
o dever de se defender até onde for necessário para preservar sua vida, porém,
este direito só lhe é concedido enquanto está livre de toda e qualquer culpa.
D-A VIDA FÍSICA
Não
é esta, entretanto a coisa suprema deste mundo. Há ideais tão elevados e nobres
que justificam o sacrifício da vida física. Por exemplo: os mártires que
preferiram morrer a trair a verdade e a justiça.
Outro exemplo é o
daqueles que sacrificam suas vidas em favor dos inocentes desamparados pela
família ou pela pátria.
2-PRESERVAÇÃO DA VIDA
ESPIRITUAL
Preservar
a vida espiritual é o dever mais alto e mais sagrado do homem.
Nosso espírito,
enquanto neste mundo, está cercado de males que procuram destruí-lo e é mister
que vençamos para defende-lo.
A-DEFENDER-SE A SI
MESMO
Da
mesma maneira que alimentamos e cuidamos da saúde do corpo, devemos alimentar e
cuidar do espírito, deixado de praticar aqueles atos que o enfraquecem e o
tornam ineficiente no cumprimento da sua missão.
Todo mau desejo e as
más tendências devem ser combatidos.
B-DEFENDER-SE DOS
OUTROS
Todo
homem tem o direito e dever de defender seu espírito através dos recursos ao
seu alcance.
II-DEVER DE CUIDADO
PRÓPRIO
1-AMAR A SI MESMO
Se
o amor próprio não é diretamente ordenado em qualquer parte da escritura, pelo
menos é subtendido em muitos lugares. Primeiramente, que a pessoa deve amar a
si mesma é subtendido no mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (LV
19.18; MT 23.39). Se essa norma ética, freqüentemente repetida, não comanda o
amor próprio, pelo menos parece que subtende que o amor próprio é certo. Parece
estar dizendo que o amor próprio é a base do amor aos outros, que a pessoa não
pode sequer amar aos outros a não ser que ame a si mesma. Mas se a pessoa não
respeitar o bem que Deus criou nela mesma, como está esperando dela que
respeite o bem da criação de Deus nos outros lugares?
O
ensino de Paulo parecia confirmar esta interpretação do mandamento no sentido
de amar aos outros como a si mesmo. Escreveu :”Pois ninguém jamais odiou a sua
própria carne, antes a alimenta e dela cuida...” (EF 5.29). Nada há de errado
com isso. Cada um deve cuidar de si mesmo. O respeito próprio é moralmente
necessário. O homem não tem mais direito de odiar o bem criado por Deus nele
mesmo do que qualquer outro lugar.
2-CUIDADOS DO CORPO
Para
se ter um corpo cuidado e saudável é necessário que se observem às leis
físicas. A desobediência delas trará prejuízos para o cumprimento da nossa
missão. Geralmente as doenças são os resultantes destas desobediências ás leis
físicas. O ascetismo é condenado pela ética, porque prejudica a saúde do corpo.
Obs.: Ascetismo
diferente de disciplina
O cuido do corpo
inclui:
A-COMIDA – O QUE
COMER
O Corpo precisa de
uma dieta equilibrada entre carbonato, nitrato e fosfato. Diz-se que o
brasileiro não sabe comer. Devemos comer o que precisamos e não o que gostamos.
Como quer : “cavamos
a nossa sepultura com os dentes”.
Mastigar bem o
alimento até reduzi-lo o mais possível é fundamental. Isto implica em gastar
tempo. O tempo para a alimentação deve ser planejado e suficiente. Correrias,
tensão e atropelos ás refeições prejudicam a saúde.
B-A BEBIDA
Mais de ¾ de nosso
corpo é água. Devemos sustentá-lo com água pura, bebendo até mesmo sem sede.
C-O AR
É nosso dever
procurar respirar o ar mais puro, pois o ar poluído é causa de séries de
moléstias como tuberculose, alergias, etc.
D-HIGIENE
Calcula-se quem em 24
horas passe um quilo de líquido pelos poros. Portanto, a pele deve ser limpa
para que esses poros não sejam obstruídos pela sujeira, causando assim
prejuízos á saúde física. O banho diário é indispensável e escovar os dentes
pelo menos três vezes ao dia constituem medidas higiênicas importantíssimas.
E-EXERCÍCIO FÍSICO
O corpo é uma máquina
que enferruja quando não é usada, por isso a ética ensina o dever do exercício
para promover o bem-estar do homem por causa da missão
F-DESCANSO
Há limites para as atividades físicas e não temos o direito de ultrapassá-las. O descanso promove reposição de energia gasta no trabalho e temos o dever de estar sempre com a energia recarregada para evitar o stress tão comum em nossos dias. Todo estressado é um transgressor da lei física do descanso.
Há limites para as atividades físicas e não temos o direito de ultrapassá-las. O descanso promove reposição de energia gasta no trabalho e temos o dever de estar sempre com a energia recarregada para evitar o stress tão comum em nossos dias. Todo estressado é um transgressor da lei física do descanso.
3-CUIDADOS DO
ESPÍRITO
Diz a organização
mundial de saúde, que a saúde é a sensação de bem-estar físico e mental. Quer
dizer que a saúde envolve o indivíduo por completo.
Seu espírito precisa
de cuidados para ser sadio:
A-DIETA: O espírito
alimenta-se do reino espiritual. Esta alimentação consiste da verdade e das
relações sociais. É impossível o espírito alimentar-se bem sem conhecer a
verdade e sem manter relações com o próximo e com Deus.
Jesus se apresentou
como o melhor alimento para o nosso espírito (JO 4.10; 6.35;
14.6).
A bíblia é outra
fonte de verdade para a dieta do espírito.
B-AMBIENTE
É direito e dever do
indivíduo afastar seu espírito de um ambiente mau para o seu desenvolvimento
como precisa e os amigos são um fator de extrema importância neste caso.
C-PUREZA
Jesus disse: “Bem
aventurados os limpos de coração”...
Em SL 51, Davi
orou:”Dá-me, ó Deus um coração puro”...
Os espíritos mais
belos e mais sadios são puros.
D-EXERCÍCIO
ESPIRITUAL
O espírito também
atrofia se não for exercitado, trabalhando na prática do bem. (I TM 4.7,8; HB 5.14)
E-DESCANSO ESPIRITUAL
Só em Jesus o
espírito encontra descanso (MT 11.28).
III-DEVER DE SUSTENTO
PRÓPRIO (CONTRA A POBREZA)
Todos têm o dever de
lutar contra a pobreza e adquirir os meios necessários á subsistência. Para
tal, cada indivíduo tem o dever de trabalhar para seu sustento, pois a preguiça
é condenada pela ética e é considerada pela sociedade como um dos sete pecados
capitais.
1-O SUSTENTO DO CORPO
A
natureza é a base de toda a riqueza material e o homem tem o dever de
aproveitar-se dela fazendo com que ela lhe dê em abundância todo o necessário
para o sustento do seu corpo.
O que faz a diferença
básica entre uma nação civilizada e uma atrasada é a questão do aproveitamento
do que a natureza pode lhe oferecer.
Deus concedeu ao
homem poder sobre a natureza, mas não se pode abusar deste poder. Muitas
pessoas abusam dos animais e qualquer mau trato infligido a eles é condenado
pela ética (PV 12.10)
Muitos paises já
criaram a sociedade protetora dos animais.
A ética condena
também o costume de matar animais só por lazer, para mostrar que hábil
atirador.
O DEVER DE SUSTENTO
PRÓPRIO ENVOLVE OS SEGUINTES ASSUNTOS
A-INDÚSTRIA
Todo homem deve
dedicar-se a um trabalho para produzir o necessário para a subsistência.
O parasita humano é
severamente condenado pela ética cristã. Ninguém tem o direito de levar vida
ociosa (PV 12.11; 14.23)
B-ECONOMIA
Economizar os
resultados do trabalho é dever de cada indivíduo. Não e certo gastar tudo o que
ganha como se estivesse no último dia de vida. O que assim procede não terá o
suficiente para o seu sustento e viverá na dependência alheia. A ética cristã
condena todo tipo de dependência voluntária da sociedade.
2-O SUSTENTO DO ESPÍRITO
Alimentamos o
espírito com:
A-A VERDADE
É o pão do espírito e
por isso deve ser buscada com toda diligência.
B-RELAÇÕES SOCIAIS
SADIAS
O homem não foi
criado para viver em isolamento. Necessita para seu desenvolvimento saudável de
se relacionar com o próximo. Este relacionamento precisa contribuir para
fortalecer o espírito, e por esta razão deve ser o mais belo possível. Devemos
oferecer a nós mesmos as mais perfeitas relações pessoais que possamos
conseguir. Entre elas está os relacionamentos pessoais. A ética determina que
todo indivíduo cultive as melhores relações sociais com os homens e especialmente com Deus.
C-BELEZA
O criador encheu o
universo de coisas belas e podemos contemplar montanhas, rios, estrelas, o
nascer do sol e o pôr-do-sol, etc. Observar estas coisas eleva o espírito.
Devemos também procurar a beleza das pessoas de bom caráter e conviver com elas
para enriquecer nosso espírito.
D-BONDADE
É outro tesouro que o
espírito deve possuir e precisamos nos dedicar a possuí-las porque Deus nos dá
abundantemente. Possuí-la requer esforço e até sacrifício.
IV-DEVERES DE CULTURA
PRÓPRIA
Todo homem recebe de
Deus poderes físicos e espirituais para serem desenvolvidos no cumprimento da
sua missão. Uns recebem mais, outros menos. Mas o fato é que todos recebem e
não é a quantidade destes dons que conta, mas a qualidade. Assim, é dever de
todo indivíduo cultivar e desenvolver estes dons ou haverá de perde-los. Todos
recebem oportunidades para este cultivo e todos passam por dificuldades e a diferença
entre o homem bem sucedido e o fracassado está em transformar as dificuldades
em oportunidades.
Demóstenes, grande
orador grego é um exemplo para nós, pois sendo gago tornou-se o maior orador de
todos os tempos, graças a sua tenacidade.
Ao cultivarmos nossos
poderes físicos ou espirituais, cuidamos em desenvolve-los simetricamente para
que haja harmonia e perfeição entre eles (equilíbrio).
1-A CULTURA FÍSICA
GERAL
Podemos
considerar a cultura física no âmbito e no especial.
A ética determina ao
homem o dever de cultivar o físico como base de segurança para as operações do
espírito.
O dever de cultura
física é de vital importância, já que a relação entre o corpo e o espírito é
profundamente íntima. É dever do homem cultivar sistematicamente todos os
sistemas do organismo muscular, nervoso, digestivo etc em perfeito
funcionamento. Isso envolve a cultura dos sentidos e dos poderes de ação e
expressão.
CULTURA DOS SENTIDOS
Audição, visão,
paladar, olfato e tato. Esses cinco sentidos devem ser cultivados para
aperfeiçoar a comunicação com o mundo de tal maneira que sejam fiéis e não
enganosos.
CULTURA DOS PODERES
DE AÇÃO E EXPRESSÃO
O corpo é o meio de
expressão e manifestação do que se passa no interior, que é o espírito e é
também o meio para o homem receber comunicação e impressões do mundo exterior e
por isso deve ser cultivado da melhor maneira possível.
2-CULTURA FÍSICA
ESPECIAL
Cada vocação exige
uma cultura própria especial, pois ela visa dar ao homem, os meios pelos quais
possa cumprir sua missão mais eficientemente.
Assim um advogado
necessita de um tipo de cultura física, diferente da que necessita um lutador
de boxe.
3-CULTURA ESPIRITUAL
Todo indivíduo tem o
dever de desenvolver diligentemente seu espírito, já que ele é imortal, isto se
reveste de importância suprema.
Para desenvolver o
espírito é necessário:
-Ter desenvolvimento
exato do espírito do indivíduo;
-Ter conhecimento de
verdadeira teoria da educação;
-Aplicar essa teoria
ao desenvolvimento espiritual.
Como ser racional, o
homem tem o dever de educar-se a si mesmo, desde o berço até o túmulo.
Consideremos cada um desses três requisitos da cultura espiritual.
A-CONHECIMENTO DO
ESPÍRITO INDIVIDUAL
Além da necessidade
de se conhecer a psicologia geral do homem como parte da raça humana, há
necessidade de se ter um conhecimento da psicologia particular do indivíduo,
pois cada pessoa é diferente da outra. Precisamos conhecer a diferenças e os
pontos em comum uns dos outros.
B-CONHECIMENTO DA
VERDADEIRA TEORIA DA EDUCAÇÃO
O fim de toda
educação é desenvolver e cultivar os poderes das pessoas. Educação é mais do
que adquirir fatos: é sim assimila-los. É exercitando que desenvolvemos nossos
poderes. Ex.: como cultivar a memória?
Decorando. Como cultivar a razão? Raciocinando.
São quatro os poderes
do intelecto:
-cognitivo: faculdade
de observar, sintetizar;
-conservativo:
faculdade de reter na memória;
-comparativo:
faculdade de julgar, raciocinar;
-construtivo:
faculdade de planejar, organizar.
Aplicação da teoria
ao desenvolvimento espiritual da educação á cultura própria.
Vale a pena cultivar
nossos poderes, pois os resultados são grandes e compensam os esforços feitos.
4-CULTURA DO
INTELECTO
Todo empenho deve ser
feito no sentido de vencer os inimigos que impedem a cultura do nosso
intelecto.
Vejamos alguns destes
inimigos:
-IGNORÃNCIA
É a coisa mais cara
que existe! Pagamos muito por nossa
ignorância. O ignorante jamais cumpre o dever consigo mesmo.
-ESTUPIDEZ
O estúpido não evita,
não julga, não pergunta, mas satisfaz-se com sua estupidez. O ignorante é
ignorante porque não sabe, mas o estúpido é porque não quer saber.
-IMPRUDÊNCIA
É a falta que
consiste em não se avaliar bem as conseqüências dos atos cometidos.
-PRECIPTAÇÃO
O precipitado tem
pressa de chegar a uma conclusão sem a devida reflexão. Ele não relaciona e nem
espera o momento certo, mas julga e age precipitadamente e sempre incorre no
erro.
-CREDULIDADE E
CETICISMO
São duas formas
opostas do mesmo vício do intelecto. O crédulo acredita em tudo que vê e ouve,
sem fazer distinção entre a fantasia e a verdade, entre a estória e a história.
O céptico é o oposto. Duvida de tudo e de todos. Falta tanto ao crédulo quanto
ao céptico, o uso do poder comparativo do intelecto. Falta-lhes raciocínio.
5-CULTURA DOS
SENTIMENTOS
O
sentimento é o poder que move a ação e por este motivo deve ser cultivado. É
nosso dever amar que é amável e desejar o que é desejável. Nada há de errado em
se amar e desejar o que é digno do nosso amor e do nosso desejo.
Os sentimentos devem
ser cultivados com diligência, mesmo porque são os motivos da ação. São eles
que movem as pessoas para conquistas e para o progresso.
Eles têm dois
inimigos que o indivíduo precisa combater:
-A INSENSIBILIDADE
Ninguém tem o direito
de ser insensível aos sofrimentos da humanidade. Não é possível cumprirmos a
missão dada por Deus sem cultivar a sensibilidade para com o que ocorre tanto
com os felizes tanto com os menos afortunados. A bíblia manda chorar com os que
choram e se alegrar com os que se alegram.
-A PAIXÃO
É o resultado que se
dá aos sentimentos toda a liberdade,
deixando-os sem disciplina e sem qualquer cultura. Os sentimentos
indisciplinados transformam-se em paixão, dominam a razão, desobedecem á
vontade e anarquizam completamente a pessoa. A paixão é um sentimento indisciplinado e como tal, deve sr combatido,
mas há paixão por coisas dignas e boas, que consiste em ter sentimentos
disciplinados, treinados, dirigidos e que devem ser cultivados. O que estraga é
o seu objetivo, devemos nutrir os mais altos e nobres possíveis.
6-CULTURA DA VONTADE
A
vontade é o poder executivo da pessoa, o que dirige todos os seus outros
poderes pessoais.
É
a vontade que determina a ação que vai seguir. Ela tem três inimigos a serem
combatidos.
-SERVILISMO
É a atitude que
permite á pessoa entregar-se totalmente á direção de outra. O servil não tem
vontade própria, é um fraco que faz tudo para agradar a todos, e assim não pode
cumprir sua missão.
-INDEPENDÊNCIA
O oposto do
servilismo, é a vontade que o indivíduo tem de querer ser independente, mas que
não deve ser exagerada.
-INCONSTÂNCIA
É a falta de decisão.
Para cumprirmos nossa missão precisamos de vontade forte decisiva e bem
orientada. A inconstância determina fatalmente a derrota na vida da pessoa. A
bíblia, através da epístola de Tiago, condena o inconstante dizendo que ele não
consegue nada da parte de Deus em seus pedidos.
7-CULTURA DO GOSTO
Significa
a faculdade de amar e apreciar coisas belas como a música, a poesia, a pintura,
a natureza, o mar, os seres vivos, etc.. Esta faculdade precisa ser cultivada.
O gosto é mais um meio pela qual o homem pode enriquecer a sua personalidade.
8- CULTURA MORAL E
RELIGIOSA
É
o cultivo da consciência para o que não venha a ser cauterizada, endurecida,
não confiável. A consciência precisa nos orientar firmemente, julgando-nos,
condenando-nos ou aprovando nossos atos.
V- ÉTICA SOCIAL
Ética
social é a parte prática que trata da aplicação das leis morais ao procedimento
do homem em relação ao seu próximo. Este dever se acha resumido nas palavras de
Jesus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. A ética social ensina que o
homem deve fazer ao próximo tudo o que faz a si mesmo. Somos por natureza
dependentes uns dos outros, devemos, portanto, firmar a nossa vida neste
princípio de auxílio mútuo, pois o auxílio mútuo é necessário, a fim de que
todos cumpram os seus deveres.
Há
uma relação muito íntima entre o direito e o dever, pois o direito de um é o
dever do outro. Assim, temos sempre a expressão: “O direito de um é sempre o dever
de outro”. Dividiremos a discussão da ética social em:
-ética social geral;
-ética doméstica;
-ética civil
1-ÉTICA SOCIAL GERAL
Baseia-se
na relação do homem para com a raça, isto é, trata dos deveres gerais do homem
para com o seu próximo em todas as partes do mundo, fazendo divisões
semelhantes ás da ética individual.
2-ÉTICA DOMÉSTICA
A
família, como célula-mãe da sociedade, vivendo em harmonia diante de Deus e dos
homens, com cada um de seus integrantes cumprindo seus deveres: conjugais,
sociais e econômicos.
3-ÉTICA CIVIL
Corresponde
á sujeição do indivíduo e da coletividade aos poderes legalmente constituídos
(executivo, legislativo, judiciário) e suas leis e obrigações e de usufruir de
seus direitos como cidadão.
DEVERES DE
CONSERVAÇÃO SOCIAL
O
nosso próximo tem o direito á conservação da vida, ao exercício livre dos seus
poderes, ao governo dos seus bens e á verdade em todas as suas relações.
Consideramos cada um
destes deveres:
PRESERVAÇÃO DA VIDA
A
continuação da vida do homem é a base de todo exercício de seus poderes. Temos,
portanto, o mesmo dever para com o nosso próximo no sentido que temos para com
o nosso próprio ser. Como os atos mais condenáveis cometidos contra o próximo
nascem do ódio, temos o dever sagrado de arrancar do nosso coração todos os
sentimentos maus e substitui-los pelo amor, que a ninguém faz mal. O estudo e o
estado do coração do homem, é, portanto, fundamentalmente para o
desenvolvimento e entendimento do que é ética.
HOMICÍDIO EM DEFESA
PRÓRPIA
É
justificável diante das leis dos homens, mas difícil de ser justificado segundo
as leis divinas.
HOMICÍDIO DEVIDO ÁS
PAIXÕES MOMENTÂNEAS
É
condenável, tanto pela lei divina quanto pela lei dos homens. A condenação é
dupla, porque se deixou levar pela paixão do momento e por ter tirado a vida do
seu semelhante.
O HOMICÍDIO
PREMEDITADO
Também
é condenado e ainda com mais severidade. Em alguns países os criminosos que
cometem crimes planejados, tirando vidas de seus semelhantes são condenados á
morte. Em outros países são punidos com a prisão perpétua.
PRESERVAÇÃO DA SAÚDE
Uma
vez que a boa saúde é importante numa vida para o bom êxito da sua missão, é
dever do homem procurar conservar a vida do seu próximo em pleno vigor. E
também é nosso dever evitar tudo quanto enfraqueça e ponha em perigo a saúde de
nossos vizinhos.
PRESERVAÇÃO DA
LIBERDADE
A
liberdade é um direito natural do homem, pois onde não há liberdade não pode
haver responsabilidade. A liberdade é essencial ao cumprimento da nossa missão.
Consiste no uso justo e correto dos poderes pessoais,a fim de cumprir esta
missão moral aqui na terra.
É
dever do estado reprimir o homem que abusa da sua liberdade, pois quem sai fora
dos seus limites prejudica seus semelhantes.
É também dever do
estado restringir a esfera de ação do louco, pois tal pessoa não esta em
condições de usar a liberdade.
O
pai pode e deve restringir a liberdade do filho devido a sua falta de
experiência e juízo. A liberdade só lhe deve ser concedida na medida que o
filho for adquirindo capacidade para usar dela sem prejudicar a outrem. A lei
de conservação social proíbe a escravidão, pois não há justificação alguma para
escravizar o nosso semelhante e é injustiça
sob todos os pontos de vista: econômico, filosófico, social e religioso.
VI-PORQUE FAZER A
AÇÃO SOCIAL
1-A BENEVOLÊNCIA
SOCIAL É UM BOM TESTEMUNHO DE CRISTO
Em
vários lugares no novo testamento esta subtendido que o cristão deve fazer o
bem social como um bom testemunho da sua fé. Isto esta subtendido nas razões de
Paulo para obedecer os governantes. Disse “é necessário que lhe estejais
sujeitos... por dever de consciência.” (RM 13.5). Pedro escreveu:”Sujeitai-vos
a toda instituição humana, por causa do Senhor... Porque assim é a vontade de
Deus, que pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos (I
PE 2.13,15). Recusar-se a fazer o bem em nome de Cristo é trazer opróbrio sobre
Cristo por omissão.
2-O BEM SOCIAL PODE
AJUDAR A GANHAR OS HOMENS PARA CRISTO
Há
indicações claras nas escrituras de que o bem social pode ser usado como meio
de alcançar os homens com o bem espiritual de evangelho. O apóstolo escreveu:
“Eu procuro em tudo
ser agradável a todos... para que sejam salvos... “ (I CO 10.33). Em outro
contexto diz: “Fiz-me tudo para com todos, com fim de, por todos os modos,
salvar alguns”. (I CO 9.22). Faz bom sentido, que os homens serão mais
receptivos ao pão espiritual da vida se lhes for dado algum pão físico para seu
corpo. As missões cristãs de salvamento e os missionários médicos já
demonstraram a eficácia desse raciocínio.
3-FAZENDO O BEM POR
AMOR A ELE MESMO
Parece
que o bem social deve ser feito para Cristo, a Cristo, e para ganhar os homens
para Cristo, mas devem em qualquer tempo ser feito por amor a si mesmo? O
cristão deve ter uma razão evangélica para fazer o bem social? Tudo deve ser
dirigido para ganhar os homens para Cristo ou obter um galardão de Cristo? Se o exemplo de Cristo for seguido, logo a
resposta é claramente: não! Jesus praticava o bem social por amor a este
próprio bem. Curou 10 (dez) leprosos, sabendo que somente um deles voltaria
para agradecer (LC 17.13). Além disso, Jesus insistia em que se fizeste o bem
aos inimigos que não retribuiriam o favor (MT 5.43,44) e aos mercenários que
não poderiam pagar a bondade (LC 14.12,13). O cristão, seguidor de Cristo, deve
fazer qualquer bem que puder, meramente porque é o bem, quer alguém o aprecie
ou seja levado a Cristo, quer não. O amor de Jesus por Judas, embora soubesse
que Judas o trairia, é exemplar nesse aspecto.
7-A VERACIDADE EM
RELAÇÃO A REPUTAÇÃO DO PRÓXIMO
A
reputação é uma das coisas mais preciosas que o homem possui e por isso mesmo
devemos ter o máximo cuidado com a reputação do nosso próximo. A reputação é o
que os outros dizem que somos, ao passo que o caráter é aquilo que o homem é.
Assim como nossa reputação está em mãos de outrem, não temos o direito de
atribuir a uma pessoa boa reputação quando seu caráter é mau. Do outro lado, a
lei de conservação social proíbe falso testemunho, detração, calúnia, e a
inveja, pois esses são os instrumento pelos quais o homem procura desmanchar a
reputação do próximo.
O FALSO TESTEMUNHO
É
o que se presta perante a autoridade civil depois de haver feito juramento e é
condenado, não só somente porque despreza as reações humanas, mas é também por
ser afronta a Deus, visto que o juramento foi feito.
DETRAÇÃO
É
talvez o meio mais comum de injúria á reputação de uma pessoa, pois consiste em
“coisinhas”. O detrator revela segredos. Na vida há coisas que não há
necessidade ou não podem ser divulgadas. O detrator é o fofoqueiro que, muitas
vezes, além de espalhar o que se sabe ou descobriu, delata o seu próximo e
ainda costuma acrescentar coisas por sua própria conta. Esse acrescentamento
faz parte da calúnia. A detração estraga o bom nome de uma pessoa e a coloca
mal vista e ás vezes em perigo.
A CALÚNIA
Consiste
em prejudicar a boa reputação de uma pessoa pela mentira, porque pela verdade
não se pode caluniar a ninguém. Portanto, o caluniador cai em dois erros
graves: o de mentir e o de prejudicar a boa reputação de seu semelhante.
A INVEJA
É
a fonte de muitos males que prejudicam a reputação de nosso semelhante. É um
vício que se esconde sempre em corações mesquinhos. A pessoa que alimenta a
inveja confessa a sua inferioridade, pois ela só tem inveja de quem é
reconhecidamente melhor que ela.
1-NÃO FALE MAL DOS
COMPANHEIROS
Se
não podemos falar bem de alguém pelo menos não falemos mal. Tiago, o escritor
sacro, que defendeu o cristianismo positivo, isto e, a moral cristã em termos
de boas obras, fez esta exortação, que é uma grave advertência:
“Irmãos, não fale mal
um dos outros. Aquele que fala mal do seu irmão, ou seja, julga seu irmão, fala
mal da lei. Ora, se julgas a lei, não é observador da lei, mas juiz.” (TG
4.11).
Se
isso é verdade em relação ao crente muito mais o é quando se trata de um
ministro de evangelho, que tem maior conhecimento bíblico e
conseqüentemente, maior parcela de
responsabilidade perante Deus e a igreja. Falar mal do companheiro ou do colega
é antiético e antibíblico. E cria situações embaraçosas para o próprio
ministro. Paulo, em RM 14.19 diz: “Sigamos, pois as coisas que servem para a
paz e para edificação de uns para com os outros.
O
ministro deve dar toda honra possível a seus colegas, nunca falando mal de
qualquer um deles, principalmente daqueles que antecederam no pastorado. Essa
exortação é válida e está embasada em princípios cristãos e éticos. Além do
mais, refrear a língua preserva a saúde e é prova de autocontrole e de uma vida
espiritual.
VIII-A ÉTICA E A VERDADE
O
sacerdote de Cristo quando mente, ou melhor dizendo, vive mentindo, em que pese
dize-lo, perde sua condição de sacerdote vocacionado por Deus e passa a ser um
sacerdote biônico, um oportunista. Nada justifica a mentira nos lábios de um
crente, especialmente, quando se trata de um ministro do evangelho. Quando um
sacerdote falta com a verdade e mente, conseqüentemente perde sua força mora e,
além disso, passa a ter dramas de consciência em relação a Deus na vivência na
comunhão do espírito.
As
chamadas mentiras brancas ou amarelas não passam de uma farsa e merecem o
repúdio dos filhos de Deus, são meros sofismas
forjados pelo pai da mentira para embotar a consciência cristã. Paulo
recomenda aos diáconos para não terem língua dobre, isto é, que sejam de uma só
palavra (I TM 3.8). Os ministros, sem nenhuma dúvida, são contemplados nesta
recomendação proibitiva. Falando aos discípulos o Senhor Jesus fez esta
admoestação: Seja, porém, o vosso falar sim, sim, e não, não, porque o que
passa disso é procedência maligna. (MT 5.37).
O
sábio Salomão sob inspiração divina escreveu esta advertência: A testemunha
verdadeira livra a alma, mas o que desboca em mentira é enganador (PV 14.25). A
bíblia diz que Deus aborrece a língua mentirosa (PV 6.16,17). E mais: “O que
profere mentira, não escapa.” (PV 19.5). Escrevendo aos efésios Paulo fez essa
recomendação: “Deixais a mentira e falem a verdade cada um com seu próximo.(EF
4.25)”.
Aos
obreiros do Senhor: Atentai para esta palavra, de ordem emanada do altíssimo
“Eis as coisas que deveis fazer: falai a verdade cada um com seu próximo,
executai juízo nas vossas portas segundo a verdade, em favor da paz.” (ZC
8.16). Fugir a essas normas bíblicas é de todo desaconselhável, porque “...Nada
podemos contra a verdade senão em favor da própria verdade” (II CO 13.8).
XIX-TENHA LINGUAGEM
SÃ
O
obreiro que tem a experiência da regeneração e se santifica além dos cuidados
em relação ao seu corpo, deve ter linguagem sã, ungida e santificada pelo
Espírito Santo. Escrevendo a igreja de éfeso,
Paulo recomenda que não deveria haver entre eles conversas vãs ou
chocarrices, coisas essas inconvenientes, antes pelo contrário, ações de graça
(EF 5.4). Se ao crente comum, leviandades dessa espécie na linguagem são
totalmente proibidas, que dizermos em relação aos ministros de Deus. Aos quais
tem o dever sagrado de ser padrão dos fiéis na palavra, no procedimento e na
pureza (I TM 4.12).
O
obreiro evangélico, em face das muitas advertências da palavra de Deus, não
deve contar piadas irreverentes que envolva coisas sagradas e, especialmente, o
nome de Deus, que é três vezes santo. O terceiro mandamento traz uma
advertência que inspira temor, o qual está empregado nos seguintes termos: Não
tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente
aquele que toma o seu nome em vão (EX 20.7).
O
apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, contrasta a conduta dos filhos da luz,
com o comportamento dos filhos das trevas, não só nos atos, mas também nas
palavras, usando estes termos: não seja
cúmplice nas obras infrutíferas das trevas, antes, porém, reprovai-as porque o
que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha (EF 5.11,12). Em CL 4.6,
encontramos o seguinte registro: a vossa palavra seja sempre agradável,
temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um. Falando aos
discípulos o Senhor Jesus disse: “Tende sal em vós mesmos” (MC 9.50). Essa
metáfora significa linguagem sã, pura, compatível com a dignidade do evangelho,
convém lembrar a exortação de Paulo aos crentes em éfeso: ”Não saia de vossa
boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação
conforme a necessidade, e assim transmita graça (graça divina) aos que ouvem”
(EF 4.29).
TOXICOPATOLOGIA
TOXICOPATOLOGIA
CONHECIMENTOS BÁSICOS
MACONHA
O
primeiro registro do uso de cannabis aparece no livro Book of Drugs, escrito em
2737 ac, pelo imperador chinês Sheb
Nung, ele prescrevia cannabis para tratamento de gota, malária, dores
reumáticas e doenças femininas,
aparentemente os chineses tinham muito respeito pela planta.
Cannabis
Satina, a planta da maconha cresce vigorosamente em várias regiões do mundo. A
maconha contém um grande número de concentração em THC que determina a potência
dos efeitos.
A
concentração do THC também varia entre as três formas mais comuns de cannabis
satina, a maconha, o haxixe e o oléo de hash.
A
maconha é a forma mais comum e utilizada no Brasil, é a mistura das folhas,
sementes, caules e flores secas da planta.
O
haxixe é uma resina extraída da planta seca e das flores. É cinco a dez vezes
mais potentes do que a maconha comum.
O
óleo de hash é uma substância viscosa ainda mais potente cujo THC é extraído do
haxixe ou da maconha com uso de um solvente orgânico, esse extrato é filtrado e
muitas vezes purificado.
VIAS DE ADMONISTRAÇÃO
Fumar
maconha é o método mais comum de ser utilizado. A maconha tem uma aparência
marron-esverdeada, apresenta folhas secas é e mais comumente fumada num papel
de cigarro ou de seda. O produto final tem aspecto de cigarro e é conhecido
como “baseado”. Às vezes, a maconha é misturada com tabaco e fumado como
cigarro.
O haxixe é mais comumente fumado em
um cachimbo. Com ou sem tabaco. O óleo de Hash é utilizado de maneira mais
econômica em razão de sua alta potência psicoativa. Algumas gotas podem ser
colocadas no cigarro ou cachimbo ou o óleo pode se aquecido e seu vapor
inalado.
EFEITO DE USO AGUDO
ABSORÇÃO, METABOLISMO
E EXCREÇÃO
O
THC é rapidamente absorvido dos pulmões para a corrente sanguínea, onde atinge
um pico de concentração de 10 minutos após ter sido inalado. Porém, o declínio
da concentração sanguínea é igualmente rápido: apenas de 5 a 10% dos níveis
iniciais permanecem após 1 hora. Isso só deve ao rápido metabolismo e a
distribuição da substância no cérebro e outros tecidos. A absorção será muito
mais lenta se o THC tiver sido ingerido oralmente, e o estabelecimento dos
efeitos pode demorar 1 hora ou mais e permanecer por mais 5 horas.
O
metabolismo do THC começa imediatamente nos
pulmões (se tiver sido inalado) ou no intestino (se ingerido oralmente),
mas a maior parte da substância é absorvida pela circulação sanguínea e levado
ao fígado, onde é convertida em metabólitos. Um destes metabólitos e 20% mais
potente que o THC e penetra no cérebro rapidamente.
EFEITOS FARMACOLÓGICO
O THC afeta primeiramente o
funcionamento do sistema cardiovascular e do sistema nervoso central. O aumento
da pulsação é seu efeito fisiológico mais observado. O THC e outros
canabinóides agem por meio de receptores específicos nos sistemas nervoso e
central e periférico. A presença do THC agem no sistema nervoso central
hiperestimula o funcionamento do sistema canabinóide, cujos receptores estão
distribuídos pelo córtex, hipocampo, hipotálamo, cerebelo, amídala, girode
cíngulo anterior e gânglios de base. Como resultado desencadeam-se alteraçãoes
cognitivas (afrouxamento das associações, fragmentação do pensamento, confusão,
alterações na memória de fixação, prejuízo da atenção, alteração de humor,
exacerbação do apetite e dificuldades de coordenação motora em vários graus.
EFEITOS PSICOATIVOS
A principal razão para um uso tão
indeterminado da maconha é a sensação de “barato” que os usuários experimentam:
trata-se de um estado alterado de consciência caracterizado por mudanças
emocionais, como euforia moderada e relaxamento, alterações perceptivas, como
distorção do tempo, e intensificação das experiências sensoriais simples como
comer, assistir a filmes, ouvir música e ter relações sexuais. Quando a maconha
é utilizada num contexto social, essas experiências são acompanhadas de
risadas, fala excessiva e aumento da sociabilidade. Nem todos os efeitos da
maconha são agradáveis. Ansiedade, disforia, pânico e paranóia são os efeitos
indesejáveis mais comumente relatados por usuários não familiarizados com seus
efeitos. Sintomas psicóticos, como delírios e alucinações podem ocorrer com o
uso de altas doses.
PRINCIPAIS EFEITOS DO
USO AGUDO DA MACONHA
GERAIS
Ø Relaxamento
Ø Euforia
Ø Pupilas dilatadas
Ø Conjuntivas
avermelhadas
Ø Boca seca
Ø Aumento do apetite
Ø Rinite
Ø Faringite
NEUROLÓGICOS
Ø Comprometimento da
capacidade mental
Ø Alteração da
percepção
Ø Alteração da
coordenação motora
Ø Maior risco de
acidentes
Ø Voz pastosa (mole)
CARDIOVASCULARES
Ø Aumento dos
batimentos cardíacos
Ø Aumento da pressão
arterial
PSIQUICOS
Ø Despersonalização
Ø Ansiedade / confusão
Ø Alucinações
Ø Aumento do risco de
sintomas psicóticos entre aqueles com história pessoal ou familiar anterior
COMPLICAÇÕES FÍSICAS
Como
o uso crônico da maconha prejudicam a imunidade das células de roedores.
Substâncias da maconha prejudicam os alvéolos, afetando o sistema imunológico.
A maconha por sua vez causa danos aos sistemas:
Ø Cardiovascular
Ø Respiratório
Ø Produtor
Ø Câncer
COMPLICAÇÕES PSIQUICAS
O
número substancial em indivíduos que desenvolvem sintomas psicóticos após o uso
é muito freqüente. Os sintomas mais comuns são: confusão, alucinação
(principalmente visuais), delírios, habilidade emocional, aminésia,
desorientação, despersonalização e sintomas paranóides. Estas reações ocorrem
após um uso pesado da droga. Na maioria dos casos estes sintomas desaparecem
com a abstinência.
O uso crônico da maconha pode
precipitar a esquizofrenia em indivíduos vulneráveis. O uso da maconha pode exacerbar os sintomas de
esquizofrenia.
Os portadores de esquizofrenia podem
fazer uso de maconha como forma de medicar os sintomas desagradáveis,
associados ou os efeitos colaterais dos neurolépticos utilizados no tratamento,
tais como depressão, ansiedade, letargia e anedonia.
PRINCÍPIOS GERAIS DE
TRATAMENTO
Não existe caso de morte por
intoxicação confirmado na literatura médica mundial por THC para matar um adulto. Mas os sintomas
desagradáveis que podem acompanhar o uso são ansiedade, pânico, medo intenso,
disforia e reações depressivas. Comadres psicóticos agudos tem sido descritos
tanto em usuários crônicos como em principiantes, e os sinais e sintomas
freqüentes são inquietação motora, insônia, “fuga” de idéias leves, alterações
do pensamento.
O reasseguramento psicológico e a
orientação para a qualidade, feita por amigos e familiares, costumam ser
suficientes.
Os benzodiazepínicos podem ser úteis
nos quandros ansiosos agudos, assim como psicóticos, se associados a algum
neuroléptico. E a internação em clínicas de especialidades para a
desintoxicação.
COCAÍNA
E CRACK
VISÃO GERAL
O
uso da cocaína começou nos países andinos (Peru, Bolívia, Equador e Colômbia).
Há mais de 2000 anos, seu isolamento químico foi feito por um alemão, chamado
Albert Niemann, cujo trabalho foi publicado em 1860. O uso mais difundido gera
uma série enorme de complicações relacionadas que passaram a ser descritas pela
literatura médica. Tais evidências levaram os Estados Unidos a proibirem seu
uso e a cocaína quase desapareceu no começo do séc. XX. Seu reaparecimento
acontecei na década de 1980, como droga de elites econômicas. Na década de 1980
o consumo de cocaína aumentou muito e várias razões contribuíram para isso. O
aumento da oferta, a redução do custo e a diversificação nas vias de
administração (além de aspirada, a cocaína passou a ser injetada e fumada).
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO
A produção da cocaína começa com as
folhas de coca e passa por vários estágios até chegar a forma de cloridrato de
cocaína, que é a droga na forma de sal, vendido como pó. A cocaína em pó não
pode ser fumada, pois é volátil, ou seja, grande parte da sua forma ativa é
destruída a altas temperaturas. Para poder ser fumada, o sal da cocaína precisa
retornar a forma de base, neutralizando-se o cloridrato ou a parte ácida. O
produto resultante é conhecido como crack ou cocaína freebase. Assim, o crack
não é uma droga nova, é uma forma de cocaína que pode ser utilizada pela via
pulmonar. Sua grande vantagem, do ponto de vista do usuário, é que a absorção
via pulmonar é mais rápida e produz, aparentemente um efeito mais intenso.
A cocaína pode ser usada por
diferentes vias de administração: oral, intranasal, injetável e pulmonar.
No Brasil a forma mais comum de uso
da cocaína era a via nasal. No final da década de 1980 a via injetável passou a
predominar. Já no ano de 1995 a maioria dos pacientes usava predominantemente a
cocaína na forma fumada (crack).
EFEITOS DO USO AGUDO
Quando a cocaína é tomada oralmente
(mascada) sua absorção é lenta e incompleta, requer mais de 1 hora e 75% da
droga é rapidamente metabolizada no fígado. Somente 25% da droga alcança o
cérebro.
A cocaína aspirada também é
absorvida por dois motivos: somente uma pequena quantidade atravessa a mucosa
nasal, e o vaso de constrição gerada pela própria cocaína, absorvendo de 20 a
30% da droga, os efeitos duram entre 30 e 60 minutos.
A cocaína injetada
cruza todas as barreiras de absorção e alcança a corrente sanguínea
imediatamente, o tempo propício para atingir a região cerebral e instalar seus
efeitos é de 30 a 60 segundos, produzindo um rápido, poderoso e breve efeito.
Entretanto, para os consumidores
ainda mais compulsivos é a via de administração pulmonar.
A absorção da cocaína
vaporizada e fumada é rápida e quase completa. Os seus efeitos se instalam em
segundo e duram 5 a 10 minutos. Por esta razão o uso do crack gera uma
dependência mais rápida que o uso endovenoso.
EFEITOS PSICOATIVOS
Os efeitos estimulantes da cocaína
parecem aumentar as habilidades físicas e mentais dos usuários. Eles
experimentam euforia, exaltação da energia e da libido, diminuindo o apetite,
exacerbação do estado de alerta e aumento da autoconfiança. Altas doses de
cocaína intensificam a euforia, agilidade, a verbosidade, os comportamentos
estereotipados e alteram o comportamento sexual.
PRINCIPAIS EFEITOS DO
USO AGUDO DA COCAÍNA E DO CRACK
GERAL-PSICOLÓGICO
Ø Euforia
Ø Sensação de bem estar
Ø Estimulação mental e
motora (ficar ligado)
Ø Aumento da auto
estima
Ø Agressividade
Ø Irritabilidade
Ø Inquietação
Ø Sensação de anestesia
GERAL FÍSICO
Ø Aumento do tamanho
das pupilas
Ø Sudorese
Ø Diminuição do apetite
Ø Diminuição da
irrigação sanguínea nos órgãos
NEUROLÓGICO
Ø Tiques
Ø Coordenação motora
diminuída
Ø Derrame cerebral
Ø Convulsão
Ø Dor de cabeça
Ø Desmaio
Ø Tontura
Ø Tremores
Ø Tinido no ouvido
Ø Visão embaraçada
PSIQUICO
Ø Desconfiança e
sentimento de perseguição (paranóia)
Ø Depressão (efeito
rebote da intensa excitação)
SOCIAL
Ø Isolamento
Ø Falar muito
Ø Desinibiçâo
RESPIRATÓRIO
Ø Parada respiratória
Ø Tosse
COMPLICAÇÕES FÍSICAS
Como se viu, a
cocaína e outros estimulantes são amplamente distribuídos por todo o corpo e as
maiores concentrações acontecem no cérebro, baço, rins e pulmões.
CARDIOVASCULARES
Ø Hipertensão
Ø Arritimias
Ø Cardiomiopatia e
miocardite
Ø Infarto de miocárdio
Ø Isquemia do miocárdio
Ø Endocardite
SISTEMA NERVOSO
CENTRAL
Ø Dores de cabeça
Ø Convulsões
Ø Hemorragias cerebral
Ø Infarto cerebral
Ø Edemia cerebral
Ø Atrofia cerebral
Ø Encefalopatia tóxica/
coma
Ø Transtorno dos
movimentos (tiques, reações distônicas, coreias)
Ø Abcessos cerebrais
GASTRINTESTINAIS
Ø Náuseas, vômitos,
diarréias
Ø Anorexia
Ø Má nutrição
Ø Isquemia intestinal
Ø Perfuração do duodeno
CABEÇA E PESCOÇO
Ø Ulceração da gengiva
Ø Midríase
Ø Erosões no esmalte
dentário
Ø Alterações no olfato
Ø Rinite crônica
Ø Perfuração do septo
nasal
SISTEMA RENAL
Ø Falha aguda renal
SISTEMA RESPIRATÓRIO
Ø Tosse crônica
Ø Dores torácicas
Ø Hemoptisse
Ø Pneumotórax
Ø Hemopneutórax
Ø Pneumomediastino
Ø Pneumopericárdio
Ø Asma
Ø Lesões nas vias
aéreas
Ø Deterioração das
funções pulmonares
Ø Edema pulmonar
Ø Ulceração ou
perfuração do septo nasal
Ø Sinusite
Ø Colapso nasal
INFECÇÕES DECORRENTES
DO COMPARTILHAMENTO DE SERINGAS
Ø HIV
Ø Hepatite B e/ou C
Ø Tétano
OUTROS
Ø Hipertemia
Ø Morte súbita
Ø Disfunções sexuais
OVERDOSE
Uma dose
suficientemente alta pode levar á falência de um ou mais órgãos do corpo,
levando á overdose, que pode acometer qualquer tipo de usuário (crônico,
eventual, iniciante). A dose letal de cocaína depende da via de administração,
para o uso oral é de1 a 1,2 g de cocaína pura. O mais importante parece ser o
qual rápido acontece o aumento dos níveis da droga no cérebro.
A
overdose acontece em duas fases:
Uma excitação inicial
é seguida por fortes dores de cabeça, náuseas, vômitos e convulsões severas. A
esta fase segue-se á morte, pode ser muito rápida de 2 a 3 minutos ou durar
cerca de meia hora. Alguém que sobrevive por mais de 3 horas tem maior
probabilidade de algum dano cerebral devido a falta e oxigenação.
COMPLICAÇÕES
PSIQUIÁTRICAS
Altas
doses de cocaína podem provocar alterações severas de comportamento devido ao
prejuízo da capacidade de perda da memória causando uma sensação intensa de
medo ou paranóia podendo levar o indivíduo a recorrer á violência,
manifestações psicóticas, alucinações e delírios podendo levar ao suicídio.
COMPLICAÇÕES SOCIAIS
As
pessoas que usam drogas inicialmente para reduzir a inibição social e promover
a comunicação interpessoal, o uso pode provocar a paranóia prejudicando todo
seu convívio social.
Ø Menor participação
social
Ø Prejuízo da
capacidade para o trabalho
Ø Comportamento
violento
Ø Atividades criminosa
como furtos
Ø Comportamento sexual
de risco e infecções
Ø Rompimento de
vínculos familiares
SÍNDROME DE
ABSTINÊNCIA
Após
o último uso da droga 12 horas ocorre uma drástica redução do humor e da
energia corporal. O usuário experimenta o craving (fissura), depressão,
ansiedade e paranóia. O craving por estimulante diminui de 1 a 4 horas após o
forte desejo de dormir. Esta fase começa de 12 a 96 horas após o crash e pode
durar de 2 até 12 semanas. Decorrendo do aumento do número e da sensibilidade
dos receptadores de dopomina. A extinção ocorre quando completa os sinais e
sintomas físicos. O craving é o sintoma residual que aparece eventualmente,
condicionando lembranças do uso e seus prazeres, seu desaparecimento pode durar
meses ou anos.
PRINCIPAIS COMORBIDADES
É comum encontrarmos
usuários de cocaína com sintomas psiquiátricos como:
Ø Transtornos afetivos
Ø Transtornos de
ansiedade
Ø Transtornos de
personalidade
Ø Esquizofrenia
Ø Transtorno de déficit
da atenção e hiperatividade
TRATAMENTO
FARMACOLÓGICO DA DEPENDÊNCIA DA COCAÍNA
A
farmacoterapia não é para todos os usuários da cocaína e deve ser reservada
para aqueles cujos sintomas respondem ‘as medicações. Os medicamentos adjuntos
utilizados na dependência da cocaína são:
Ø Agentes
dopominérgicos
Ø Agentes antidepressivos
Ø Agentes
antipsicóticos
Ø Agentes
antiepiléticos
Ø Internações clínicas
ÁLCCOL
VISÃO GERAL
O
uso do álcool é destacado na virada do século XVIII para o século XIX, após a
revolução Industrial. A produção do álcool a que o homem estava acostumado até
o século XVIII era artesanal e predominava, portando, as bebidas
fermoiadas (vinho e algum tipo de
cerveja). Com a revolução industrial inglesa, passou-se a produzi-las em
grandes quantidades que diminuiu seu custo. Além disso, desenvolveu o processo
de destilação dos fermentados. Técnicas capazes de aumentar muito as contrações
alcoólicas, portanto todas essas mudanças permitiram que um número muito maior
de pessoas, passase a consumir álcool com freqüência. Também é caracterizada a
dependência do tabaco sendo determinada por processo biológico,
comportamentais, psicológicos e sócio-culturais.
EFEITOS DO USO AGUDO
Absorção, excreção e
metabolismo do álcool.
O álcool ingerido via
diretamente para estômago, onde uma pequena quantidade é absorvida, a maior parte
vai para o estômago para o intestino delgado, onde também será absorvido. Em
ambos os casos o álcool atravessa as “paredes” e alcança a corrente sanguínea.
Na corrente sanguínea
é distribuída por todo o corpo. È solúvel tanto em água, quanto em gordura e,
por isso acumula-se nos tecido com maiores quantidades de água e pode
atravessar a placenta até a circulação fetal. Órgãos com alta perfusão
(cérebro, pulmões e rins) apresentam níveis alcoólicos mais elevados que os
tecidos com pouco fluxo sanguíneo (músculos). O tempo necessário para atingir a
concentração máxima no sangue varia de 30 a 90 minutos, dependendo de
determinado fatores. Concentrações alcoólicas mais elevadas e a presença do
dióxido de carbono e bicabornato em bebida efervescente aumentam a absorção.
Se o estômago estiver
vazio, a absorção é mais rápida, se estiver cheio é mais lenta, mas em ambos os
casos todo álcool será absorvido.
Quando o álcool sofre
o processo de metabolismo no corpo humano que se converte em substâncias
tóxicas, a primeira passagem para este processo é no estômago, mas de 90% a 98%
do álcool é metabolizada no fígado, que tem uma capacidade limitada.
Isso significa que
até que o fígado tenha tempo de metabolizar toda a quantidade ingerida, o
álcool ficará circulando por todo o corpo, inclusive pelo cérebro.
O caminho mais
importante de metabolização de álcool no fígado é a oxidação.
EFEITOS
FARMACOLÓGICOS DO ÁCOOL DOS DIVERSOS APARELHOS
SISTEMA
CARDIOVASCULAR
Os efeitos do álcool sobre a
circulação são pequenos, doses moderadas causam um pequeno aumento temporário
no ritimo cardíaco e vasodilatação, especialmente na pele, provocando rubor
facial. A pressão arterial, o débito cardíaco e a força de contratilidade
cardíaca não são significantes afetados por quantidades moderadas de álcool,
sendo que grandes doses, provocam um aumento do fluxo sanguíneo cerebral.
TEMPERATURA CORPOREA
Quantidade moderada de álcool podem
levar a vaso-dilatação periférica e sudorese. A sudorese aumentada pode, por
sua vez levar a perda de calor e a uma queda na temperatura corporal.
TRATO GASTRINTESTINAL
O álcool pode estimular a secreção
gástrica pela excitação reflexa dos terminais sensoriais na mucosa bucal,
gástrica e por uma ação indireta sobre o estômago, possivelmente envolvendo a liberação
da gastrina. Bebidas com alta concentração alcoólica causam inflamação do
revestimento do estômago e produzem uma gastrite erosiva. A intoxicação
alcoólica causa a parada das funções gastrintestinais secretoras e motoras.
RINS
O álcool diminui a secreção de um
hormônio antidiurético. O efeito diurético provocado é proporcional á
concentração de álcool no sangue. O álcool não causa prejuízos à estrutura ou
funcionamento dos rins.
RESPIRAÇÃO
Quantidades
moderadas de álcool podem estimular ou deprimir a respiração, sendo que,
grandes quantidades produzem depressão respiratória.
SISTEMA NERVOSO
CENTRAL.
Os
efeitos do álcool sobre o sistema nervoso central dependem da dose e do ritmo
de aumento da concentração alcoólica no sangue.
Ø 30mg% afetam a habilidade de dirigir veículos
Ø 50 a 100 mg% provocam
mudanças de humor e comportamento
Ø 150 a 300 mg% geram
perda do autocontrole (coordenação motora e da fala)
Ø 300 mg% evidencia intoxicação.
Indivíduos não tolerantes com
concentração de 300 ou 500 mg% estarão gravemente intoxicados (intoxicação
alcoólica aguda), podendo seguir-se estupor, hipotermia, hipoglicemia,
convulsões, depressão dos reflexos depressão respiratória, hipotensão, coma e
morte.
EFEITOS PSICOATIVOS
DO ÁLCOOL QUE FAVORECE A DEPENDÊMCIA.
REDUÇÃO DA ANSIEDADE
O
álcool é um potente ansidrístico e este efeito parece ser amplamente mediado
por sua ação sobre o receptor gaba-a Agudamente, o álcool intensifica a ação do
ácido gama-aminobutírico (Gaba), o neurotransmissor inibitório mais importante
do sistema nervoso central.
O
álcool também tem uma ação anestésica e pode induzir a aminésia, a qual ocorre
em concentração subanestésica da droga.
Algumas
pessoas bebem para “esquecer” seus problemas, mas o que ocorre, é uma certa
tendência a aumentar a rigidez na forma de pensar e intensificar os sentimentos
pré-existentes. Assim, uma pessoa triste ficaria ainda mais triste. O álcool
faz com que os processos mentais ocorram na forma “preto ou branco”, ou a
pessoa está muito alegre, ou muito triste, ou muito dócil, ou muito agressiva.
AS DOENÇAS HEPÁTICAS
ALCOÓLICAS
Os
danos ao fígado constituem as conseqüências mais sérias do consumo excessivo de
álcool. Mudanças irreversíveis tanto na estrutura quanto no funcionamento do
fígado são comuns. A maioria das mortes (75%) atribuídas ao alcoolismo é
causada por cirrose.
a-Fígado gorduroso: o
fígado aumenta a produção da gordura e o tamanho do mesmo, podendo apresentar
queixas inespecíficas de mal estar, cansaço, náuseas ou testes anormais de
funções hepáticas, ocasionalmente pode levar a icterícia obstrutiva.
b-Hepatite alcoólica:
inflamação crônica do fígado, cujos sintomas são: perdas de apetite, dores
abdominais, náuseas, perda de peso. As graves tem 60% de probabilidade de levar
a morte.
c-Cirrose alcoólica:
Ocorre quando o tecido hepático se enche de cicatrizes, prejudicando a
arquitetura normal do fígado, podendo levar a insuficiência hepática ou a uma
compressão dos vasos sanguíneos. Uma vez que a cirrose começa, é irreversível.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
a-Arritimia:
Perturbação do ritimo cardíaco normal.
-Hipertensão: O
álcool é o segundo maior fator de risco (não genético)
c-Doenças Vascular
cerebral ou derrame
d-Doença cardíaca
coronariana
e-Miocardiopatia
alcoólica: doença do músculo do coração caracterizada por um coração aumentado
e disfunção na contratilidade.
EFEITOS DO USO
CRÕNICO
Com o uso prolongado
do álcool, várias áreas físicas e psicológicas são afetadas:
-Doenças
respiratórias
-Transtornos
endócrinos
-Transtornos
gastroenterológicos
-Transtornos
metabólicos
-Transtorno do
sistema nervoso central e periférico
-Síndrome fetal
alcoólica
-Doenças de pele
-Supressão do sistema
imunológico
-Alteração do
funcionamento sexual
-Câncer
COMPLICAÇÕES
PSIQUIÁTRICAS
EXPERIÊNCIAS
ALUCINATÓRIAS
O
início da evolução delirante acontece quando e paciente experimenta a súbita e
rapidamente, perturbação na percepção. O grau insight é característico
imediatamente quando o paciente desconfirma a realidade da alucinação. É um
estado convulcional tóxico de curta duração que habitualmente ocorre com o
resultado da redução da ingestão do álcool em indivíduos dependentes com longa
história de uso. As complicações de abstinência alcoólicas classificam em:
alucinações vividas, acentuado tremor, obnulação da consciência e confusão.
Estes sintomas
normalmente ocorre de 20 a 50 horas após a última ingestão.
CONVULSÕES
Ocorrem em cerca de 5 a 15% dos
indivíduos dependentes de álcool, aproximadamente de 7 a 48 horas após a
acessão da ingestão.
As convulsões são generalizadas
tônicocrônicas “grande mal”, estão associadas a perda de consciência, seguidas
por movimentos convulsivos.
ALUCINOSES ÁLCOOLICAS
Alucinação
mais tipicamente auditiva que ocorre após um período de pesado consumo
alcoólico. As alucinações são vividas de início agudo que intui sons de
“chiques”, rugidos, baladas de sinos, cânticos e vozes. Os pacientes expressam
medo, ansiedade e agitação e são decorrentes desta experiência:
-Transtorno psicótico
delirante induzido pelo álcool
-Intoxicação patológica
-Black-out´s
alcoólicos (episódios de aminésias induzidos)
-Depressão
-Suicídio
-Ciúme patológico
-Hipomania
-Ansiedade
-Transtorno de
personalidade
-Transtorno
alimentares
-Esquizofrenia
TABACO
VISÃO GERAL
A
dependência da nicotina tem sido menos estudada que a dependência do álcool e
outras drogas, apesar de ser apontada pela organização mundial de saúde (ONS).
Como o problema da saúde pública número um é a maior causa de morbilidade e
mortalidade em muitos países. No Brasil, estima-se que mais de 200.000 pessoas
morrem por ano devido ao fumo. Os riscos de saúde associadas já haviam sido
reconhecidos desde a década de 1950. Por muitos anos discutiu-se se o uso do
tabaco era ou não uma dependência, uma parte importante de profissionais de
saúde e principalmente a indústria do fumo, relutou em aceitar a caracterização
da nicotina química como droga causadora de dependência. Também é caracterizada a dependência do
tabaco como sendo determinada por processos biológicos, comportamentais,
psicológico e sócio-culturais.
Apesar da fumaça do cigarro conter
mais de 4.000 substância (60 delas são cancerígenas), o fumante busca
especificadamente a nicotina para obter o prazer e o bem-estar. Fumar é um
hábito que começa na adolescência e não devido aos efeitos psicoativos da
nicotina.
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO
A nicotina é principalmente
absorvida pelos pulmões na forma de cigarros. Mas também pode ser absorvida
pela mucosa bucal: com o hábito de mascar rapé úmido ou tabaco, charutos e
cachimbos oferecem absorção tanto pelos pulmões quanto pela mucosa bucal.
EFEITOS DO USO AGUDO
ABSORÇÃO, EXCREÇÃO E
METABOLISMO
A mucosa nasal e bucal da pele e do
trato gastrintestinal, pelos pulmões e absorção é de 90%. Pelas mucosas, chega
de 20 a 50%. A nicotina absorvida dos pulmões é levada ao coração e dali é
rapidamente distribuída por todo o corpo. Uma boa parte do sangue contendo
nicotina vai diretamente para o cérebro eleva cerca de 7 segundos para
alcança-lo. Depois de aproximadamente 30 minutos a nicotina deixa o cérebro e
se concentra no fígado, rins, glândulas salivares, e estômago. A nicotina cruza
muitas barreiras inclusive a placenta, e pode ser encontrada no suor, saliva e
no leite materno.
A metabolização da nicotina é feita
no fígado. Lá é transformada em dois metabólicos inativos, sendo a cutina o
principal deles (usado como coadjuvante no tratamento farmacológico do
tabagismo). A meia-vida da nicotina é variável estimam-se que seja entre 30
minutos e 2 horas.
EFEITOS
FARMACOLÓGICOS
A ingestão inicial da nicotina é
geralmente uma experiência aversiva, com náuseas, dores de cabeça e um mal
estar generalizado, mas a tolerância a esses efeitos desenvolve-se rapidamente.
A nicotina pode estimular, deprimir ou perturbar os sistema nervoso central.
Dependendo da dose e da freqüência de utilização estas ações são mediadas pelos
receptores nicotínicos, que estão distribuídos por todo o cérebro e pela coluna
vertebral.
A ação aguda da nicotina no sistema
nervoso central envolve vários neurotransmissores:
-Liberação de
dopamina, gerando euforia
-Liberação de
noradrenalina, gerando aumento da freqüência cardíaca, náuseas, vômitos,
piloeração e melhora de atenção.
-Liberação da
sertonina, gerando ansiedade
-Liberação de
acetiucolina, gerando melhora de memória
EFEITOS PSICOATIVOS
QUE FAVORECEM A DEPENDÊNCIA
A nicotina promove um rápido e
pequeno aumento do estado de alerta, melhorando a atenção, a concentração e a
memória, ou seja, fumar cigarros de tabaco produz um efeito estimulante rápido,
semelhante aqueles descrito pelos usuários de cocaína/crack.
A sensação de
relaxamento e calma descrita pela maioria dos usuários tem sido atribuída a
inibição de sintomas desagradáveis da síndrome de abstinência em vários
estudos.
Além disso, diminui o
apetite.
EFEITOS DO USO CRÕNICO
COMPLICAÇÕES FÍSICAS
DOENÇAS
CARDIOVASCULARES
-Infário de
miocárdio: O uso de cigarro representa o maior dos fatores de risco.
-Arteriosclerose: O
uso de cigarros é o maior fator de risco
-Aneurisma da aorta
-Ataques de angina
-Doenças coronarianas
CÂNCERES
-Pulmão: de 75% a 85%
dos cânceres de pulmão decorrem de uso de cigarro. O câncer de pulmão é o tipo
de câncer que mais faz vítimas.
-Laringe
-Cavidade uterina
-Esôfago
-Bexiga
-Rins
DOENÇAS PULMONARES
-Enfisema
-Bronquite crônica
-Infecção respiratória
EFEITOS SOBRE O FETO
Fumantes tem risco
maior de:
-Aborto espontâneo
-Crescimento fetal
defeituoso
-Nascimento
pré-maturo
-Morte do neonatal
-Menor peso corpóreo
-Menor circunferência
craniana
-Síndrome de morte
repentina
COMPLICAÇÕES PSIQUIÁTRICAS
O
uso de tabaco é comum entre pacientes psiquiátricos, e é mais prevalente entre
pacientes depressivos e psicóticos.
Fumantes
com história passada ou presente de ansiedade, depressão ou esquizofrenia terão
menor probabilidade de parar de fumar e isso pode ser em decorrência de vários
fatores:
-Dependência e
sintomas de abstinência aumentados
-Carência de suporte
social
-Menores habilidade
de enfrentamento
-O desejo de consumo
pode ser desencadeado por estímulos ambientais relativamente independentes do
estado ou da necessidade fisiológica. É por isso que o indivíduo pode ter um
forte desejo de fumar anos após a interrupção do consumo.
PRINCÍPIOS GERAIS DE
TRATAMENTO
A dependência da nicotina é um
importante fator para manutenção do ato de fumar. No entanto, outros fatores
contribuem para a persistência do uso.
SÍNDROME DE
ABSTINÊNCIA
Principais sinais e
sintomas da síndrome de abstinência da nicotina.
PSICOLÓGICOS
-Humor disfórico ou
deprimido
-Insônia ou
sonolência diurna
-Irritabilidade,
frustração ou raiva
-Ansiedade
-Dificuldade para se
concentrar e manter a atenção
-Inquietação
-Fissura
BIOLÓGICOS
-Frequência cardíaca
diminuída
-Pressão arterial
diminuída
-Aumento de apetite
-Ganho de peso
-Falta de coordenação
motora e tremores
De uma maneira geral
os tratamentos para a dependência de nicotina podem ser agrupados em três
tipos:
-Psicosociais
-Somáticos
-Terapia combinada
(psicosocial e somáticos)
TERAPIAS PSICOSOCIAIS
O
objetivo da terapia comportamental é mudar as cognições anteriores a respeito
do fumo, reforçar o não fumar e ensinar habilidades para evitar o fumo em
situações de risco. Trabalha com técnicas de treinamento de habilidades,
prevenção de recaída, controle de estímulos, redução de nicotina, relaxamento e
feedback fisiológico.
TERAPIAS SOMÁTICAS
As
terapias somática incluem terapia de reposição de nicotina, uso de medicação
que imitam os efeitos da nicotina, uso de antagonistas (para bloquear os
efeitos reforçadores da nicotina) e outras medicações, sendo que as duas
primeiras são as principais formas de tratamento deste grupo.
TERAPIA COMBINADA
O
objetivo da terapia combinada é oferecer tratamento para síndrome de
abstinência e, concomitantemente desenvolver habilidades de não fumar.
O tratamento psicosocial não é
essencial para obter resultados com os tratamentos somáticos. No entanto é
importante notar que a terapia combinada aumenta consideravelmente o número de
pessoas que param de fumar, quando comparada aos tratamentos isolados.
Assim, a combinação da terapia
psicosocial e somática é o tratamento recomendado.
TERAPIA DE REPOSIÇÃO
DE NICOTINA
Objetivo da terapia de reposição de
nicotina é o alívio dos sintomas de abstinência, permitindo ao paciente
concentrar-se nos fatores comportamentais e condicionantes. Essa reposição é
feita através de adesivos transdérmicos, gomas de mascar. Esse tipo de
administração de nicotina deve ser gradualmente reduzido de forma a evitar que
o paciente sofra os sintomas de abstinência.
-Bupropiona:
conhecido como comozyban
-Nortriptilina: conhecido
como pamelor
Ambos são
antidepressivos na ação da nicotina, agindo como anti nicotina, nas regiões do
prazer (sistema de recompensa cerebral).
EVANGELISMO E
MISSÕES
EVANGELISMO
E MISSÕES
O QUE É EVANGELHO?
1-ETIMOLOGIA
A palavra ”evangelho” vem de duas palavras gregas: “eu”, que quer dizer
”bom”, e de angelia, que significa “mensagem, noticia, novas” Assim a palavra
euuangelion que quer dizer “boas novas,
noticias alvissareiras”. Essa palavra aparece tanto no antigo testamento como na literatura extra bíblica.
No hebraico é bessorah, que a
Septuaginta traduziu por euuangelion. Originalmente significava “pagamento pela
transmissão de uma boa noticia”. Com o
tempo passou a ganhar novo significado
no mundo romano de fala grega, em virtude do culto ao imperador, pois a palavra
euuangelion era usada para anunciar o nascimento deste ou a sua coroação.
EUANGELIZOMAI (Aristófanes),
evangelizo, uma que só se encontra no grego posterior juntamente com o substantivo adjetival euuangelion (Homero) e o substantivo euangelos (Ésquilo),
todos derivados de angelos, “mensageiro” (é provável que originalmente fosse
uma palavra iraniana tomada por empréstimo),
ou do verbo angelló, “anunciar” (anjo). Euangelos, “mensageiro”, é
aquele que traz uma mensagem de vitória ou quaisquer outras notícias que causam
alegria.
2-NOVO TESTAMENTO
Esse vocábulo, que e encontrado 76
vezes em todos o novo testamento, só aparece no singular; o verbo euuangelizo,
”evangelizar”, 54; e euuangelistes, “evangelista” 03. O Senhor Jesus Cristo é o
conteúdo do evangelho; sua vinda, seu ministério terreno, seu sofrimento, morte
e ressurreição RM (1.1-7).
É a mensagem de Cristo que salva o
pecador (JO 3.16). É o meio empregado por Deus para a salvação de todo aquele
que crer (I CO 15.2). Só através do evangelho é que o homem conhece a salvação na pessoa de Jesus. O evangelho de Cristo é a
única resposta para este mundo que perece em conseqüência do pecado.
3-OS TRÊS ESTÁGIOS DA PALAVRA EVANGELHO
a- No mundo grego, tinha o sentido de recompensa por
trazer boas novas.
b- No antigo testamento (septuaginta), o vocábulo indica
as próprias boas novas. Aparece em termos proféticos com o mesmo sentido que encontramos no novo
testamento: “Quão suaves são sobre os
montes os pés do que anuncia as boas novas, que
faz ouvir a paz que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (IS 52.7). Veja o seu cumprimento em
RM 10.15.
c) No Novo testamento são as boas novas que falam do
Reino de Deus, da salvação e do
Perdão dos pecados na pessoa de nosso Senhor Jesus
Cristo. É o evangelho da graça de Deus
(AT 20.24).
EVANGELISTAS
Os evangelistas eram os “missionários” pátrios ou estrangeiros. Algumas traduções, como a de Goodspeed, dizem mesmo
“missionários”. Os apóstolos eram evangelistas, e muitos profetas
também o eram, porém, além desses, haviam outros especialmente
talentosos, dotados do dom da fé, da exortação e de outras manifestações
espirituais apropriadas para seu oficio, os quais eram presenteados á igreja para multiplicá-la em número. O grupo
dos evangelistas era aquele que efetuava a missão evangelizadora
da igreja entre os judeus ou os gentios, em posição subordinada aos
apóstolos. Geralmente os evangelistas não estavam limitados a qualquer
comunidade cristã local, mas foram de lugar em lugar, estabelecendo novas
congregações locais, conduzindo os homens à fé e à conversão a Cristo.
O evangelista é alguém especial e completamente capacitado
para comunicar o evangelho e levar
descrentes a Cristo. Ele sempre conduz um número maior de pessoas a
Cristo, e isto, com muito mais facilidade, porque comunica melhor a
palavra da fé. Ele não prega mensagens complicadas, mas simples, com convicção
e objetividade, as quais explodem nos corações dos que o ouvem.
Ele não precisa ser um bom orador, nem
um teólogo, nem trazer mensagem recheadas de coisas novas, isto porque ele é
ungido por Deus para realizar tal tarefa.
A SITUAÇÃO DO PECADOR PERDIDO
Muito grande é o clamor dos perdidos:
“... Passa á Macedônia e ajude-nos!”( AT
16.9).
O mundo jaz no
maligno. Com a entrada do pecado, satanás tornou-se deus deste século (II CO
4.4) e o príncipe deste mundo (JO
14.30). O pecador preso nos laços do diabo, e é dominado como
príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera os filhos da
desobediência (EF 2.2). Dominado totalmente por satanás, o pecador está
entregue a toda sorte de práticas
desagradáveis aos olhos de Deus, faz a vontade da carne e dos pensamentos, é
dominado pelas concupiscências do seu coração e pelas paixões infames.
Os pecadores estão
entregues a um sentimento perverso, para
fazerem coisas que não convém, estando cheios de toda iniqüidade, prostituição,
malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano,
malignidade, sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus,
injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos
pais, néscios, infiéis,
sem
afeição natural,
irreconciliáveis, sem misericórdia (RM 1.28-31).
É devido a essa situação caótica em que se encontram os pecadores, que o Senhor, que não pode
suportar o mal, já tem determinado o castigo dos que se recusarem a receber a
graça de Deus (II PE 2.4-9). Porém, os que crêem são libertos dessa geração perversa e passam a ser
propriedade de Deus, pois foram comprados do mundo como sangue de Jesus,e “os que são de Cristo crucificaram
a carne com as suas paixões e
concupiscências (GL 5.24), e, assim podem viver “...neste presente século uma
vida sóbria e justa e piamente; aguardando a bem-aventurada esperança e o
aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo (TT 2.12,13),
o qual nos levará deste mundo a sua gloriosa mansão, nos céus (JO 14.1-3).
O ESTADO DO PECADOR
1- O pecado tem despojado o pecador dos seus bens
espirituais (RM 3.23), deixando-o caído na estrada da vida,”meio morto” (LC
10.30-35). Pela vida do pecador já tem
passado o levita (V.32), uma figura das filosofias humanas, também pela vida do
sacerdote (V.31), uma figura dos milhões de religiões existentes. Porém, o
homem continua caído, despojado e meio morto. A única pessoa que pode socorrer
o moribundo da estrada foi o bom samaritano que é, primeiramente, uma figura do
Senhor, mas que, também, é uma figura do
crente salvo que, para efetuar esse trabalho, tem em suas mãos os recursos do
azeite(graça), vinho(palavra) e dinheiro(dons).
2-´´...tirou-me dum lago horrível, dum charco de
lodo....(SL 40.2). O pecador está atolado no lodo (pecado), preso pelos laços do diabo (IITM 2.26) e
impossibilitado de sair pelos seus próprios esforços (JO 8.34). Somente o
crente, que já está com os pés firmados na rocha (SI 40.2), poderá ajudá-lo a
sair daquele horrível lugar, para a rocha da nossa salvação: Cristo (EF
2.20,21). Ao aceitar Jesus como salvador, o pecador é tirado da potestade das
trevas para o reino do filho de seu amor
(CL 1.13), das trevas para a luz (I PE 2.9).
3-O pecador está rodeado pelo fogo da condenação (JO 3.8)
e não tem condições, por si, de sair. mas, como o crente já saiu da mesma
condição (JO 5.24; RM 8.1), o Senhor confiou-lhe a urgente tarefa de salvar
alguns, arrebatando-os do fogo (JD 23).
4-Os perdidos estão destinados à morte e estão sendo
levado para a matança (PV 24.11). Deus quer que todo crente não ignore essa
terrível situação dos pecadores (PV 24.12), por isso os incumbiu da realização
do importante trabalho de retirá-los dessa circunstância (PV 24.11).
5-Todos os homens
foram mordidos pela serpente venenosa
chamada pecado (RM 3.23; I JO 1.8) e, como conseqüência, são candidatos à morte
eterna (RM 6.23; AP 21.8). Somente o crente tem o verdadeiro remédio para o pecado: Cristo. Ao crer em Jesus o veneno do pecado é extirpado da vida
do ser humano (JO 1.7,9).
6-´´...Não tenho homem algum que, quando a água é agitada me coloque no
tanque...” (JO 5.7). O pecador está com a enfermidade do pecado (IS 1.6), por
si mesmo não pode chegar no tanque (salvação). Somente o crente poderá fazer
este trabalho (LC 14.22,23).
7-“Rogo-te,pois,ó pai, que o mandes á casa de meu pai.
Pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham
parar neste lugar de tormento” (LC 16.27,28). Como é comovente a situação deste
rico que havia partido para a eternidade sem salvação! Estava agora atormentado
nas chamas (V.24). Diante do pedido acima, foi lhe dito da impossibilidade de
alguém sair de lá de onde ele estava, isto é, do hades, para a terra, a fim de
testificar para seus irmãos. Também lhe foi dito que este trabalho é feito
pelos que estão na terra. A responsabilidade de pregar a palavra foi confiada
aos crentes. Se o pecador crer em Jesus, será salvo e livre da condenação e, ao
partir desta vida irá gozar das delicias do paraíso celestial.
8-”Olhei para a minha direita, e vi, mas não havia quem
me conhecesse: refúgio me faltou, ninguém cuidou da minha alma” (SL142.4).
O pecador está à
espera de alguém que possa cuidar da sua alma. Essa missão foi confiada aos
crentes.
O QUE É EVANGELISMO ?
É a obra do Espírito Santo.
O Espírito Santo é capaz de fazer a
palavra alcançar tanto êxito hoje como nos dias dos apóstolos. Ele pode salvar
as almas ás centenas ou aos milhares, como também de uma em uma, ou de duas em
duas. A razão por que não somos mais prósperos é que não contamos com o
Espírito Santo entre nos,em poder e energia, como nos tempos primitivos.
Se contássemos com o Espírito para
selar o nosso ministério com poder, isso significaria que poucos valores dariam
ao talento humano os homens podem ser pobres e sem estudo, suas palavras
hesitantes e gramaticalmente erradas, porém, se o poder do Espírito as estiver
bafejando, o evangelista mais humilde será mais bem sucedido do que o mais
erudito dos doutores, ou o mais eloqüente dos pregadores.
“É o extraordinário poder de Deus, e
não os talentos humanos,que obtêm a vitória. É da unção espiritual
extraordinária e não de poderes mentais extraordinários, que precisamos. O
poder intelectual pode encher um templo de angústia de alma. O poder intelectual
pode atrair numerosa congregação, mas somente o poder espiritual pode salvar
almas. Precisamos do poder espiritual” (Charles H. Spurgeon).
“ Se o espírito estiver ausente,
poderá haver sabedoria de palavra, mas não a sabedoria de Deus, poderá haver os
poderes da oratória, mas não o poder de
Deus; a demonstração do Espírito Santo, a lógica convincente de seu resplendor,
como a que convenceu a Saulo, próximo à porta de Damasco. Quando o Espírito se
derramou, todos os discípulos ficaram cheios do poder do alto, e a língua menos
culta pôde silenciar os contradizentes e, com suas chamas por novas, foi
queimando e abrindo caminho através de
obstáculos de toda sorte, sopradas por poderosos ventos que varreram florestas”
(Arthur T. Pierson).
Os ministros do evangelho, de fato, precisam
do poder do Espírito Santo, porque sem ele serão inaptos para o ministério.
Nenhum homem é competente para o trabalho do ministério do evangelho mediante
apenas suas aptidões e habilidades pessoais, sua erudição e experiência adquiridas
dos homens. sua eficiência vem do poder do Espírito Santo. Enquanto ele não
houver sido dotado desse poder, a despeito
de todas as suas virtudes e capacidades, terá que esperar até que do
alto sejam revestidos de poder competia aos discípulos esperar em Jerusalém,
até que recebessem a promessa do Espírito
“Mas recebereis a virtude do Espírito
Santo que há de vir sobre vós, e ser-me-eis
testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, até os
confins da terra” (AT 1.18). Antes de os discípulos receberem o batismo no
Espírito santo, ficaram trancados num lugar onde se reuniam com medo dos judeus
((JO 20.19). Também estavam despreocupados com a incumbência que lhes foi dada
para pregar a palavra (JO 21.3). Mas
quando receberam o poder do Espírito Santo o quadro modificou-se totalmente:
-Eles que estavam assentados (AT 2), ficaram
de pé (AT 2.14);
-As portas, que até então estavam fechadas(JO 20.13),
abriram-se e eles saíram ás ruas, ás praças, ás sinagogas, a pregar a palavra;
-Pedro, que chegara a negar vergonhosamente o Mestre (LC
22.54-62), agora podia pregar com coragem e autoridade (AT 2.14).
Realmente, o batismo no Espírito santo capacita o crente
para o glorioso trabalho de ganhar almas, pois o possibilita a pregar com
autoridade e também com graça. Quando o ganhador de almas estiver equipado com
esta ferramenta celestial (II CO 10.4-5), haverá muitas conversões, como fruto
do seu trabalho (AT 11.22-24). O mandamento bíblico neste sentido é:
“...Enchei-vos do Espírito Santo” (EF 5.18).
A relação do evangelista com o
Espírito Santo deve ser algo diferente, até mesmo indescritível, de tudo o que
já se ouviu sobre o assunto. Ele deve ser completamente submergido no Espírito,
submisso à sua direção para ter uma comunhão fora do comum, que fará com que
sua mensagem, sua vida, seus gestos e tudo mais em seu ser se transformem em
poderosas armas de testemunho do poder e graça de Deus.
O evangelista deve ter tal intimidade
com o Espírito que, palavras como “revelação”, “visão” e “poder” serão comuns
em sua experiência e não somente vocabulário. Ele sem esta relação, não passará
de um “alto-falante” espiritual. Embora
ele fale muito bem, explique claramente, ensine coisas muito bonitas,
sem a unção do espírito, não será mais que um bom orador ou mestre.Todavia,
Deus não chamou para tal por isso, proveu o meio para que o evangelista
estivesse sempre ligado á fonte divina de poder transformador: O Espírito
Santo. Sem essa relação não há autoridade, poder, manifestações transformadoras
ou salvação (II CO 13.13).
EVANGELISMO É SOFRER DOR DE PARTO
“Sião, mal sentiu as dores de parto, e
já deu à luz aos seus filhos “ (IS 66.8). Essa é a obra suprema da igreja.
Uma mulher pode dar a luz sem dores de parto?
Pode haver nascimento sem parto? Porém esperamos que no reino de Deus, algo que
não é possível na esfera natural seja possível na espiritual. Precisamos estar
certos que sofreremos dores de parto para gerarmos filhos espirituais.
Finney diz-nos que não tinha palavras
a proferir, mas podia tão somente gemer
e chorar, quando pleiteava perante Deus em favor de uma alma perdida. Ele
experimentava o autêntico aperto da alma.
Poderíamos sentir dor no coração por uma criança que se
afoga, não, porém, por uma alma que parece? Não é difícil que alguém chore
quando percebe que seu pequenino está mergulhando para o fundo do rio pela ultima vez. E quando a angústia e espontânea. Não é difícil, semelhantemente,
que alguém sinta angústia, quando vê a
urna que contém tudo quanto ele amava sobre a terra afastar-se na direção do
cemitério. As lágrimas brotam
naturalmente em tal oportunidade. Porém, entender que almas preciosas,
imortais, perecem ao nosso derredor, precipitando-se irremediavelmente nas
trevas do desespero, perdidas na eternidade, e não sentir angústia nenhuma, não
derramar lágrimas é não conhecer o parto
de alma!são frios os nossos corações? Não conhecemos a compaixão de Jesus? Deus
no-la pode conceder. A falta será nossa se não a recebermos.
“Porque ainda que tenhais dez mil aIos
em Cristo, não tendes, contudo, muitos pais; pois eu, pelo Evangelho, vos gerei
em Cristo Jesus” (I CO 4.15)
Paulo fala da diferença entre os aios
em Cristo;
O termo aqui traduzido por “preceptores” ou “instrutores”
é o mesmo traduzido por aio conforme alguma traduções dizem em GL
3.24, e onde há uma alusão à lei, como o agente que ajuda alguns homens a serem
levados aos pé de Cristo. Aqui estão em vista os “atendentes” de meninos
pequenos, que os acompanhavam na ida e na volta da escola. Usualmente esses
paidagogoi eram escravos relativamente sem importância.
Podiam ser numerosos e podiam ser trocados com
freqüência. Mas havia um único pai, e ninguém poderia tomar seu lugar ou suplantá-lo em importância com relação à criança.
Os dois pronomes, no grego “ego” e “umas”
estão em proximidade enfática. Quem quer que tenha sido o progenitor de outras
igrejas, fui “eu”, quem em Cristo “vos` gerou” (Robertson e plummer, in loc).
Paulo, através da pregação do
evangelho de Cristo, os havia gerado em suas viagens missionárias.
E para gerarmos filhos espirituais precisamos sofrer as
dores de parto,como as mães que depois de um período de nove meses, sofrem
mudanças físicas, emocionais e no final a dor do parto. Mas, quando a criança
nasce, elas esquecem de todas as dores que passaram, restando apenas a alegria
pelo filho que nasceu.
Assim é a recompensa do evangelista.
Após um período de dificuldades e sofrimento para gerar um filho (espiritual)
esquece de todo o sofrimento que passou ao ver uma nova vida nascendo em Cristo
Jesus.
“Aquele que leva a preciosa semente,
andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo seu
molhos”. (SL 126.6).
LEVAR OS PECADORES Á CONVICÇÃO DE PECADO
Nos grandes reavivamentos espirituais
do passado, sempre ocupou lugar de preeminência
uma profunda e autêntica convicção de pecado. Esse é um dos elementos vitais
que, dizemo-lo tristemente, deixou de existir em nossos dias.
Sempre que se manifesta a genuína convicção de pecado,
não há necessidade de exortar, de repreender, de instar ou pressionar na força
da carne. Os pecadores se dobram sem serem forçados a dobrar-se. E humilham-se,
porque não podem agir
de outro modo. Voltam para suas casas, após terem estado nos cultos com
pregação do evangelho, incapazes de comer ou dormir, em face da profunda
convicção de pecado. Não precisam ser repreendidos nem exortados a buscar
alivio para as suas almas.
“Existe um outro evangelho, por demais popular nos dia que correm, e parece excluir
a convicção de pecado e o arrependimento do plano da salvação. Tal evangelho
requer do pecador o mero assentimento intelectual ante o fato de sua culpa e
pecaminosidade. Paralelamente, que haja
um assentimento semelhante, de ordem intelectual, quanto à suficiência da expiação realizada por Cristo.
Uma vez dado esse assentimento, o
pecador que vá para casa em paz, feliz no que concerne à sua
alma. Assim é que os pregadores proclamam: “paz! paz! quando não há
paz”.
Conversões superficiais e falsas,
dessa espécie, podem ser uma explicação, dentre outras, da existência de tantos
indivíduos que se dizem crentes convertidos, mas desonram a Deus e trazem
opróbrio contra a Igreja. Vivem de modo incoerente com sua profissão de fé, em razão de se
deleitarem no mundanismo e no pecado. É necessário que o pecado seja
profundamente sentido, antes de poder ser lamentado. Os pecadores devem sentir
tristeza, antes de receber consolo. As verdadeiras conversões eram comuns
antigamente, e voltarão a ser de novo, quando a igreja sacudir-se e atirar
longe a sua liturgia apegando-se ao poder de Deus, o antigo poder do Espírito,
que vem do alto. Então sim: como no
passado, os pecadores estremecerão ante o terror do senhor”(J.H. Lord)
Pensaríamos em chamar um médico antes
de cairmos doentes? Exortamos aqueles que estão em pleno vigor e em boa saúde
para que se apressem a consultar um médico? O atleta que nada com
perfeição porventura implora ao povo que está na praia que venha salvá-lo de
afogamento, se nem sequer já molhou os pés na água do mar? Claro que não! Porém
basta que a enfermidade se declare, e imediatamente que sentiremos a
necessidade de ir ao médíco. Só então entendemos que precisamos de algum medicamento. E quando o imprudente nadador se
vê exausto e prestes a desaparecer no turbilhão das águas, ao perceber que vai
morrer afogado, não se demora em pedir socorro. É tremenda a agonia que
experimenta a pessoa prestes a afogar-se. Estando sem forças, sabe que, se
ninguém a acudir depressa, fatalmente
perecerá.
O mesmo acontece à alma que perece.
Quando alguém se convence de modo absoluto de sua condição de perdido, põe-se a
clamar na amarga angústia de seu coração: "Que é necessário que eu
faço para me salvar?" Não é
necessário exortação nem incentivo para o pecador convicto salva-se, torna-se a
maior questão, caso de vida ou morte, e estará pronto a fazer qualquer coisa
para esse fim, contanto que seja salvo.
É exatamente essa
falta de convicção do pecado que resulta em reavivamentos espúrios, que
frustram a obra inteira de evangelização. Uma coisa é levantar a mão e assinar
um cartão de decisão, mas outra coisa, inteiramente diferente, é estar
realmente salvo.
As almas precisam ser libertas de modo total e
permanente, para que possam desfrutar a
eternidade, fácil tarefa é contar cem convertidos confessores durante a excitação de uma
campanha, mas é coisa inteiramente diferente voltar ali cinco anos mais tarde,
e encontrar todos esses convertidos ainda firmes no Senhor.
FONTE DE BENEFÍCIO
O evangelismo enche de pessoas
qualquer Igreja. Encheu as igrejas metodistas há mais de duzentos anos. O metodismo nasceu por
causa evangelismo. Esse movimento wesleyano só cresce e têm vida em função do
evangelismo. A igreja de Cristo só é igreja por causa do evangelismo, desde o
dia dos apóstolos. É o que leva as pessoas á salvação. Os novos convertidos vão
ocupando os assentos (até então vazios) das igrejas.
Além disso, o evangelismo resolve o
problema financeiro. Tudo quanto Pedro teve
da fazer foi apanhar o peixe, o dinheiro encontrava-se na boca desse
peixe. Sempre foi assim. Basta que conquistemos os perdidos para Cristo, que
estes suprem os recursos para levar avante a sua obra. É pelo fato de o evangelismo haver-se amortecido, que tantas de nossas
igrejas foram obrigadas a fechar as suas
portas.
A Igreja dos povos não é exceção. Ao
longo dos anos de sua existência, temos conduzido um contínuo e eficiente
ministério de evangelismo, e continuamos a evangelizar. Entoamos hinos de louvor de teor evangelístico e pregamos sermões
que anunciam a salvação em Cristo.
PRESERVAÇÃO CONTRA A CORRUPÇÃO
''Não havendo profecia, o povo se
corrompe...'' (PV 29.18). Quanta verdade! Multidões fervilham por toda parte em
nossa cidades super populosas. Massas humanas que perecem por falta de visão espiritual. Povos sem Cristo.
Pessoas por quem Jesus morreu. Gente que talvez jamais ouça a mensagem da
salvação de Deus, a menos que nós,
crentes recebamos a visão espirituais
das necessidade das massas. Nossos grandes centros populacionais, pelos
quais somos responsáveis diante Deus, desconhecem o evangelho da graça de Deus,
porque nós, os seguidores de Jesus, não temos visão profética. Que faremos
quanto à nossa falha? Quando sentiremos
o peso de nossa responsabilidade? Quando faremos o que nos compete,
sensibilizados pela morte espiritual das multidões sem Cristo? É real a
mensagem desse versículo: ''Não havendo profecia, o povo se corrompe...''
EVANGELISMO É AINDA:
a-INFORMAÇÃO: Evangelismo é uma ação que tem por fim
informar. É preciso que o pecador seja informado a respeito de sua condição de
pecador, da natureza e conseqüência do
pecado em sua vida, do amor de Deus e de sua providência para a salvação de
suas criaturas, o que é necessário fazer para se salvar? Todos os meios possíveis
devem ser usados para que o homem seja informado de tudo quanto diz respeito a
sua situação espiritual e do amor divino para com ele.
b-PERSUASÃO: Não basta
apenas informar. É também preciso persuadir .O pecador deve ser persuadido a
submeter-se a Cristo incondicionalmente.Quem convence o pecador é o
Espírito Santo. O crente é um
instrumento do Espírito para persuadir o pecador.
c-INTEGRAÇÃO: Após a conversão do pecador, ele deve ser
imediatamente integrado a uma igreja, preparado para o batismo, batizado e
matriculado na escola dominical. O
discípulo, neste caso, não é tarefa apenas para o pastor da igreja, mas
de todos os membros que amam as almas perdidas. O crescimento do povo
convertido deve ser uma preocupação de
toda a igreja.
AS ARMAS DO EVANGELISTA
Para realizamos a tarefa de evangelizar é preciso a
utilização sábia de instrumento adequado. O marinheiro usa a bússola, o alfaiate a tesoura, o lavrador o
arado. E aquele que evangeliza, de quais armas precisa? É necessário:
1-ORAÇÃO
'Lemos nas biografias de nossos
antepassados que se mostraram mais bem
sucedidos na conquista de almas, que oravam em secreto durante horas a fio.
Fazemos então uma pergunta: poderíamos obter os mesmo excelentes resultados sem
seguir o exemplo deles? Caso não precisemos orar tanto, provemo-lo ao mundo. Descubramos
um método superior! Caso contrário, em nome de Deus, começaremos a seguir
aqueles que a fé, com paciência, tornaram-se herdeiros da promessa. Nossos
progenitores espirituais choraram, oraram e agonizaram diante do Senhor, em
favor dos ímpios visando a salvação deles, e não descansavam enquanto os
pecadores não fossem feridos pela espada da palavra do Senhor. Esse é o segredo
do êxito retumbante dos gigantes espirituais do passado. Quando às coisas se
paralisavam eles lutavam em oração até que Deus derramasse de seu espírito
sobre os homens, que assim se convertiam.'
Todos os homens de Deus eram poderosos
homens de oração. Somos informados de que o sol nunca surgia no horizonte, na
china sem encontrar Hudson Taylor de joelhos. Não admira, portanto, que a
missão para o interior da china tenha sido tão maravilhosamente usada por Deus.
A
conversão é uma operação efetuada pelo Espírito Santo, e a oração é o
poder que assegura essa operação. As almas não são salvas pelo homem, e sim,
por Deus, e posto que Ele opera em resposta à oração, não temos outra
alternativa além de seguir o plano divino. A oração movimenta o braço divino,
que põe o avivamento em ação.
A oração que prevalece não é fácil. Somente
aqueles que têm estado em conflito com os poderes das trevas sabem que ela é
difícil demais. Paulo escreveu dizendo que
''não temos que lutar contra a carne e o sangue, e, sim contra os
principados, contra as potestades, contra as força espirituais da maldade nas
regiões celestes” (EF 6.12). E o espírito santo ora com ''...gemidos
inexprimíveis'' (RM 8.26).
O QUE
ACONTECE,QUANDO ORAMOS?
-As portas se abrem EF 6.18-19
-O braço de Deus se move
-Os corações são quebrantados AT 2.37
Oração e jejum pelas cidades. O homem pecador se opõe a
Deus. O diabo força o homem não buscar a Deus. Todo plano de evangelização, por
melhor que seja, fracassará, se não
tiver o poder de Deus. E o poder de Deus só pode ser adquirido pela busca, pela
oração. Deus age (FP 1.29; EF 2.8; JO
6.44). Os
demônios só são expulsos pelo poder da oração (LC 19.41). A oração é a base.
2- PALAVRA
A bíblia é o manual por excelência de
missões, porque é a revelação de Deus à humanidade. Além de ser a única fonte
inspirada de teologia e ética ela nos ensina como fazer evangelismo e
missões.
A bíblia é a única obra literária do mundo que registra que a nossa
origem. Deus quer que todos os seres humanos conheçam a verdade sobre Ele e de
como Ele se revelou nas santas escrituras, e também sobre a natureza humana. A
vontade de Deus é que todos os homens se arrependam e tenham conhecimento da
verdade (I TM 2.4).
Deus sempre se preocupou com o
bem-estar do homem. Essa vontade só
pode ser conhecida pela
revelação, verdade que só é encontrada nos oráculos divinos: a bíblia sagrada.
A palavra é a ferramenta do
evangelista pessoal. Ele deve manejar bem a palavra da verdade (II TM 2.15) para mostrar ao
pecador os pontos salientes do caminho da salvação, aplicando a cada
circunstância a mensagem correspondente. É importante ter bem claros na mente
os versículos e suas respectivas
referências que falem sobre cada situação que a pessoa pode estar
experimentando ou experimentar, como, por exemplo pecado, arrependimento,
confissão, perdão, o amor de Deus, salvação, segurança, proteção, paz, vitória,
vida eterna e outros tópicos de igual importância.
PREPARO DAS PESSOAS PARA A EVANGELIZAÇÃO DAS CIDADES
Esse preparo refere-se ao estudo da palavra de Deus. É o
preparo na palavra ( II TM 2.15). As seitas preparam bem seus adeptos. As
igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.
POR QUÊ EVANGELIZAR?
1- PORQUE DEUS NOS DEU O MINISTÉRIO da reconciliação e também pôs em nós a palavra
da reconciliação, de sorte que, somos embaixadores da parte de Cristo.
2- PORQUE É UMA OBRIGAÇÃO DE TODOS sem exceção. Todos
temos a incumbência de Jesus (I PE 2.9). Alguns começaram a trabalhar de
madrugada, outros na terceira hora, isto
é, nove horas, outros perto da hora sexta,
ou seja entre as onze e doze horas, e outros perto da hora undécima, isto é,
faltando uma hora para terminar o dia. (Os
judeus contavam o dia das seis horas da manhã ás seis da tarde) (MT 20. 1-6).
3-PORQUE A PESSOA SALVA é a única que pode afirmar com
convicção quem ele era, quem ele é, e quem ele será, ou seja: era um perdido
pecador, candidato à morte eterna e à
condenação. Porém, hoje, é um pecador remido (TT 2. 14), liberto por Jesus (JO
8.34), e, no futuro, estará eternamente na presença do Senhor (I TS 4.17), nos
céus (FP 3.20), possuindo um corpo
imortal e incorruptível (I CO 15.51-54)
4-NÃO TÍNHAMOS CONDIÇÕES DE PAGAR NOSSA DÍVIDA PARA
COM DEUS
A obra de ganhar
almas constitui-se numa mensagem de perdão das dádivas que o homem tem com
Deus.
Quando permanecíamos no pecado, tínhamos uma dívida
enorme, e estávamos sem condições de pagá-la, mas tudo foi perdoado por Deus
(MT 18.23;27 CL 2.14). ''Portanto, agora nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus”. (RM 8.1). Precisamos levar a mensagem da cruz a todos
os perdidos para sua salvação, pois, fazendo assim, estaremos dando de graça, o
que de graça recebemos (MT 10:8).
As ilustrações e história a seguir
retratam a necessidade da evangelização.
Alguém perguntou a um evangelista sobre o seu trabalho.
Ele disse que era semelhante ao um mendigo que achara muito pão, e, agora
anunciava aos outros o caminho do alimento.
“Uma vez um artista procurou pintar um quadro sobre o
evangelismo. Ele pintou um quadro onde havia uma tormenta no mar, um bote sendo
destroçado pelas ondas e jogando seus tripulantes ao mar, e, numa rocha, que
saía das águas, um marinheiro apoiado com ambas as mãos para se salvar. Ao
olhar o quadro, o pintor ficou insatisfeito e quis fazer outro. Então, ele pintou a mesmo tempestade, o mesmo cenário de
desespero, o mesmo bote naufrago, os mesmo homens aflitos pedindo por socorro e a mesma pedra salvadora. No entanto, ele
acrescentou algo: um homem bem apoiado sobre a rocha que estava no meio das
águas revoltas. Com uma das mãos ele se segurava na rocha e com a outra oferecia socorro a quem quisesse sair
da água''
O
Senhor Jesus, o evangelista por excelência, resumiu sua obra da seguinte
maneira: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia
perdido”'(LC 19.10).
1-EVANGELISMO PESSOAL
A evangelização pessoal ainda é, por
excelência, o método mais eficaz na obra de ganhar al,mas. Nenhuma estratégia,
por mais perfeita que seja, pode substituir com a mesma eficiência o contato
pessoal na pregação do evangelho.
Jesus e os apóstolos pregaram ás multidões mas nunca
desprezaram a evangelização pessoal, por entenderem que a salvação é uma
questão individual, que deve ser tratada
com as pessoas uma a uma, como fez Jesus ao escolher os seus discípulos. É por
outro lado, a estratégia mais simples e de menor custo, pois é fruto do amor
apaixonado de cada crente pelas almas perdidas, que o faz buscá-las
pessoalmente e sem esmorecimento, onde quer que se encontrem, como fez o pastor
com a que encontrava desgarrada do redil (LC 15.4-7).
Se cada Cristão entendesse o seu
papel e ganhasse, pelos menos, uma
pessoa a cada ano, e cada um desses novos cristãos ganhasse também uma pessoa
por ano, o alvo de 50 milhões de almas até o ano 2010, lançado pela década da
colheita, poderia ser alcançado em pouco mais de dois anos.
a- PONTO DE CONTATO
A evangelização pessoal tem como
fundamento o contato entre o evangelista e a pessoa a ser evangelizada. Se não
houver contato, não há evangelização. É obvio que o contato se dá em duas
direções:
Primeiro com Deus e segundo com o
próximo. A forma de aproximação mais conhecida como ponto de contato vai
determinar em grande parte o êxito da iniciativa. Ela será a chave para tornar
o interlocutor mais acessível ao dialogo, que poderá levá-lo a reconhecer os
pecados e, conseqüentemente, à conversão.
Não basta simplesmente iniciar uma
conversa mostrando já as conseqüências de quem se rebela contra Deus. Talvez
esta seja a forma mais rápida de fechar as portas à pregação. Em nenhuma parte
da Bíblia a mensagem de juízo precede a de arrependimento.
Descobrir o ponto de contato
significa fazer uso da habilidade de intuir em cada situação a maneira pela qual o evangelista pode
identificar-se com a pessoa que está
sendo evangelizada. Veja o exemplo de Filipe. Ele descobriu que o eunuco
lia o profeta Isaías e fez uso deste ponto de aproximação para entabular a
conversa, enquanto corria ao lado do carro (AT 8.30). Paulo, no areópago,
utilizou-se da figura de Deus (AT 17.22-24).
Ponto de contato é a chave ''para se dizer o que é certo, de maneira que não ofenda as
pessoas''.
b-COMO COMPREENDER O SER HUMANO
Compreender as necessidade humanas é,
também, uma forma que leva ao ponto de
aproximação. O evangelista pessoal tem que olhar a comunidade que o cerca sob
essa perspectiva, entendendo que ele
está com pessoas de temperamentos distintos e que vivem circunstâncias
diferentes. tratar a todos sob o mesmo ângulo é
desconhecer que cada uma possui
necessidades específicas e carece de tratamento específico.
O que fez Paulo no cárcere em Filipos?
Sob a nossa ótica, a fuga imediata,
talvez fosse o caminho mais lógico
para ganhar a liberdade, após o
terremoto. No entanto, ele teve pleno
domínio da situação e prolongou sua permanência na cadeia por mais algum tempo,
por compreender que aquela circunstância era o meio pelo qual poderia legitimar
as verdades do evangelho através do próprio comportamento, levando uma família
à conversão (AT 16.25-39).
c-APRENDENDO COM JESUS
Cristo, nosso maior exemplo, foi quem
melhor soube utilizar-se dos pontos de
aproximação e compreender as
necessidades humanas. Enquanto a mulher samaritana estava preocupada em tirar água do poço de
Jacó. Ele aproveitou o fato para falhar-lhe da água da vida sem entrar no
mérito da histórica inimizade entre judeus e samaritanos. Em relação à mulher
adúltera, teve a visão correta da sua necessidade e da hipocrisia dos que
a cercavam. Quanto a Zaqueu, o publicano
tocou no seu ponto nevrálgico para levá-lo ao conhecimento da salvação. No que
tange à multidão faminta, no deserto, movido de íntima compaixão, ordenou aos
discípulos: “Dai-lhe vós de comer'' e não a despediu enquanto não foi
alimentada.
COMO FAZER A EVANGELIZAÇÃO PESSOAL
a-FAZENDO AMIZADE
A evangelização pessoal tem como pressuposto a amizade,
principalmente quando se trata de um projeto em médio prazo em relação a
determinada pessoa. Uma proposta de relacionamento amistoso e sincero é a
primeira atitude que o evangelista pessoal precisa demonstrar na sua busca incessante pelas almas perdidas.
É preciso que haja da parte do pecador, absoluta
confiança nas intenções de quem o está evangelizando.
b-PELO EXEMPLO
O exemplo é outro fator de atração que deve ir na frente
para conquistar, sem palavra, a expectativa do incrédulo. Há uma diferença
entre o salvo e o não salvo e esta precisa ficar bem caracterizada não apenas
pelo discurso, mas principalmente pelas ações. “Eis que tenho observado que
este homem que passa por aqui é um santo homem de Deus'' (II RS 4.9). Já dizia
a mulher a respeito de Eliseu. De que adianta um turbilhão de palavras bem
concatenadas se o testemunho não
corresponde ao que se prega?
c-PELO DISCIPULADO
Aqui significa que o evangelista pessoal não vai pregar
para alguém e abandoná-lo á beira do caminho. O discipulado implica em adotar
essa pessoa e levá-la pacientemente a cumprir todos os passos da salvação até
que Cristo seja gerado nela. Este procedimento produzirá crentes maduros que,
por sua vez, serão levados a ter a mesma atitude de fazer novos discípulos (II
TM 2.2).
Foi assim com Filipe, após o chamado do mestre, trouxe as
boas novas para Natanael e o levou a
Cristo (JO 1.45-47).O mesmo ocorreu com a mulher samaritana, que anunciou ter
encontrado o Messias aos conterrâneos de Samaria: Vinde e vede um homem que me
disse tudo quanto tenho feito, porventura não é este o Cristo?'' (JO 4.39). O endemoninhado
gadareno foi outro que não titubeou. Depois de liberto, ''Foi apregoando por
toda a cidade, quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito'' (LC 8.39). Gerar um
novo crente significa acompanhá-lo passo a passo, tal como uma criança, até que
possa andar com os seus próprios pés.
QUALIDADES DO EVANGELISTA
1-DEMONSTRAR CONVICÇÃO
Entre as muitas qualidades exigidas do evangelista
pessoal, além da conversão e da certeza de salvação, está a convicção absoluta
naquilo que crê. Jó escreveu: ''Eu sei que o meu redentor vive” (JO 19.25). O
apóstolo Paulo não teve dúvida: ''Eu sei
em quem tenho criado'' (II TM 1.12). A
ineficiência na exposição das verdades da salvação passa a idéia de que o
pregador não está muito convicto daquilo que prega e não permite ao Espírito
Santo usar a palavra para atingir o coração do ouvinte, isto, porque, '”Se a
trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” (I CO 14.8). Ou
seja,se o soldado der o toque de recolher para, em seguida, dar o toque da
alvorada no momento exato de iniciar a guerra,como os recrutas irão agir?
2-SER CONVERTIDO
“...E tu, quando te converteres,confirma teus irmãos” (LC
22:32). ”...E grande número creu e se converteu...” (AT 11.21). Há muitas
pessoas que querem dar o segundo passo, sem ter conhecido o primeiro. A
princípio, eles tentaram usar o poder do nome de Jesus, sem experimentá-lo em
vidas. E depois, tentaram levar homens pecadores e rebeldes ao conhecimento da
vontade divina. O homem salvo por cristo, que está reconciliado com Deus, não
vive mais em rebeldia, seja qual for a forma que ela tiver. Que Deus nos ajude
a estar dentro da sua vontade! Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que
vimos. Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens
visto e ouvido. O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos
contemplado, e as nossas mãos tocaram na palavra da vida.
3- TER BOM TESTEMUNHO
“Convém que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no
laço do diabo'' (I TM 3.7).
4-SER PREPARADO
“ Sofre, pois, comigo, as aflições como bom soldado de
Jesus cristo. Ninguém que militar se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar aquele que alistou para a
guerra. É, se alguém também militar, não é coroado se não militar
legitimamente”. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos
frutos''. (II TM 2.3-6).
Há um ditado que diz: ''Um homem prevenido (preparado)
“vale por dois''. No caso do evangelista (ou qualquer outro ministro) isso é
regra. Ele deve se preparar para estar sempre pronto a responder à altura de um
anunciador das boas novas. A bíblia compara o crente como um soldado ou atleta,
estes títulos, em si mesmos, já denotam preparação. O evangelista deve se
preparar e também preparar o ambiente e
as pessoas, através da oração. 'A proclamação funciona bem, num ambiente, onde
as pessoas têm sido preparadas para ouvir o evangelho.
Estar preparado é mais do que ficar sempre lendo
materiais sobre evangelismo. É estar cheio da palavra, do Espírito e da Graça
de Deus. Estar preparado e também ser sensível a direção do Espírito. O evangelista deve estar pronto, tanto para
pregar quando o Espírito quiser, como para não pregar quando o Espírito assim o
mandar (AT 16.6,7).
'Um ministro pode ter educação, treinamento,
personalidade e qualquer outro dom, geralmente considerado como uma necessidade
para um ministério próspero, contudo, o fracasso será iminente se ele descuidar do maior de todos
os requisitos para alcançar o verdadeiro e permanente ministério: a preparação
espiritual de si mesmo.
5- TER O SENSO DA OPORTUNIDADE
Ter o senso da oportunidade é não deixar passar a hora e
aproveitar as circunstâncias favoráveis. O evangelista pessoal está sempre
atento aos fatos e a tudo que o cerca, pois uma situação inesperada pode ser o
ponto de partida para ganhar uma alma.
Filipe ia a caminho de Gaza, deixando para trás um
poderoso avivamento em Samaria (AT 8.1-8) e aparentemente desperdiçando tempo,
pois diz a bíblia que a região estava deserta. Mais eis que de repente surge
alguém numa carruagem lendo o profeta
Isaías. Era a oportunidade que não podia
ser desperdiçada e Filipe não perdeu tempo. Os resultados todos conhecem.
Aqui fica também uma lição: aqueles que se consideram
pregadores de grandes multidões dever ter o senso do valor de uma alma, como
Filipe. Ele trocou as conveniências de uma cidade grande por uma região
deserta, tendo em vista uma só alma.
6-CONHEÇER O
PECADOR
O pecador manifesta
diferentes reações á palavra pregada. Cabe ao evangelista pessoal
conhece-las e saber como lidar com elas. Há os que se mostram indiferentes,
enquanto outros estão interessados. Há os que desejam a salvação, mais se acham
impedidos, enquanto outros não crêem que possam ser salvos. Há os que se
consideram fracassados e não sabem como ser restaurados. Enfim, há diferentes
situações, mas para cada uma há respostas convincentes nas escrituras. É
preciso que o evangelista pessoal as conheça e permita que o Espírito Santo as
use no momento adequado.
OS QUATRO '' COMOS '' DO EVANGELISMO
Vamos examinar RM 10.13-15 ''Porque todo aquele que
invocar o nome do Senhor será salvo”.
-COMO invocarão aquele em quem não creram?
-COMO crerão
naquele que não ouvirão?
-COMO ouvirão, se não há quem pregue?
-COMO pregarão, se não forem enviados?
Como está escrito: “Quão formosos são os pés dos que
anunciam a paz, do que anunciam coisas
boas''.
Aqui temos os quatros ''como'' da palavra de Deus.
Primeiramente encontramos a promessa
''ser salvo'' condicionada ao verbo ''invocar''. Porém, para que invoquem,
precisam antes confiar. Para que confiem, precisam antes ouvir. Para que ouçam,
alguém deve pregar-lhes as boas novas. Mas para que preguem, terão antes de ser
enviados. Dessa maneira, Deus põe a responsabilidade sobre nós. Se enviarmos os
missionários, eles poderão pregar. Se eles pregarem, pessoas poderão crer, e se
crerem, invocarão, e se invocarem, serão salvos. Mas todo o processo e iniciado
por nós. Antes de qualquer coisa, e necessário que enviemos.
SAQUEANDO O INFERNO
Para tornarmos
efetiva a nossa vitória nesta
batalha, precisamos de uma estratégia bem planejada e estudada e esta estratégia já está descrita na palavra
de Deus, constitui-se dos seguintes passos:
1-DERRUBAR AS
PORTAS DO INFERNO
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”
(MT 16.18).
Neste versículo,
Jesus está apresentando o instrumento de Deus para a execução dos seus planos
de restauração da humanidade. Jesus está
dizendo: ''Eu edificarei a minha igreja,
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela'', ou seja, o
trabalho de Deus na restauração da
humanidade começa com um ataque frontal
ao inferno. A igreja é o instrumento de Deus para atacar o inferno, e o
primeiro passo nesta estratégia é
derrubar as portas do inferno.
Tenho ouvido interpretações erradas deste versículo por
pessoas afirmando que os crentes estão
dentro do templo, tremendo de medo, e satanás está em volta, tentando entrar,
mas as portas da igreja estão firmes e ele não pode entrar. Contudo, é
exatamente o contrário o que a bíblia afirma: satanás é quem está dentro do inferno, bem trancado,
tremendo de medo do poder de Cristo através da igreja, tentando segurar as
vidas que estão em suas mãos. Assim, o papel da igreja é derrubar as portas do
inferno e entrar lá para tirar as vidas do domínio de satanás e levá-las para as mãos de Cristo. As portas do inferno
não resistem ao poder de Cristo manifesto
na sua igreja. Aleluia!
2-AMARRAR O INIMIGO
“Ninguém pode entrar na
casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; só
então saquear á a casa”. (MC 3.27).
O segundo passo na estratégia da batalha espiritual é amarrar o inimigo. No
contexto deste verso, Jesus Cristo está
falando sobre satanás, e apresenta-nos a estratégia de amarrá-lo. Pela
autoridade da nossa posição em Cristo, pela palavra de Deus, pelo nome de Jesus
Cristo, podemos amarrar satanás e os espíritos malignos, para finalmente
tirarmos as vidas de suas mãos. Se estivermos acima de todo domínio e poder,
temos então autoridade espiritual sobre este poder. Por isso, o crente em
Cristo simplesmente pode amarrar satanás, para executar a obra de Deus. Isto
não quer dizer que podemos impedir a atuação de satanás no mundo, pois isto só
se dará no final dos tempos, mas o que podemos e devemos fazer é impedir a
atuação de satanás e espíritos malignos, especificamente sobre a pessoa ou área onde estivermos evangelizado.
3-ROUBAR-LHE OS BENS
“Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe
os bens, sem primeiro amarrá-lo”. (MC 3.27).
O bom crente é um ''ladrão” (do inferno). E deve ''roubar'' (do inferno) muito. No
verso, Jesus diz que devemos amarrar o valente
e saquear-lhe os bens. Quais são os bens de satanás? São as vidas
que ele tem em domínio. Portanto, estas vidas precisam ser resgatadas.
Precisamos tirá-las das mãos de satanás e levá-las para Cristo. Isto é feito no campo espiritual. Há muita gente
tentando convencer os outros de que as
doutrinas bíblicas são certas e de que
somente em Cristo há salvação, pensando que se a pessoa aceitar estes
argumentos intelectuais estará
salva. A apresentação do plano de salvação e o uso de
argumentos poderão ajudar a pessoa a tomar a decisão, que produzirá efeitos espirituais,
porque a salvação de Cristo consiste em
tirar as vidas das mãos de satanás
e transportá-las para o reino de Deus. Por isso, devemos amarrar satanás
e saquear-lhe os bens.
4- GARANTIR OS BENS SAQUEADOS
Após
roubarmos as vidas das
mãos de satanás, estas precisam ser protegidas e garantidas para não caírem
mais do domínio do inimigo.
Poderemos fazer isto de três maneiras:
a-Discipulando: precisamos levar o novo convertido a compreender a palavra
de Deus, a conhece-la não só na teoria, mas também na prática. Aquele
que se firmar na palavra de Deus,
colocando-a em prática estará firmando sua vida espiritual sobre a rocha que é
Cristo e nada poderá derrubá-lo desta posição. Daí a necessidade
de alguém mais experimentado na palavra,
para tomar o novo convertido e,
pessoalmente, ajudar-lo no crescimento espiritual.
b-Resistindo a Satanás: ''Sujeitai-vos portanto a Deus, mas resisti ao diabo, e ele
fugirá de vós (TG 4.7). O versículo diz que devemos primeiro estar em submissão a Deus. A nossa luta espiritual
mostra que a vitória vem do poder de
Deus em
nossa vida. Desta forma, precisamos estar em inteira submissão ao Espírito Santo de Deus, para
então, resistirmos ao diabo. Quando resistimos
a satanás e aos seus ataques, ele foge. Note que coisa interessante: quem foge é o diabo, não o
crente. Temos visto crentes fugindo de
medo do diabo e de pessoas possuídas por demônios, porque não conhecem sua
posição em Cristo. Quando exercemos autoridade e resistimos ao diabo, ele foge.
O diabo é que foge.
C- Não dando lugar
ao diabo: ''..nem deis lugar ao diabo''
(EF 4.27). A vitória Já está garantida, temos autoridade sobre satanás, mas
precisamos tomar cuidado para não lhe
dar lugar. O diabo é astuto e não vai aparecer
diante de nós como um bicho feio.
Ao contrário, a bíblia diz que ele se
transforma em anjo de luz, para nos enganar. E o faz com muita sutileza,
às vezes, trazendo um mau pensamento,
desviando-nos dos propósitos de Deus, outras vezes, provocando divisões,
contendas, etc. Assim, devemos tomar cuidado e não dar lugar ao pecado,
contenda, divisões na Igreja, para que não tenha vantagem nesta batalha.
Resumindo, esta deve ser então, nossa estratégia, derrubar
as portas do inferno e entrar lá, amarrar satanás, tirar as vidas de seu
domínio e transportá-las para o reino de Cristo, treinar estas vidas para que
se tornem também soldados contra o inimigo.
A vitória já está garantida pois a bíblia diz que Jesus
se manifestou para destruir as obras do diabo (I JO 4.8). Além disso, quando a
última pessoa ouvir a mensagem do evangelho na terra, Jesus Cristo voltará com
poder e grande glória (MT 24.14). Então veremos a derrota final do inimigo (AP 20.7-10).
CONCLUSÃO
No coração de Deus há um clamor, dia e
noite, gritando: Almas! Almas! Almas! Ele clama para que seus servos se
entreguem á obra de ganhar almas. Somente estes, que procuram ter um coração
segundo o Deus sabem o que significa este clamor: "Ai de mim, se não anunciar este Evangelho!" Paulo sabia
que era responsável perante Deus, de
resgatar o mundo das trevas. O Senhor tem chamado e preparado homens especiais
para este serviço: Os evangelistas. Esses homens têm transformado o mundo com as
boas novas de salvação, desde o tempo de Jesus, e vão continuar com este
ministério até que Ele volte.
Jesus, após sua ressurreição, anunciou
aos discípulos uma condensação do antigo testamento. Disse ele: ''São estas as
palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse
tudo o que de mim está escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos''.
Quando então lhes abriu o entendimento para compreenderem as escrituras, e lhes
disse: Assim está escrito: “que o Cristo havia de padecer...''.
Sacerdotes e rabinos judeus, aos milhares, já dedicaram
incontáveis horas de estudo aos textos do antigo testamento e, no entanto, não
conseguiram perceber ali a maior revelação: O Messias teria que sofrer e
morrer.
E Jesus continua: “...e ressuscitarei
dentre os mortos ao terceiro dia...'' A ressurreição do Messias, outro
importante ''ponto cego'' na mente do povo escolhido de Deus é a segunda parte do conciso sumário que
ele faz do antigo testamento.
Mas nós, os cristãos, que vivemos mais
de 2000 mil anos depois, tendo os benefícios de conhecer e desenrolar subseqüente da história, devemos
ter o cuidado de não rir desse erro dos
judeus, que não discerniram o tema central do antigo testamento, pois Jesus continuou a sua exposição, mencionando
o terceiro fator que constitui um dos principais: ''E que em seu nome se
pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando
em Jerusalém'' (LC 24.44-47).
Q U E S T I O N Á R I
O
CAPELANIA HOSPITALAR
1- O que significa capelania ?
2- Qual a missão de um capelão
hospitalar ?
3- O que é serviço aos enfermos ?
4- Como deve agir um capelão no
hospital ?
5- Cite cinco normas de um capelão
hospitalar.
CAPELANIA SOCIAL
1- Qual a função da capelania social
dentro da sociedade ?
2- Qual a sua finalidade entre a
sociedade ?
3- Como se estrutura uma capelania
social ?
4- O que é capelania operária ?
CAPELANIA PRISIONAL
1- Qual é o maior problema
penitenciário ?
2- Como o capelão prisional deve se
comportar dentro de um presídio ?
3- Quais são as finalidades da
capelania prisional ?
4- Você já teve alguma experiência
dentro de um presídio ?
Em caso positivo comente sua experiência.
ÉTICA CRISTÃ
1- O que é ética ?
2- Qual o objetivo da ética na vida do
capelão ?
3- Porque devemos cuidar do nosso
corpo ?
4- Porque devemos cuidar do nosso
espírito ?
5- Como devemos agir em relação ao
nosso próximo ?
EVANGELISMO E
MISSÕES
1- O que é evangelismo segundo sua
etimologia ?
2- Cite cinco qualidades de um
evangelista.
3- Cite três situações de um pecador
perdido.
4-Quais são as armas de um
evangelista.
5- Cite duas razões porque devemos
evangelizar.
PEDIDOS DE CARTEIRA DE CAPELANIA.
ResponderExcluirPR. CELSO SOARES NETO
(031)-8617.8267 OPERADORA OI / FIXO- 3395.2392
DEUS É BOM...COMPLETOU A APOSTILA QUE ESTOU LENDO DE UM CURSO DE CAPELANIA ONLINE,ALIAS ESSA APOSTILA ME COMPLETOU,OBRIGADA DEUS,OBRIGADA PR CELSO SOARES...É POSSÍVEL ADQUIRI-LA?,COMO?
ResponderExcluirDEUS ABENÇOE!
Pastor Celso, a paz do Senhor Jesus, gostaria de saber como faço para adquirir a carteira de capelania.
ResponderExcluirFiz os questionários posso enviar no seu e-mail?
Atenciosamente,
Pb. Marcos Araújo Lima
Assembleia de Deus ADUC - Valparaíso - GO
61 98671-5717
Pastor Celso,
ResponderExcluirA paz do Senhor Jesus.
Peço autorização para imprimir essa apostila e passar esses ensinamentos na nossa igreja: IPCG-Igreja Pentencostal Chuva de Graça.
E como posso fazer para adquirir carteirinha de capelão.
Antecipo meus agradecimentos
Parabéns, excelente material!!!
ResponderExcluirGostaria de informar o amado querido pastor que estou utilizando me de seu excelente material para ministrar o curso de capelania e que o lhe parabenizar pela elaboração de tão maravilhoso conteúdo teologico
ResponderExcluirGraça e paz!
ResponderExcluirCaro, Pastor Celso.
meu nome,Paulo Roberto.
Primeiramente quero lhe parabenizar,pelo excelente trabalho publicado!
venho por meio deste,solicitar a tua autorização para utilização deste maravilhoso material,em forma de apostila didática.
Desde já agradeço a tua atenção!
Graça e paz amado pastor!
ResponderExcluirMeu nome é Nelci. Inicialmente quero parabenizá-lo pelo excelente trabalho, e ao tempo solicitar sua devida autorização para utilizaçao do mesmo sob forma de apostila. Entretanto gostaria de saber como proceder para adquiri-la. Desde já agradeço pela atenção dispensada.
No aguardo do envio, grata.
ExcluirParabéns Pr. Celso, pelo excelente trabalho. Deus abençoe a cada dia o seu Ministério.Peço a sua devida autorização para utiliza-lo para ensino de classe. Desde já, meus agradecimentos.
ExcluirA paz do Senhor,Primeiramente quero lhe parabenizar,pelo excelente trabalho publicado,gostei muito de seu material,maravilhoso conteúdo teológico.
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